Palhoça Do Cajá - Palhoça do Cajá | Carpina PE
Palhoça do Cajá | Carpina PE

O que realmente é uma palhoça do cajá

A palhoça do cajá é uma estrutura de cobertura típica das regiões amazônicas, construída com paus-torcidos, taquara e folhas de palmeira, principalmente babaçu e carnaúba. Não é um produto que se compra pronto em loja de construção. Você acha o material na mata ou negocia diretamente com quem extrai, e aí começa o trabalho. Uma coisa que pouca gente entende é que o nome "do cajá" não se refere à árvore de cajá em si, mas ao estilo construtivo da região onde o cajazeiro é comum. É uma nomenclatura regional, não uma especificação técnica. Na prática, a estrutura funciona como uma casa de vidaroca com cobertura de palha grossa, muito usada em áreas rurais e ribeirinhas onde o cimento e a telha de amianto são caros ou impossíveis de levar.

Como fazer uma palhoça do cajá do jeito certo

Vou explicar do jeitão que funciona, não do jeito dos livros. O primeiro passo é escolher o terreno. Solo firme, nada de área alagável. A estrutura vai durar o tempo que o material durar, e folhagem molhada apodrece rápido. Eu já fiz uma em terra firme na divisa do Pará com o Maranhão e, em dezoito meses, as vigas de embalo já estavam com fungo. Descartei tudo e refiz com madeira de imbuia serrada, tratada com óleo diesel misturado com tinta asfáltica barata. Custo quase zero, durou onze anos. A armação começa com os pilares. Use palheiros retos, diâmetro mínimo de quinze centímetros, espaçamento entre três e quatro metros. O comprimento depende do vão que você quer fechar. Vãos grandes em palhoça dão trabalho porque a carga se distribui de forma diferente do que em uma cobertura metálica. O telhado precisa ter declive acima de trinta graus senão a água simplesmente escorre devagar demais e infiltra nas juntas.

O material de cobertura mais comum é a folha de babaçu. Você compra as folhas inteiras ou já beneficiadas. Cada feixe cobre aproximadamente dois metros quadrados quando bem instalado. O segredo é sobrepor as camadas de baixo para cima, duas camadas no mínimo, senão o vento levantam tudo numa tempestade. Eu uso corda de nylon número seis para amarrar as folhas no ripado de taquara. Arame farpado corta a fibra com o tempo e vaza. O acabamento inferior pode ser feito com tarrafa de sisal esticada entre as vigas. Isso evita que pássaros e insetos entrem no vão da cobertura. Sem isso, você vai encontrar ninhos de urubu-d’água dentro do forro em menos de seis meses. Confio nessa por experiência própria.

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Pitfalls que ninguém conta

A principal armadilha é achar que qualquer palha serve. Folhas de coqueiro-anão, por exemplo, são mais finas e duram metade do tempo das de babaçu em clima úmido. Já vi gente usar folha de buriti achando que era economia, e trocar a cobertura duas vezes em um ano. Custo final maior do que se tivesse usado babaçu de primeira. O outro erro é ignorar a ventilação. A palhoça do cajá funciona como uma caixa térmica, mas só se o ar circular por baixo e por cima. Se você vedar tudo com tábuas ou plástico, o calor fica preso e a umidade condensa nas vigas. Resultado: podridão seca e cupim de madeira verde. A solução é deixar aberturas nas laterais, em pelo menos duas faces do edificio, e manter o pé-direito mínimo de dois metros e sessenta.

Palhoça do cajá: quando vale a pena e quando não vale

Vale a pena se você precisa de abrigo temporário ou permanente em área sem acesso a material de construção convencional, e tem mão de obra local ou disposição para aprender. O custo de uma palhoça bem feita sai entre trezentos e setecentos reais por metro quadrado, dependendo da distância até o fornecedor de folhas. Se você mora a mais de cinquenta quilômetros de onde se extrai o babaçu, o frete pode dobrar esse valor. Não vale a pena se o terreno é plano e alagável, se há presença constante de formigas cortadeiras, ou se você espera uma estrutura que dure décadas sem manutenção. Palhoça precisa de inspeção anual e renovação parcial a cada quatro ou cinco anos. Se isso não te incomoda, segue em frente. Se incomoda, considere uma cobertura de telha cerâmica ou fibrocimento, mesmo que seja só na área principal, e use a palhoça como galeria ou varanda.

O mercado de folhas de babaçu está em queda em algumas regiões porque a extração irregular está acabando com os coçados. Antes de começar, pesquise se há fornecedor confiável na sua região. Sem suprimento regular de Material, você fica refém do preço de quem sobrou. Isso já aconteceu com um amigo meu em Altamira, onde o transporte de folhas passou de trinta reais por cento feixes para cento e vinte em dois anos. Ele acabou usando palma de aço galvanizado no telhado e manteve a palhoça só nas laterais, como revestimento decorativo e isolamento acústico.