O Que Foi O Pós Impressionismo - Pós-impressionismo: o que foi, principais características e obras ...
Pós-impressionismo: o que foi, principais características e obras ...

Uma resposta prática ao que foi o pós impressionismo

Se você está aqui tentando entender o que foi o pós impressionismo, provavelmente já se deparou com aquela definição genérica de livro didático que diz "foi um movimento que veio depois dos impressionistas" e segue uma lista de nomes sem explicar nada sobre como as obras realmente funcionam na prática. Vou tentar ser mais útil que isso. O pós impressionismo não foi um movimento organizado com manifesto ou galeria central. Foi mais um termo puxado por Walter Pach em 1910, quando ele estava organizando uma exposição no Moma e precisava de uma caixa-chaves para agrupar artistas que, juntos, pareciam ter quebrado algo no impressionismo. O curioso é que os próprios artistas raramente se juntavam. Eles viviam espalhados por Paris, Arles, Pont-Aven, Londres, e só tiveram coisa alguma em comum depois que os historiadores da arte decidiram que deveriam ter.

o que foi o pós impressionismo e como reconhecer nas obras

Na prática, o que aparece nos quadros desses artistas é uma rejeição à ideia de que a pintura precisa capturar luz natural de forma fiel. Os impressionistas tinham quase uma obsessão com o efeito momentâneo. Os pós-impressionistas responderam dizendo, basicamente, "talvez a cor e a forma possam servir a algo mais que o registro visual". O resultado prático foi um leque de abordagens que vão desde a aplicação estruturada de pinceladas até a distorção intencional das formas para transmitir emoção. Quando eu estava catalogando uma coleção menor de gravuras e reproduções antigas, encontrei um problema interessante que ilustra bem como o termo é fluido. Tinha uma peça assinada por alguém que trabalhava próximo ao círculo de Seurat, com pontilhismo bem marcado, mas com uma paleta deliberadamente não-naturalista. A pergunta era se aquilo era neo-impressionismo ou pós-impressionismo. A resposta pragmática que eu usei foi: classifiquei como pós-impressionismo porque o crítico Roger Fry, que cunhou e popularizou o termo na Inglaterra, usava a categoria como uma cesta ampla. E essa é uma lição importante que muitos iniciantes perdem — o rótulo funciona mais como guarda-chuva do que como categoria científica.

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Outro detalhe que parece contra-intuitivo, mas faz diferença: o pós impressionismo inclui tanto artistas que buscaram ordem geométrica quanto aqueles que buscaram expressão emocional através da cor. Picasso nos seus primeiros anos se encaixa parcialmente nessa classificação por causa do período azul e das estruturas cúbicas embrionárias, mas Cézanne também está aqui, embora nunca tenha pintado nada que pareça cubismo. A confusão surge porque historiadores posteriores usaram esses artistas como fundadores de movimentos que eles próprios não criaram ativamente. O maior problema prático que eu vejo pessoas enfrentando ao estudar esse período é tentar encaixar cada artista em um subgrupo rígido. Paul Gauguin e Émile Bernard desenvolveram o simbolismo e o sincretismo em Brittany ao mesmo tempo que trabalhavam com aplicações planas de cor, mas chamar tudo de "pós-impressionismo" apaga as diferenças técnicas importantes entre a abordagem de Gauguin e a de Seurat. Seurat era obsessivo com a teoria científica da cor. Gauguin era quase o oposto, confiando na intuição e no significado simbólico.

Também vale noting que o termo é frequentemente mal aplicado a qualquer coisa que pareça "moderna" e não seja estritamente impressionista. Isso gera uma zona cinzenta enorme onde expressionistas alemães tardios e fauvistas franceses acabam sendo misturados indevidamente. O pós-impressionismo propriamente dito abrange aproximadamente 1886 até 1905, mais ou menos, dependendo do artista e da região. Depois disso, a maioria desses caminhos se ramificou em movimentos distintos com seus próprios nomes e dinâmicas. Se você quer estudar isso de verdade, recomendo começar pela Exposição Pós-Impressionista de 1910 em Londres, organizada por Roger Fry, e não por manuais genéricos. Os catálogos daquela mostra mostram como o próprio conceito foi moldado por restrições curatoriais e pelo gosto da época. O que chamamos de pós-impressionismo hoje carrega muito dessa constructed history, não apenas a realidade artística.