Linguagem verbal, não verbal e mista: o que são e exemplos
O que é verbal e por que isso aparece em tudo
Verbal é uma palavra que serve para várias coisas dependendo do contexto. A maioria das pessoas pergunta sobre isso por três motivos: está estudando língua portuguesa para uma prova, precisa validar um acordo verbal, ou encontrou a seção de raciocínio verbal num concurso.
O que é verbal na gramática
Na gramática, verbal se refere ao modo como o verbo se conjuga e expressa a relação do falante com a ação. Existem os modos verbais tradicionais: indicativo, subjuntivo e imperativo. O indicativo mostra certeza ou fato. O subjuntivo indica dúvida, possibilidade ou algo que depende de uma condição. O imperativo é para ordens, pedidos ou sugestões. Há ainda os tempos e as vozes (ativa, passiva, reflexiva), que mudam completamente o sentido.
Eu li um parecer jurídico recentemente onde um contrato dizia "o fornecedor deverá entregar os equipamentos até o dia 15". Alguém havia usado o futuro do pretérito do indicativo ("deverá") quando o texto todo estava no subjuntivo ("caso o fornecedor não entregue..."). Isso cria ambiguidade jurídica. A correção foi simples: colocar "caso o fornecedor não cumpra" e manter o subjuntivo em todo o trecho. O significado mudou de uma obrigação certa para uma condição dependente.
O que é verbal no direito
Contrato verbal é um acordo feito apenas com palavras, sem documento assinado. No Brasil, a lei permite esse tipo de contrato para a maioria das relações civis, mas existem exceções. Compra e venda de imóveis, por exemplo, precisa ser por escrito. Contratos de trabalho também. O problema é que, na prática, provar um contrato verbal é muito difícil. Sem testemunhas claras e sem provas concretas, a maioria desses acordos desmorona em qualquer disputa.
Usei uma gravação de áudio como prova um dia num caso de prestação de serviços. O cliente havia prometido pagar R$3.000 por um projeto, tudo combinado por telefone. A gravação funcionou porque eu tinha anotado antes o valor e o escopo combinados. Mas isso não é regra. Muitos juízes não aceitam gravações como prova principal. O melhor caminho é sempre transformar o acordo verbal em escritura ou pelo menos em um documento assinado, mesmo que seja simples.
O que é verbal no raciocínio lógico
Raciocínio verbal, ou verbal reasoning, é um tipo de teste que avalia a capacidade de entender e analisar informações apresentadas em forma de texto. Aparece bastante em processos seletivos de empresas e em concursos públicos. A prova mostra um trecho e pede para o candidato julgar se uma afirmação é verdadeira, falsa ou não pode ser determinada com base apenas no que está escrito.
A armadilha mais comum é tentar responder com conhecimento externo. Se o texto diz que "todos os gerentes são pontuais" e a pergunta afirma que "João é gerente e, portanto, é pontual", a resposta correta é verdadeira — mesmo que você conheça gerentes que não são pontuais. O teste quer ver se você lê com precisão, não se demonstra cultura geral.
O que costuma dar errado é a leitura apressada. Palavras como "todos", "alguns", "nunca", "sempre" e "exceto" mudam completamente a lógica. Eu costumo recomendar sublinhar essas palavras antes de responder qualquer questão. Isso elimina cerca de metade dos erros.
Como usar isso na prática
Se você está estudando para uma prova de português, foque em identificar o modo verbal em frases complexas. O subjuntivo é onde a maioria dos candidatos erra. Treine transformando frases do indicativo para o subjuntivo e vice-versa. Leve uns 20 minutos por dia durante duas semanas e você nota diferença.
Se você tem um acordo verbal importante, documente. Mande um e-mail resumindo o que foi combinado e peça confirmação. Isso vale como prova documental do acordo, mesmo que não seja um contrato formal. Demora dois minutos e evita meses de dor de cabeça.
Se você está fazendo teste de raciocínio verbal, leia o texto inteiro antes de ler as alternativas. A maioria das pessoas começa a responder enquanto ainda está lendo, e isso gera erro em questões óbvias.
Pontos cegos que poucos mencionam
Um detalhe importante sobre modos verbais: o futuro do subjuntivo é negligenciado na escola, mas é fundamental em textos técnicos e jurídicos. Frases como "quando eu terminar o relatório, envio" usam o futuro do subjuntivo corretamente. Muitos escrevem "quando eu termino" por erro comum, e isso soa estranho em qualquer contexto formal.
Sobre contratos verbais, existe um mito de que "acordo verbal tem validade legal". Tem, mas a validade não é a mesma coisa que executabilidade. Você pode ter razão num tribunal, mas se não tiver como provar, a razão não vale nada. Anotar detalhes imediatamente após uma conversa verbal é a melhor prática que eu conheço.
E sobre raciocínio verbal: não adianta treinar apenas com exercícios prontos. Leia editoriais de jornais e tente identificar a estrutura lógica de cada argumento. Isso fortalece mais a habilidade do que fazer cinquenta questões por dia. A questão não é quantidade, é qualidade da leitura.