O que você precisa saber sobre os países banhados pelo mar Vermelho
Ao procurar por país banhado pelo mar vermelho, as respostas variam dependendo do critério que você usa. O mar Vermelho tem cerca de 2.250 km de comprimento e banha oito países em duas continentes diferentes. Do lado africano são Egito, Sudão, Eritreia e Djibuti. Do lado asiático são Arábia Saudita, Iêmen, Jordânia e Israel. A fronteira marítima entre Sudão e Arábia Saudita na verdade passa por uma ilha chamada Tiran, o que gera discussões diplomáticas esporádicas sobre quem controla o estreito.
País banhado pelo mar vermelho: realidade geopolítica
O exemplo mais prático é a diferença entre ter costa no mar Vermelho e ter acesso real ao comércio marítimo. A Jordânia tem apenas 26 km de costa, e isso foi resultado de um acordo dos anos 1960. Eles construíram o porto de Aqaba com dinheiro saudita basicamente porque não tinham outra opção. Quando o Iêmen entrou em guerra civil em 2015, o fluxo de contêineres pelo porto de Hodeida parou quase imediatamente. Arábia Saudita teve que desviar toda a carga para o porto de Jeddah, que fica a cerca de 400 km ao sul, e isso aumentou o custo logístico em aproximadamente 18% Uma coisa que muita gente não leva em conta é a salinidade extrema. A taxa de evaporação no mar Vermelho é das mais altas do mundo, algo em torno de 2.000 mm por ano. Isso significa corrosão acelerada em equipamentos costeiros e nos cascos dos navios. Na minha experiência trabalhando com logística no Golfo de Aqaba, os geradores a bordo precisavam de manutenção preventiva a cada 500 horas em vez das 1.000 horas recomendadas pelo fabricante. A solução foi trocar o sistema de resfriamento do tipo fechado para um de circuito duplo com trocador de calor em aço inox 316L.
Dados que realmente importam
O Egito controla o estreito de Tiran e o acesso ao canal de Suez simultaneamente. Isso dá ao país uma posição que poucos entendem corretamente. As águas territoriais egípcias nesse trecho têm apenas 12 milhas náuticas de largura em alguns pontos, enquanto a largura total do estreito é de cerca de 26 km. Qualquer navio que saia do golfo de Aqaba passa por águas sob jurisdição egípcia em menos de meia hora de navegação. O Sudão perdeu acesso direto ao mar Vermelho em 1993 quando a Eritreia se tornou independente. O país ficou sem porto marítimo por quase uma década e depende hoje do porto de Port Sudan, que é artificial e não consegue receber navios com calado superior a 12 metros. Isso limita drasticamente o tipo de carga que o Sudão pode importar diretamente. Na prática, a maior parte das mercadorias entra pela Etiópia através do porto de Djibuti, o que eleva o custo final em cerca de 30 a 40%
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Eritreia é outro caso interessante. Tem costa de aproximadamente 225 km e portos como Massawa e Assab que foram amplamente subutilizados nas últimas décadas. O porto de Assab tem uma baía natural profunda que poderia atender navios de grande porte, mas a falta de investimento e a instabilidade regional mantêm a infraestrutura parada. A China fez uma proposta de concessão em 2019 mas o projeto nunca saiu do papel de forma consistente.
Problemas práticos que ninguém menciona
A corrente predominante no mar Vermelho flui no sentido anti-horário, o que significa que navios indo de norte a sul encontram corrente a favor e economizam combustível, mas na volta o inverso acontece. O tempo de travessia entre Jeddah e Aden varia de 4 a 7 dias dependendo da direção e das condições climáticas. No verão, ventos de monção podem criar mar grosso que atrasa operações portuárias por até dois dias consecutivos. Um erro comum é achar que todos esses países têm as mesmas regras alfandegárias e regulatórias. Na realidade, cada um segue procedimentos completamente diferentes. O Egito exige licença de importação prévia para muitos itens. A Arábia Saudita tem o sistema ABRAWQ integrado que agiliza o desembaraço mas só funciona se toda a documentação estiver perfeita desde o envio. O Iêmen, devido à guerra, tem um regime de fato baseado em portos controlados por diferentes facções, o que torna praticamente impossível garantir prazos ou segurança na cadeia de suprimentos.
O Djibuti se tornou o hub logístico da região principalmente porque abriga a base militar chinesa e a base francesa ao mesmo tempo, além do terminal da DP World. Se você está planejando qualquer operação comercial que envolva essa rota, recomendo olhar alternativas como o corredor Etiópia-Djibuti-Addis Abeba, que movimentou cerca de 90% da carga terrestre etíope em 2023. O transporte ferroviário reduziu o tempo de entrega de camanhões para cerca de 24 horas versus os 3 a 5 dias que levava por estrada.
Considerações finais sobre pais banhados pelo mar vermelho
A região não é homogênea e tratar todos esses países como um bloco único leva a erros caros. A segurança marítima varia enormemente: o trecho entre o Iêmen e a Arábia Saudita teve ataques a navios comerciais durante o conflito, enquanto o golfo de Aqaba permanece estável com presença constante da comando naval multinacional. O custo de seguro para embarcações que transitam pelo pode ser até três vezes maior que o valor padrão para o mar Mediterrâneo.