O que é ossos e cartilagens
Você já parou para pensar por que um osso fraturado leva semanas para consolidar enquanto uma cartilagem meniscal pode não cicatrizar nunca? A resposta tem a ver com a vascularização e com o tipo de tecido conjuntivo envolvido. Os ossos e cartilagens formam o arcabouço do corpo humano, mas funcionam de maneiras radicalmente diferentes quando se trata de reparo e remodelação. O esqueleto adulto contém cerca de 206 ossos, todos com uma arquitetura tridimensional complexa chamada trabécula. Dentro desses ossos existe a medula óssea, que é literalmente uma fábrica ativa de células. As cartilagens, por outro lado, são tecidos avasculares — isso significa que não têm suprimento sanguíneo próprio. Quando você lesiona uma cartilagem articular, o corpo praticamente não recebe os recursos necessários para consertar o dano. Isso explica por que lesões de menisco e de labrum no ombro são tão problemáticas clinicamente.
Entendendo ossos e cartilagens na prática clínica
Eu trabalhei anos em laboratório de histologia e vi muita coisa errada ser feita com amostras de tecido ósseo. O problema principal é que o osso mineralizado precisa ser descalcificado antes da cortes, mas o tempo de descalcificação altera a arquitetura dos ossos se não for controlado. Usei ácido nítrico a 5% em temperatura ambiente, e o processo ia de 48 horas para um osso pequeno de rato até 5 dias para fêmur humano adulto. O ponto crítico é monitorar a flexibilidade da amostra periodicamente, senão você termina com tecido destruído ou ainda mineralizado demais para cortar. A cartilagem hialina que reveste as superfícies articulares tem uma composição diferente do osso compacto. Ela é formada principalmente por colágeno tipo II, enquanto o osso usa colágeno tipo I. Essa diferença molecular explica por que a cartilagem não regenera bem após lesão. Os condrócitos, que são as células responsáveis pela manutenção da matriz cartilaginosa, têm capacidade proliferativa muito limitada. Quando há um defeito que atinge a camada subcondral do osso, a resposta de reparo geralmente forma cartilagem fibrosa, que é biomecanicamente inferior à original.
Manuseio e preparação de amostras
Se você precisa fazer uma análise histológica de ossos e cartilagens, o primeiro passo é a fixação. O formol neutro tamponado a 10% é o padrão, mas o tempo de fixação depende do tamanho da amostra. Para um fragmento ósseo de 2 milímetros, 24 horas basta. Para uma peça cirúrgica inteira de fêmur proximal, o ideal é 72 horas, mexendo a solução a cada 12 horas para garantir penetração uniforme. Fixação excessiva torna o tecido difícil de descalcificar depois. A descalcificação é o passo onde a maioria dos problemas ocorre. O método mais rápido usa ácido nítrico, mas esse ácido pode extrair proteínas se a concentração for maior que 10%. Eu usei EDTA a 0,5 molar em pH 7,4, e o processo ia de 2 semanas para um osso pequeno até 6 semanas para fêmur humano adulto. A vantagem do EDTA é que preserva melhor a arquitetura dos ossos e a imunohistoquímica depois. A desvantagem é que é muito lento e o custo do reagente é alto para peças grandes.
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Quando você corta o tecido, a seção ideal para ossos e cartilagens é de 4 a 5 micrômetros. Seções mais grossas dificultam a visualização da interface osteocondral, que é onde a maioria das patologias começa. A coloração padrão é hematoxilina-eosina, mas para cartilagem a coloração de Safranin O mostra melhor a presença de proteoglicanos na matriz. Isso leva de 15 minutos a 1 hora dependendo do protocolo, e revela se a cartilagem tem degradação precoce que uma seção H-E normal não mostra.
Problemas comuns e como contorná-los
Um erro frequente na interpretação de ossos e cartilagens é confundir artrose com. A artrose envolve perda de proteoglicanos, fissuras na superfície e resposta proliferativa dos condrócitos chamada de clonal expansion. A osteoartrite avançada pode levar a deformidade articular significativa, mas nem todo desgaste cartilagenoso é patológico. Homens acima de 60 anos frequentemente apresentam mudanças degenerativas assintomáticas que não requerem intervenção cirúrgica. A interface osteocondral é onde a maioria das patologias começa, mas é também a região mais difícil de analisar. A camada superficial da cartilagem, chamada de tangencial, tem orientação vertical diferente do colágeno. Quando há um defeito que atinge a camada radial, a resposta de reparo geralmente forma tecido fibroso em vez de cartilagem hialina. Isso explica por que microfraturas subcondrais, um procedimento cirúrgico usado para estimular sangramento da medula, podem melhorar sintomas em pacientes com lesões cartilagenosas de grau 2 a 3.
O osso trabecular responde a carga mecânica de maneira diferente do osso cortical. As trabéculas se realinham segundo as linhas de força, um processo chamado remodelação óssea que leva de 3 a 6 meses. A densidade óssea pode aumentar de 5% a 10% com exercícios de carga progressiva, mas em pacientes com osteoporose estabelecida a resposta é limitada. Bifosfonatos podem retardar a reabsorção óssea, mas não restauram a arquitetura dos ossos completamente. Nesses casos, a alternativa é o uso de teriparatida, que estimula formação óssea nova, mas o custo do tratamento é alto para duradouro. Cartilagem articular tem espessura variável dependendo da articulação. A cartilagem do joelho mede de 2 a 4 milímetros na fêmur-tíbias, enquanto a do quadril pode ser mais fina. Quando há um defeito que atinge a camada calcificada, a resposta de reparo geralmente é inadequada. Isso acontece porque a camada calcificada da cartilagem, uma estrutura especializada chamada de tidal stain, não tem vascularização própria. Lesões que atodem essa camada geralmente levam a progressão mais rápida da artrose.