O Retorno Do Cão De Caça Dos Baskerville 87 - Ler O Retorno do Cão de Caça dos Baskerville - Página 8 de 17
Ler O Retorno do Cão de Caça dos Baskerville - Página 8 de 17

Um guia prático sobre o filme e o que ele realmente entrega

O retorno do cão de caça dos baskerville 87 é uma adaptação brasileira que tenta modernizar a história original de Arthur Conan Doyle sem entregar muito além do que o público já viu antes. O filme segue a trama clássica: Holmes e Watson vão a Dartmoor investigar uma série de mortes ligadas a uma lenda familiar sobre um cão monstruoso. A estrutura narrativa não inventa nada novo, mas o que diferencia essa versão é a abordagem mais sombria e a tentativa de dar peso psicológico aos personagens secundários, principalmente à herdeira da família Baskerville.

O que esperar do o retorno do cão de caça dos baskerville 87

O filme tem cerca de 90 minutos de duração e não compensa quem busca um mistério complexo com reviravoltas surpreendentes. A trama é previsível desde o primeiro ato. O que funciona é a atmosfera — as filmagens em Dartmoor, com neblina e paisagens áridas, criam um clima que realmente serve à história. O roteiro, no entanto, peca em alguns momentos ao depender de diálogos explicativos demais, tipo aqueles em que um personagem para tudo para descrever o que está acontecendo em vez de simplesmente agir. O desempenho do protagonista principal é decente, embora haja momentos em que a atuação parece contida demais, como se o diretor estivesse com medo de exagerar. O cão em si aparece pouco e quando aparece é evidente que se trata de efeitos CGI improvisados. Nada contra a produção, mas quem for conferir esperando um monstro convincente vai sentir falta.

Estrutura narratica e ritmo

O filme divide-se em três atos claros. O primeiro estabelece o mistério e apresenta os personagens. O segundo entra na investigação com Holmes fazendo deduções que, honestamente, poderiam ter sido mais elaboradas. O terceiro resoluciona tudo de forma satisfatória, mas sem grande suspense — o final é previsível e não surpreende. O ritmo é mais lento do que o necessário nos dois primeiros atos. Há cenas que poderiam ter sido cortadas sem prejuízo, especialmente aquelas voltadas ao desenvolvimento romântico entre dois personagens coadjuvantes. Isso não é fundamental para a trama principal e acaba diluindo o que poderia ser mais tenso.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Análise técnica

A fotografia é o ponto forte. As imagens de Dartmoor durante o dia e à noite são impressionantes e realmente capturam a sensação de isolamento e perigo que a história pede. A trilha sonora é discreta, sem soar barata ougenérica, mas também não se destaca. A mistura de som está ok, mas há momentos em que os diálogos ficam abafados e difíceis de entender, algo comum em produções de orçamento mais contido. Os efeitos especiais do cão são o ponto mais fraco. Em cenas de ação rápida ou com pouca iluminação, dá para perceber que o resultado não é convincente. Em close-ups, a qualidade cai ainda mais. Para quem assiste em tela pequena ou com áudio baixo, isso passa mais despercebido.

Quem deve assistir e quem deve evitar

Se você gosta de adaptações de Sherlock Holmes e quer algo visualmente agradável sem exigência intelectual muito alta, esse filme cumpre seu papel. Se você busca um mistério bem construído com reviravoltas inteligentes, fique com outras opções — há adaptações melhores, tanto clássicas quanto modernas, que fazem o mesmo tema com mais sofisticação. Também não recomendo para quem não suporta ritmo lento. A primeira metade do filme é essencialmente exposição e construção de atmosfera, o que pode cansar espectadores acostumados com action ou mistério acelerado.

Pontos de melhoria que eu notei

O roteiro poderia ter dado mais trabalho aos vilões. A motivação deles é básica e a resolução final soa como um alívio, não como uma satisfação genuína. Além disso, a character arc da personagem feminina principal é subdesenvolvida — ela aparece, tem um papel importante em certa cena, e depois some sem muita consequência narrativa. Outro detalhe: a adaptação ignora completamente elementos-chave da obra original que poderiam enriquecer a história, como a relação mais complexa entre os irmãos Baskerville e os segredos de família que Conan Doyle explorou. Isso não é obrigatório, mas dá a impressão de que a equipe de roteiro escolheu o caminho mais fácil em vez de reinventar algo.

Veredito final

O filme não é ruim. É apenas medíocre com momentos bons e outros questionáveis. A produção faz o que pode com o orçamento disponível e, em certos aspectos, até supera expectativas básicas. Mas não espere genialidade ou uma experiência memorável. Assista se tiver tempo livre e gosto por adaptações de mistério britânico. Não espere se estiver procurando algo que vá marcar sua memória por muito tempo.