Predicado do sujeito em prática
O predicado é simplesmente tudo o que se declara a respeito do sujeito. Na maioria das vezes isso é óbvio porque os exercícios de vestibular seguem o padrão ingênuo de verbo de ligação + predicativo. Mas a coisa muda de figura quando o verbo não é de ligação e o complemento entra na jogada. Aí muita gente travadinha porque confunde o núcleo do predicado com o objeto direto.
O que predicado do sujeito realmente é na gramática normativa
O sujeito é o termo da oração sobre o qual se faz uma declaração. O predicado é o resto. Dentro do predicado você encontra o verbo e todos os seus complementos, adjuntos e advérbios. O núcleo do predicado é sempre o verbo, mas os outros elementos que o acompanham formam o que os livros chamam de predicativo do sujeito quando há verbo de ligação, ou complemento verbal quando o verbo é transitivo. Um detalhe que quase ninguém explica direito: predicativo do sujeito só existe com verbo de ligação. Quando o verbo é transitivo direto ou indireto, aquilo que vem depois dele é complemento, nunca predicativo. A confusão acontece porque as duas construções parecem similares na superfície. "O paciente está cansado" versus "O paciente considera a prova difícil". Em uma, "cansado" é predicativo do sujeito. Na outra, "difícil" é objeto direto, e "a prova" é objeto direto também. O sujeito continua sendo "o paciente" em ambas, mas a função sintática do termo pós-verbal é completamente diferente.
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Um problema real que eu encontrei na correção de redações e provas: orações com verbos que podem ser tanto de ligação quanto transitivos. O verbo "parecer" é um classico. "Ela parece cansada" – aqui "parece" é de ligação, "cansada" é predicativo do sujeito. "Ela parece o irmão" – aqui "parece" é transitivo direto, "o irmão" é objeto direto. Se o aluno tentar analisar "o irmão" como predicativo do sujeito, erra feio. A solução prática que eu uso é o teste da passiva: se der para transformar em passiva analítica, o verbo é transitivo. "Ela é parecida pelo irmão" não faz sentido. Já "A prova foi considerada difícil por ele" funciona perfeitamente. Esse teste resolve pelo menos 70% dos casos duvidosos na prática de correção. A análise sintática do predicado do sujeito também esbarra num problema mais chato: orações coordenadas e a elipse do sujeito. Quando alguém escreve "João chegou cansado e sentou-se na cadeira", o sujeito "João" se repete implicitamente no segundo verbo. O predicado da segunda oração é "sentou-se na cadeira", e "cansado" pertence ao predicado da primeira. Isso parece simples até o momento em que você precisa justificar em uma banca exigente porque a distância entre o sujeito e o predicativo aumentou por causa de um adjunto adverbial deslocado. Neste caso, eu recomendo isolar o núcleo verbal primeiro, identificar o sujeito, e só então verificar se o termo qualificativo se liga ao sujeito ou ao verbo.
Outro ponto que poucos mencionam: predicado verbo-nominal existe e é diferente de predicado nominal puro. No verbo-nominal, você tem verbo transitivo mais predicativo do sujeito ao mesmo tempo. "Os alunos chegaram tristes" – "chegaram" é intransitivo, mas "tristes" é predicativo do sujeito. O predicado como um todo é verbo-nominal porque há ao mesmo tempo um verbo (embora intransitivo) e um predicativo. A distinção entre predicado nominal e verbo-nominal caem como questão obrigatória em concursos, então vale dominar: predicado nominal = verbo de ligação + predicativo. Predicado verbo-nominal = verbo transitivo (ou intransitivo com predicativo) + complemento + predicativo. Se você está estudando para prova, o caminho mais rápido é fazer análise sintática de frases tiradas de notícias reais, não de exercícios montados. Frases jornalísticas têm estrutura natural, com termos deslocados e coordenações que os livros didáticos evitam. Isso acostuma o olho para o imprevisível. Demora cerca de três semanas de prática diária, meia hora por dia, para notar melhora consistente na velocidade de identificação.
Existe ainda uma armadilha comum com sujeito oracional. Quando o sujeito é uma oração inteira, como em "É impossível que ele desista", o predicado é "é impossível que ele desista". Não existe predicativo do sujeito aqui porque não há substantivo ou adjetivo isolado ligando-se a um termo específico. A oração subordinada substantiva subjetiva é o sujeito, e "é impossível" é o verbo de ligação com predicativo. Esse tipo de construção sempre gera dúvida em analistas iniciantes porque o sujeito não é um termo simples dentro do período.