Pleonasmo Vicioso Exemplos - Exemplos: Pleonasmo Vicioso, Redundância ou Tautologia | Aula de ...
Exemplos: Pleonasmo Vicioso, Redundância ou Tautologia | Aula de ...

O que é pleonasmo vicioso e por que ele aparece em todo lugar

Pleonasmo vicioso é a repetição desnecessária de uma ideia já expressa, quando o sentido do verbo ou da expressão já carrega a informação completa. A língua portuguesa é cheia disso. O problema é que muita gente usa sem perceber porque soa natural na fala cotidiana. Vou listar exemplos logo de cara para não ter que repetir a definição toda vez:

Subir para cima — o verbo "subir" já indica direção ascendente. Descer para baixo — idem, o verbo já contém o sentido.

Entrar dentro — "entrar" já pressupõe ir para o interior. Olhar para ver — "olhar" já implica ver, não precisa acrescentar o propósito.

Sair para fora — o verbo "sair" contém a noção de ir para fora. Praça de alimentação — "praça" nesse contexto já é um espaço alimentício, seria redundante.

Avançar para frente — "avançar" significa ir para a frente por definição. Esses são os mais comuns. Aparecem em textos formais, anúncios, matérias jornalísticas e falas do dia a dia sem ninguém dar bola.

pleonasmo vicioso exemplos práticos

Aqui estão mais casos que vejo com frequência em revisões de texto e em correções de redação: Seguir junto — "seguir" já indica prosseguimento, "junto" não adiciona nada.

Emprestar emprestado — redundância direta, o verbo já contém a ideia. Recolher novamente — se é recolhido, pode-se recolher de novo. O advérbio sobra.

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Repensar a questão — "repensar" já é pensar de novo, não precisa de "a questão" se o objeto já está claro. Conhecer de cor — dizer algo "de cor" já significa memorizado integralmente, "conhecer de cor" é redundante se o contexto já deixa claro.

Eu trabalhava com revisão de manuais técnicos e me deparei com um caso específico que vale a pena contar. O texto dizia "nós ascenderemos ao topo da montanha". O verbo "ascender" já carrega a ideia de subir até o topo, então "ao topo" era desnecessário. Tentei explicar ao autor que bastava "nós ascenderemos" ou, se quisesse manter a noção de topo, "subiremos ao topo". Ele ficou surpreso. Disse que achava que estava sendo mais preciso. Isso mostra como o pleonasmo vicioso muitas vezes parece erudição quando na verdade é apenas repetição. Outro exemplo que encontrei frequentemente em editais de concurso público: "os candidatos deverão comparecer presencialmente". Comparecer já indica presença física. "Presencialmente" sobra. A banca cobra isso em questões de linguagem formal.

Como evitar pleonasmo vicioso na prática

A abordagem mais eficiente é ler o texto em voz alta. Quando você fala, ouve a redundância mais fácil do que quando lê silente. Se uma expressão soa como algo dito mil vezes, provavelmente é pleonasmo vicioso. Outra tática útil: substitua o verbo principal por um sinônimo mais preciso. Trocar "subir para cima" por "ascender" ou "elevar-se" resolve automaticamente. Trocar "entrar dentro" por "ingressar" ou "adentrar" elimina a redundância. A mudança é imediata e o texto ganha economia lexical.

Para textos formais, como pareceres, relatórios e artigos acadêmicos, recomendo o uso de um dicionário etimológico. Ver a origem das palavras ajuda a perceber que muitos verbos já carregam em si o sentido que tentamos reafirmar com advérbios ou locuções desnecessárias. Por exemplo, "entrar" vem do latim "intrare", que já significa "ir para dentro". Não há margem para dúvida. O tempo gasto com essa revisão costuma ser de 15 a 20 minutos para um texto de 500 palavras. Se o texto for maior, a proporção se mantém. O ganho é maior na clareza do que no tempo economizado, mas ainda assim é um investimento que vale a pena.

Onde o pleonasmo vicioso é aceitável

Não é tudo erro. Há contextos em que o pleonasmo é intencional e legitimado pela retórica. Quando um orador diz "eu vi com meus próprios olhos", o "com meus próprios olhos" serve para dar ênfase, não para informar algo novo. Isso é pleonasmo enfático, e é diferente do vicioso. A diferença entre os dois tipos é crucial. O vicioso surge por hábito, preguiça lexical ou influência da fala informal. O enfático surge por escolha estilística. O problema é que muita gente não consegue distinguir um do outro e acaba tratando todo pleonasmo como erro quando, na verdade, só o vicioso deve ser corrigido em textos formais.

Em linguagem coloquial, nem faz sentido cobrar eliminação. "Desce pra baixo" é perfeitamente natural numa conversa. O foco deve ser textos onde a precisão é exigida: documentos oficiais, comunicações empresariais, conteúdo técnico e acadêmico.

Erros comuns na correção

Muitas pessoas confundem pleonasmo vicioso com elipse ou com construções fixas da língua. Um exemplo clássico: "há muitos anos atrás". "Há" indica tempo passado, "atrás" também. Mas em português brasileiro, a expressão "há anos atrás" é tão consolidada que muitos gramáticos consideram aceitável pelo uso. O mesmo não vale para "hoje de dia", que é redundante mas amplamente aceito. Outro equívoco frequente: achar que qualquer repetição é pleonasmo. Se eu digo "a mesa é branca e tem cor clara", isso é tautologia, um conceito diferente de pleonasmo vicioso. A tautologia repete a ideia de forma mais explícita; o pleonasmo vicioso repete algo que o verbo ou a expressão já comunica implicitamente.

Uma limitação importante: ferramentas de correção automática ainda não identificam pleonasmo vicioso com eficácia. Sistemas baseados apenas em regras gramaticais e estatísticas de frequência passam longe desse tipo de análise semântica. Para detecção confiável, o revisor humano continua sendo indispensável. Gaste tempo nisso se o texto tiver relevância formal. Resumindo os pontos principais: identifique verbos que já contêm a direção, o movimento ou o estado descrito, substitua os complementos redundantes por alternativas mais precisas, e diferencie pleonasmo enfático do vicioso antes de marcar como erro. O resultado é um texto mais enxuto e profissional sem perder a naturalidade.