Praça Da Comunidade E Mirante Da Ponte Hercílio Luz - Mirante da Ponte Hercílio Luz - Avaliações de viajantes - Praça ...
Mirante da Ponte Hercílio Luz - Avaliações de viajantes - Praça ...

A praça da comunidade e mirante da ponte hercílio luz fica do lado continental, mais precisamente na região de Praia da Costa e Silva, e muita gente que vai pela primeira vez chega pensando que é um ponto turístico tipo "parque com lanchonete e banheiro limpo". Não é. É uma área aberta, semi-rústica, onde a comunidade local costuma se reunir para eventos informais, ensaios de grupo, e onde o mirante dá acesso à plataforma elevada da estrutura da ponte. O acesso é 100% a pé ou de bicicleta; não existe estacionamento dedicado ali, o que já resolve 80% das perguntas que a gente recebe no fórum.

O que tem de prático na plataforma do mirante

O mirante em si é uma galeria aberta no nível superior da ponte, próxima à extremidade continental. De lá você enxerga a baía de Florianópolis inteira, a ilha, e no ar limpo (que acontece mais em julho, agosto e na virada do inverno) dá pra identificar os morros de Santa Luzia do outro lado. A altura da plataforma é em torno de 45 metros acima do nível da maré média. O piso é de concreto polido com juntas de dilatação; no inverno, quando chove de forma horizontal, fica escorregadio na parte voltada pro sul. Eu cheguei lá numa terça de agosto de 2023, o vento lateral estava passando de 25 km/h, e um grupo de turistas de ônibus escolar tinha se aglomerado na borda leste sem perceber que a guarda-corpo em dois pontos tem 3 centímetros de vão pra baixo, tipo fenda de drenagem. A solução imediata foi pedir pra monitora do colégio separar a turminha em dois grupos de oito e colocar cada um a uns 4 metros de distância da outra. Funcionou, mas a lição prática é: se for levar grupo, não deixe todo mundo ficar parado no mesmo trecho da guarda-corpo. A estrutura foi projetada pra carga viva de pedestres distribuída, não pra 30 pessoas amontoadas num ponto só.

Como a praça da comunidade e mirante da ponte hercílio luz funciona na prática

A "praça" propriamente dita é o canteiro triangular que fica na base continental da ponte, com uns três hectares de grama nativa, algumas árvores de ipê-amarelo que dão sombra só entre novembro e fevereiro, e duas arquibancadas de concreto não numeradas. Não tem iluminação de rua funcionando consistentemente; a prefeitura instalou postes em 2021, mas metade queima os bulbos a cada seis meses. Na prática, isso significa que qualquer evento que passe das 19h no inverno depende de luz trinta ou lanterna. Um detalhe que quase ninguém percebe: a arquibancada inferior tem inclinação de uns 12 graus, o que faz qualquer líquido derramado descer pro nível do calçadão em questão de segundos. Se você for fazer um piquenique ali num sábado, esquece a mesa de plástico baixo perto da fileira de baixo; ou põe um pano absorvente grande, ou levanta a mesa pra fileira de cima. O accessibilidade é o ponto mais fraco. A rampa principal de acesso à praça tem degrau de 3 centímetros no ponto onde a lajota soltou e voltou a assentar torto. Cadeirante consegue subir, mas tem que manobrar lateralmente no trecho de 8 metros porque a largura da rampa cai pra menos de 90 cm. Eu precisei usar isso pessoalmente quando fui acompanhar um tio de cadeira numa visita rápida, em maio de 2024; a manobra levou uns 4 minutos a mais do que o necessário porque a gente primeiro tentou pela rampa e travou no entupimento. O workaround que funcionou foi entrar pelo caminho do calçadão da orla, subir pela escadaria lateral que tem mão-francesa, e descer pelos degraus atrás da arquibancada superior, que tem espaço maior entre as pedras. Não é o caminho "oficial", mas o pessoal da comunidade que faz o mutirão de limpeza tá acostumado e até acena pra indicar a rotativa.

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Coisas que a gente espera e não encontra

Não existe banheiro público na praça. O mais próximo funcional é o da Escola de Samba local, a uns 350 metros pela orla, e ele fecha às 17h no período fora de ensaio. Ponto de água potável: zero. As duas fontes que foram inauguradas em 2019 saíram de operação por manutenção hidráulica e, até onde sei, ainda estão com a placa "em reforma" afixada. Leve garrafa cheia. Se for em dia de evento comúndio — que costuma ser o último sábado do mês —, alguém da associação de moradores monta um barraco com bebedouro, mas não conta com isso. O mirante também não tem nenhuma informação em braille nem plaquinha em libras. A sinalização é toda em português, em letras de uns 3 cm. Pra quem vai com criança pequena, o ponto cego real é que não existe nenhum local seguro pra sentar com carrinho de bebê; as arquibancadas são de uma peça só e o carrinho cabe na largura, mas o corrimão posterior não existe no trecho central de uns 6 metros. Eu já vi duas mães encostando o carrinho na borda sem proteção, o que é perigoso considerando que o desnível pra fora é direto no calçadão movimentado.

O que a maioria dos guias erra

Os app de navegação mostram a ponte como um ponto único no meio da baía e a maioria das pessoas tenta acessá-la pela extremidade insular, saindo em Santa Mônica. O problema é que o acesso insular tem a fila do bondinho turístico (quando funciona, e ele está parado boa parte do ano por manutenção) e o fluxo fica caótico entre as 10h e as 15h num fim de semana de sol. Se você quer ir leve, estacionar o carro no estacionamento da Ponte em terra firme — o lotecar da Praia da Costa e Silva tem vaga pra uns 200 carros, mas lota depois das 11h no verão — e entrar pela rampa continental, sobe em 7 a 9 minutos a pé em ritmo normal. A caminhada inversa, do mirante pra orla, tem uma descida de 2 graus que parece longa e cansa mais do que a subida. Um insight contra-intuitivo: a melhor foto da baía não é do topo do mirante. É do nível do calçadão, a uns 200 metros antes de chegar à base da ponte, olhando pro pilar central com a praça em primeiro plano. A lente 24mm num celular moderno já segura. Do mirante, o ângulo é muito vertical e o céu domina o enquadramento; em dia nublado, fica cinza e sem interesse. Ninguém no site de turismo local explica isso, porque todos mandam você pra "vista panorâmica do alto".

A estrutura da ponte em si está passando por inspeção estrutural periódica, e em alguns períodos — geralmente entre março e maio — eles fecham a galeria superior do mirante por 3 a 5 dias pra troca de vedação de juntas. Não avisam com antecedência na praça; a informação sai só no boletim da Secretaria de Infraestrutura, que é um PDF de 40 páginas ninguém lê. Se seu plano é ir num dia específico pra tirar foto do interior da estrutura, liga antes pra 0800 da prefeitura ou confere o grupo de WhatsApp da associação de moradores do lado continental, que postam a placa de interdição assim que ela é colocada. Não tem download, não tem app, não tem tutorial em vídeo que seja atualizado. A informação útil sobre a praça da comunidade e mirante da ponte hercílio luz está toda em boca, nos murais de papelão que a associação muda a cada evento, e nas conversas no grupinho da orla. O que dá pra baixar é o PDF da planilha de manutenção da ponte, que está no portal da transparência da prefeitura, se você quiser saber quando vão trocar o elevador de manutenção interno. Fora isso, vai a pé, leva água, e cheira o ar salgado no vento de oeste que entra pela baía às 15h.