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Paulo Freire| Repertório de redação sobre educação | Paulo freire ...

O que é o repertório de Paulo Freire e como usar na prática

A expressão paulo freire repertório aparece com frequência em materiais didáticos e em plataformas de formação de professores no Brasil. Na maioria das vezes, não se trata de um único software ou aplicativo específico, mas sim de um acervo organizado de textos, conceitos, fichas de leitura e roteiros pedagógicos derivados da obra de Paulo Freire. O conceito de repertório aparece no próprio pensamento dele — especialmente quando se fala em ampliarmos o repertório cultural dos alunos para que possam ler não apenas as palavras, mas o mundo ao redor.

paulo freire repertorio

Na prática, quem trabalha com formação continuada ou com pedagogia crítica costuma montar um repertório próprio reunindo os principais textos do Freire: Pedagogia do Oprimido, A Importância do Ato de Ler, Pedagogia da Autonomia, além de cartas, artigos e seminários. Também é comum incluir os conceitos de conscientização, leitura de mundo, dialética, diálogo e cultura como ponte. O grande erro que eu vejo todo dia em sala de aula e em grupos de professores é achar que o repertório é só uma lista de leituras obrigatórias. Não é. Um repertório de Freire precisa ter camadas: o texto teórico, exemplos práticos de aplicação, atividades de problematização e, principalmente, espaço para o estudante construir o dele próprio. Quando eu vi colegas tentando aplicar os métodos do Freire apenas copiando exercícios prontos, a coisa travava. O aluno decoreba, o professor fica frustrado, e nada acontece de verdade.

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Uma situação bem específica que eu enfrente numa formação em Minas Gerais foi essa: eu tinha um grupo de educadores que queria usar o método da problematização com adultos analfabetos funcionais. O material padrão que encontrei na internet era todo desenhado para ensino fundamental, com temas como família, brincadeira e escola. Não conectava com a realidade deles. A solução foi ir nos arquivos da Fundação Paulo Freire e puxar os cadernos de cultura popular dos anos 1960, onde ele já trabalhava com temas geradores extraídos diretamente das falas dos participantes. O resultado mudou completamente o engajamento. A adaptação demorou cerca de duas semanas para ficar pronta, mas o tempo de preparação inicial dos materiais foi reduzido pela metade depois disso, porque o esqueleto do método estava consolidado. O que pouca gente comenta sobre o repertório freireano é que ele não funciona bem em contextos muito prescritos. Se a sua gestão escolar exige que você cubra um currículo rígido em número x de aulas, a abordagem dialógica e problematizadora do Freire tende a colidir com essa estrutura. Nesses casos, eu costumo recomendar que o professor selecione unidades do currículo que se prestem a uma leitura crítica e aplique o método apenas nelas, mantendo o resto no formato tradicional se necessário. Não é ideal, mas é realista.

Outro ponto que começa-se a entender depois de algum tempo é que o repertório precisa ser vivo. Textos do Freire têm mais de cinquenta anos. Citá-los sem atualizar os exemplos pode soar desconectado para turmas de hoje. Eu costumo pedir que os próprios estudantes tragam um elemento da sua realidade — uma música, uma notícia, um debate das redes — e a partir dali eu reconstruo a atividade usando os conceitos freireanos. O repertório vira um diálogo, não um arquivo morto. Para montar o seu, o caminho mais direto é começar com os três livros básicos dele, pegar os cadernos de pesquisa-ação que a Fundação Paulo Freire disponibiliza gratuitamente no site oficial, e ir organizando por tema em vez de por cronologia. Isso facilita bastante na hora de escolher o que aplicar em cada contexto. Se você quiser algo mais estruturado desde o início, existe a plataforma Escola de Formadores, também ligada à fundação, que oferece trilhas temáticas.