O que é a Passarela do Álcool
A Passarela do Álcool fica em Porto Seguro, Bahia, no trevo que liga o bairro Centro ao bairro Guarani. É uma calçada larga com bares e restaurantes empoleirados de um lado e do outro, funcionando como uma espécie de rua de lazer noturna. O nome veio dos anos 1980, quando os donos de bar começaram a servir drink por drink de forma encadeada, criando uma corrida entre os estabelecimentos. Hoje em dia é mais turismo de massa do que a coisa rebelde que já foi.
passarela do álcool porto seguro
Funciona basicamente assim: você entra num bar, pede uma rodada, bebe, paga, e vai para o próximo. Cada casa tem seu preço e seu esquema. A vantagem prática é que não precisa reservar nada. Chega, senta, e vai decidindo no meio do caminho. O problema é que os preços variam muito de bar para bar, e alguns cobram taxa de serviço que não está no cardápio. No final da passarela, tem um trecho mais tranquilo onde os bares são um pouco mais baratos e frequentados por gente da região. Se você quer fugir do grupo grande de turistas e pagar menos, é pra lá que a maioria das pessoas locais vai. Eu descobri isso por acaso num sábado à noite, depois de passar por três lugares com fila e valor de drink acima de vinte reais. Caminhei até o final, sentei num bar sem nome, pedi uma caipirinha de cachaça artesanal por onze reais, e fiquei observando o lugar funcionar de um jeito completamente diferente do trecho principal.
Os horários funcionam das dezenove horas até umas duas da manhã, mas os pontos mais movimentados abrem mais cedo, por volta das dezoito e trinta, porque o público começa a chegar ainda de tarde. Vale a pena ir com fome? A maioria dos bares não serve comida sólida de qualidade. Tem petiscos, coxinha, bolinho de bacalhau, mas é isso. Se quiser jantar de verdade, coma antes ou vá até o Centro histórico, que fica a quinze minutos a pé ou cinco de táxi. Dinheiro vivo é o padrão. Poucos lugares aceitam cartão, e os que aceitam costumam cobrar tarifa extra. Leva sempre notas pequenas, porque ninguém te dá troco de cinquenta ou cem reais. Isso resolve muita coisa na hora de pagar a conta sem criar constrangimento.
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Se a ideia é fazer a passarela inteira num único dia, reserve pelo menos quatro horas. Comece por volta das dezoito e trinta, passe pelos primeiros seis ou sete bares, vá para o trecho final lá pelas vinte e uma, e retorne pelo mesmo caminho se ainda estiver com energia. O trajeto completo dá cerca de quatrocentos e cinquenta metros. Caminhando com drinks na mão e parada para conversar, isso vira facilmente uma hora e meia só de deslocamento. A segurança costuma ser razoável, mas vigie seu celular. O lugar é apertado, tem gente demais, e distraído perde coisa rápida. Eu já vi dois casos num mesmo fim de semana: um cara deixou a carteira em cima do balcão e sumiu quando foi ao banheiro, e uma turista saiu do banho do banheiro público com a bolsa vazia. Nada grave, mas suficiente para deixar irritado o resto da noite. Coloca a mochila na frente, deixa o celular no bolso interno, e não deixa pertences desacompanhados nem que seja por trinta segundos.
A melhor época pra ir é entre maio e setembro, quando o clima é seco e não chove no meio da noite. No restante do ano, principalmente de fevereiro a abril, as chuvas podem estragar completamente o passeio. Já fiquei preso num bar esperando a tempestade passar e o pessoal em volta ficava sem graça de sair porque o chão escorregava demais. Vale consultar a previsão antes de sair de casa. Tem uma coisa que quase todo mundo ignora: os fundos de quintal. Alguns bares escondem espaços menores no verso do terreno, com música mais baixa e preço mais justo. A entrada é por uma porta lateral, sem placa. Eu encontro esses lugares me perdendo pela rua de trás, atrás dos estabelecimentos principais, e acabo ficando neles com mais frequência do que nos bares da frente. São mais silenciosos, o atendimento é mais humano, e às vezes têm uma playlist que não parece feita por algoritmo de Instagram.
Se você prefere algo mais contido, o orla de Porto Seguro tem opções melhores para vinho e cerveja artesanal fora da agitação da passarela. Não é que a passarela seja ruim, é que ela funciona como um palco de entretenimento rápido. O que você leva dela é mais a experiência coletiva do que uma noite tranquila. Depende do que você quer.