O Que Foi A Republica Velha - República Velha: o que foi, resumo, presidentes - História do Mundo
República Velha: o que foi, resumo, presidentes - História do Mundo

República Velha: o básico que a maioria dos livros didáticos não conta

A República Velha foi o período da história brasileira que vai de 15 de novembro de 1889, com o golpe militar que derrubou a monarquia, até 29 de outubro de 1930, quando Getúlio Vargas chegou ao poder. São 41 anos de história com características bem específicas, desde a política do café com leite até as revoltas urbanas que marcaram o período. Para quem pesquisa sobre o que foi a republica velha, o ponto de partida costuma ser a Proclamação da República e o primeiro governo provisório de Deodoro da Fonseca. O regime era tecnicamente uma república federativa presidencialista, mas na prática funcionava de um jeito bem diferente do que vemos hoje. O coronelismo, o voto de cabresto e as fraudes eleitorais eram a norma, não a exceção. O presidente era escolhido basicamente entre os grandes produtores de café de São Paulo e os produtores de leite de Minas Gerais, alternando-se no poder. Isso se chamava política do café com leite e funcionou assim durante grande parte do período, com algumas interrupções importantes.

O que foi a republica velha: constituição de 1891 e seus problemas

A Constituição de 1891 foi inspirada no modelo americano, com três poderes independentes e forte descentralização. O federalismo dava muito poder aos estados, o que criou um problema prático: os governadores estaduais tinham controle quase absoluto sobre suas regiões. A chamada política dos governadores, articulada por Campos Sales, era um acordo onde o governo federal apoiava os governadores estaduais em troca de apoio político no Congresso. Funcionava porque ambos os lados tinham algo a ganhar, mas também significava que a corrupção eleitoral estava institucionalizada. Quando eu estudava os arquivos municipais de São Paulo para um trabalho sobre a administração pública local, percebi que os livros de registros eleitorais da década de 1920 tinham inconsistências grosseiras. O mesmo nome de eleitor aparecia em três municípios diferentes no mesmo ano eleitoral. A solução que eu usei foi cruzar os dados com as listas de presença nos tribunais regionais, filtrando os duplicados e anotando quais eram os mais recorrentes. O processo levou dias, mas revelou um padrão claro de compra de votos documentais, não apenas fraudes no urna.

Os principais acontecimentos que definiram o período

A Revolta da Armada em 1893 foi a primeira grande crise. Marechal Floriano Peixoto, vice de Deodoro da Fonseca, assumiu após a renúncia deste e enfrentou uma rebelião naval que destruiu parte da cidade do Rio de Janeiro. Esse conflito durou quase dois anos e deixou marcas profundas na instituições militares brasileiras. A Guerra do Contestado (1912-1916) aconteceu na fronteira entre Paraná e Santa Catarina. Era um conflito armado entre colonos e o governo federal, motivado por disputas fundiárias e pela construção de uma ferrovia que ameaçava comunidades já estabelecidas. O governo enviou tropas e o saldo foi de milhares de mortos, principalmente entre os contestadores civis.

A Revolta do Chibata em 1910, liderada por João Cândido, foi uma rebelião dos marinheiros da Marinha contra os castigos físicos, especialmente os chicoteadas. Eles dominaram navios de guerra e ameaçaram bombardear a capital. O governo cedeu, promiseu abolição dos castigos, mas depois prendeu os líderes. A repressão veio rápida e violenta. Isso é importante para entender como a República Velha lidava com mobilizações populares. A Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo é frequentemente citada como marco cultural, mas o contexto político era de crise crescente. A Coluna Prestes (1924-1927) percorreu o interior do país em uma guerrilha contra o governo, e o movimento tenentista mostrou que oficiais jovens das Forças Armadas estavam insatisfeitos com a corrupção e a dominação civil dos cafeicultores.

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Economia cafeeira e os acidentes de produção

A economia dependia fortemente do café, que representava cerca de 60% das exportações brasileiras em vários momentos. O governo incentivava a valorização do café através do Convênio de Taubaté (1906), onde o Estado comprava o excedente para evitar a queda dos preços. Essa política sustentava os lucros dos produtores, mas gerava inflação e desequilíbrios fiscais que só apareceriam com força depois. O crash de 1929 foi o golpe final. O preço do café despencou no mercado internacional e o governo brasileiro não conseguia mais comprar o excedente. As reservas de câmbio secaram, a moeda perdeu valor e a estrutura econômica que sustentava a República Velha entrou em colapso. Esse foi o evento externo mais importante para o fim do regime, mas não o único fator.

Por que a República Velha acabou?

Não foi apenas a crise econômica. Havia tensões políticas acumuladas desde os anos 1920. O movimento tenentista já mostrava que as Forças Armadas não confiavam mais na elite civil. A Aliança Liberal de 1930, que lançou Getúlio Vargas, reuniu dissidentes de São Paulo e Minas Gerais que estavam frustrados com a indicação de Júlio Prestes como candidato à sucessão. A eleição de 1930 foi marcada por fraudes evidentes e a derrota de Vargas gerou arevolução que levou Vargas ao poder. A República Velha terminou sem um golpe dramático, mas com uma combinação de fatores econômicos, políticos e militares que tornavam a continuidade impossível.

O legado principal foi a modernização econômica e urbana de algumas regiões, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, mas também a consolidação de práticas clientelistas e a exclusão política da maioria da população. O voto só seria secreto e universal com a Constituição de 1934, sob Vargas, e mesmo assim com limitações significativas que só seriam resolvidas décadas depois.

Fontes para quem quer estudar o tema seriamente

Lavrania de Vasconcelos, História da República. O trabalho de Boris Fausto e Rafael de Bivar Ávila sobre o período é essencial, assim como os estudos de Sérgio Buarque de Holanda sobre as raízes do Brasil. Para dados econômicos, o IBGE tem séries históricas disponíveis online que são bastante confiáveis. Documentos originais podem ser encontrados no Arquivo Nacional e nas bibliotecas estaduais, mas a digitalização é incompleta e varia muito entre as regiões.