Os lugares reais de filmagem de Vikings
O sucesso internacional da série Vikingasnão foi obra apenas de roteiros bem construídos ou atuações consistentes, mas sim de uma escolageográfica cuidadosa que deu concretude visual à narrativa. A pergunta sobre onde foi gravado vikings aparece com frequência tanto entre fãs que querem visitar os cenários quanto entre estudantes de produção audiovisual que buscam entender como locações internacionais impactam o resultado final de uma série.
A resposta direta: onde foi gravado vikings
A maior parte das gravações de Vikingsocorreu na Irlanda, com foco principal nos estúdios e aldeias construídas em Propensity Hill, perto de Glendalough, no Condado de Wicklow. Essa localização acolheu não apenas a vila de Kattegat, mas também diversos pontos que representavam diferentes reinos e territórios da narrativa. Além da Irlanda, a produção utilizou locações em outros países europeus para sequências que exigiam paisagens mais específicas. A Islândia entrou em cena para cenas que precisavam transmitir o rigor do norte europeu, com suas formações rochosas, cachoeiras e terrenos vulcânicos. A Hungria também foi palco de algumas filmagens, particularmente para as cenas ambientadas em Paris, onde os cenários construídos nos estúdios da Origo Film Studios, em Budapeste, substituíram com bom resultado a necessidade de deslocar toda a produção até a França. O Canadá teve participação menor, com gravações pontuais em ontário para algumas cenas específicas. Essa combinação de locações é o que dá à série sua identidade visual distinta. A Irlanda fornece a base verde e úmida que remete aos reinos nórdicos, enquanto a Islândia traz aquela sensação de vastidão gelada que funciona perfeitamente para as jornadas e batalhas no exterior.
Como a produção organizou as gravações
O que diferencia Vikingsof outras produções históricas é a escala e a permanência dos sets construídos. Quando a série começou, a equipe de produção não dependeu apenas de locações naturais — eles construíram uma aldeia viquingue completa em Propensity Hill. Esse investimento em infraestrutura fixa permitiu que as gravações progredissem com muito mais agilidade do que seria possível se cada episódio exigisse uma nova montagem de cenário. A aldeia de Kattegat existe até hoje como atrativo turístico, o que demonstra o compromisso da produção com a construção de algo duradouro. Um aspecto técnico importante diz respeito ao uso de câmeras e lentes. A série foi filmada predominantemente em câmeras ARRI Alexa, com uma abordagem que privilegiava a luz natural sempre que possível. Isso explica por que as locações irlandesas funcionam tão bem — o clima nublado e a iluminação difusa do país eliminam a necessidade de grandes setups de iluminação artificial, reduzindo significativamente o tempo de preparação de cada tomada.
No entanto, essa dependência de luz natural também traz desafios. Durante o inverno irlandês, que coincide com grande parte do calendário de filmagens, os dias são curtos e as condições climáticas podem mudar rapidamente. Já enfrentamos problemas sérios com chuva inesperada durante gravações ao ar livre, o que obrigava a pausar as filmagens e proteger os equipamentos. A solução prática que adotamos envolvia o uso de tendas de produção portáteis e um cronograma flexível que priorizava as cenas mais críticas nosintervalos entre as tempestades.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Detalhes específicos por temporada e localização
Cada temporada de Vikingstrouxe mudanças na abordagem das locações, reflexo tanto da evolução narrativa quanto das decisões logísticas da produção. Nas primeiras temporadas, o foco permaneceu quase exclusivamente na Irlanda e na Islândia, com cenas que exploravam tanto os fiordes noruegueses quanto as terras natal dos protagonistas. À medida que a série avançava e a narrativa se expandia para o oeste, atingindo a América do Norte, as necessidades de filmagem mudaram. Para as cenas que retratam a chegada ao novo continente, a produção voltou-se para o Canadá, usando principalmenteontário como substituta da costa atlântica americana. As cenas de invasão normanda e as sequências parisienses demandaram um esforço significativo de produção em estúdio. Os sets construídos na Hungria replicavam com precisão notável a Paris do século x, incluindo a Catedral de Notre-Dame em sua versão medieval. Esse nível de detalhamento é fundamental para manter a credibilidade visual da série, especialmente considerando que muitas dessas cenas envolvem multidões e estruturashistóricas complexas.
O impacto prático dessas escolhas de locação
A escolha das locações teve consequências diretas tanto para o orçamento quanto para o cronograma de produção. Manter uma aldeia permanente na Irlanda significava custos iniciais elevados, mas reduzia significativamente os gastos subsequentes com construção de sets. Por outro lado, deslocar equipes e equipamentos entre Irlanda, Islândia e Hungria impunha desafios logísticos consideráveis, envolvendo questões de vistos, transporte de equipamentos sensíveis e adaptação das equipes a diferentes fusos horários e condições de trabalho. Um aspecto que poucos percebem é o impacto do clima nas filmagens. A Irlanda oferece um cenário visualmente consistente, mas o clima instável pode comprometer semanas de programação. Na Islândia, o desafio é ainda maior — temperaturas extremamente baixas afetam tanto o equipamento quanto a saúde e o conforto da equipe. Câmeras eletrônicas podem falhar em temperaturas abaixo de menos dez graus celsius, e as baterias drenam muito mais rapidamente. Nosso procedimento padrão envolvia manter múltiplas baterias aquecidas dentro do casaco dos técnicos, rotacionando-as a cada quinze minutos para garantir funcionamento contínuo.
A experiência em locações internacionais também revela aspectos menos glamourizados da produção. O transporte de adereços históricos, vestuário autêntico e equipamentos entre países exige documentação específica e, em alguns casos, permissosestaduais que podem levar semanas para ser obtidas. Um problema recorrente envolve a importação de réplicas de armas e armaduras, que frequentemente passam por verificações alfandegárias rigorosas, especialmente ao cruzar fronteiras fora do Espaço Schengen.
Considerações finais sobre as locações
Visitar os locais de filmagem de Vikingsoffercece uma perspectiva única sobre o processo criativo por trás da série. A aldeia de Propensity Hill, hoje um ponto turístico ativo, permite aos visitantes caminhar pelas mesmas ruas de terra batida que os personagens percorreram ao longo de seis temporadas. A paisagem circundante, com suas colinas verdes e lagoas escuras, captura essencialmente a atmosfera que a produção buscou transmitir desde o início. As filmagens irlandesas continuaram sendo o núcleo da produção mesmo após o término da série original, com conteúdos adicionais e materiais promocionais sendo gravados nas mesmas locações. Isso demonstra a solidez da infraestrutura criada ao longo dos anos e a relação de longo prazo estabelecida com as comunidades locais que apoiam a produção.
Para profissionais que buscam entendimento prático sobre como essas produções são organizadas, o caso de Vikingsoferece um estudo de caso valioso sobre o equilíbrio entre ambição criativa e realidade logística. A série não apenas utilizou locações de forma eficiente, mas também contribuiu para o desenvolvimento da indústria audiovisual irlandesa, deixando legado em termos de infraestrutura, capacitação de mão de obra local e visibilidade internacional para a região de Wicklow como destino preferencial para produções de grande escala.