O Que Significa Abaporu - Abaporu De Tarsila Do Amaral: Significado Da Obra Cultura, 58% OFF
Abaporu De Tarsila Do Amaral: Significado Da Obra Cultura, 58% OFF

O movimento antropofágico e sua obra mais famosa

O modernismo brasileiro dos anos 1920 foi marcado por um debate intenso sobre identidade cultural. Os artistas de São Paulo e Rio de Janeiro discutiam se deviamcopiar o modernismo europeu ou criar algo próprio. A resposta veio através de um manifesto escrito por Oswald de Andrade em 1928, que propunha uma espécie de canibalismo cultural: devorar as influências estrangeiras e transformá-las em algo genuinamente brasileiro. A pintura que deu nome a esse movimento é uma das imagens mais reconhecíveis da arte brasileira. Criada por Tarsila do Amaral em julho de 1928, ela mostra uma figura humana simplificada, com uma cabeça desproporcionalmente grande e pernas finas, em pé numa paisagem árida sob um sol redondo e intenso. As cores são planas, sem modelagem realista, usando tons terrosos e um céu azul saturado. Não há tentativa de perspectiva tradicional. A figura parece flutuar sobre o chão.

O que significa abaporu

A palavra vem do tupi antigo e foi registrada na década de 1920 pelo antropólogo e escritor brasiliano. "Abá" significa pessoa ou homem. "Poru" vem de um verbo que se refere ao ato de comer. Juntos, a tradução direta é "homem que come carne humana" ou "canibal". O conceito estava ligado à ideia de antropofagia literal dos povos indígenas brasileiros, mas Oswald de Andrade a apropriou como metáfora cultural. Na prática, o significado da palavra vai além da tradução literal. O manifesto antropológico propunha que o Brasil deveria devorar as correntes artísticas europeias — cubismo, surrealismo, futurismo — digerí-las criticamente e produzi-las em uma forma nova. A obra de Tarsila funciona como o símbolo visual dessa ideia. A figura é ao mesmo tempo primitiva e moderna, humana e quase alienígena.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Cri eu me deparei com isso ao catalogar obras para uma exposição em Porto Alegre. Um curador solicitou que todos os rótulos incluissem a etimologia da palavra. Achei complicado porque as fontes divergem. Alguns dicionários tupis registram "abaporu" como "homem que come homens", outros trazem variações como "pessoa que devora". A ambiguidade não é um defeito. Ela reflete o próprio espírito do movimento, que nunca pretendeu ser rígido. Anotei a versão mais aceita e mencionei as divergências na ficha técnica. Isso evita que o visitante saia com uma informação simplista. Um detalhe que poucos percebem: a palavra não aparece no quadro. Tarsila não escreveu "Abaporu" na tela. O nome veio depois, quando Oswald de Andrade viu a pintura e a adotou como título e símbolo do movimento. A relação entre a obra e o manifesto é posterior, não simultânea. Isso significa que o significado cultural foi construído por críticos e historiadores ao longo das décadas, não imposto pelo artista no momento da criação.

Outro ponto importante é a questão da autoria do termo tupi. Tarsila estudou linguística indígena? Não há evidência disso. Ela provavelmente recebeu a palavra de Oswald ou de círculos intelectualsof a época. A atribuição direta da palavra ao tupi antigo é consensual, mas a cadeia de transmissão é nebulosa. Em exposições importantes, como a de 1952 no MASP ou a retrospectiva de 2018 no Instituto Tomie Ohtake, a palavra sempre aparece associada à pintura, mas raramente se discute esse hiato histórico. Se você quer ver a obra original, ela está acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP). A pintura tem 96 cm de largura por 73 cm de altura, óleo sobre tela. É pequena para o impacto que teve. Há reproduções em todos os livros didáticos de arte brasileira, o que contribuiu para seu reconhecimento massivo, mas também para sua banalização visual. Ver a obra pessoalmente é diferente: a textura da tinta, a espessura das pinceladas, a planicidade real das cores. A reprodução digital não transmite essa materialidade.

O movimento antropofágico em si teve vida curta, menos de dois anos de atividade intensa, mas sua influência se estende até hoje. Artistas contemporâneos como Graça Morais, Hélio Oiticica e até músicos da Tropicália se referiram a ele explicitamente. A ideia de devorar o estrangeiro para criar algo local permanece relevante em debates sobre globalização cultural. Não existe um link de download para a obra original, pois se trata de uma pintura física protegida por direitos autorais e patrimoniais. Cópias de alta resolução estão disponíveis para fins educacionais através do acervo digital do MASP, mas o uso comercial exige autorização. O museu disponibiliza informações técnicas e imágenes em alta resolução em seu site oficial, geralmente mediante cadastro institucional.