Visita prática a uma praia que ainda resiste ao turismo massificado
A Praia do Porto das Dunas fica no litoral de Pernambuco, próxima à região de Porto de Galinhas, no município de Ipojuca. Diferente das piscinas naturais que todo mundo conhece dali, esta praia tem uma cara mais crua: areia moída, coqueirais, dunas e um fluxo de gente local que não busca o cenário de revista. O acesso é feito pela rodovia PE-060, desviando para a estrada de terra que leva ao balneário. Cheguei lá numa segunda-feira de manhã, sem planejamento, porque o mapa GPS mostrava um caminho alternativo. Estava correto, mas a pista de terra é funda depois de uma chuva forte. Tirei areia da caixa de rolamento do carro dois dias depois, gastando o equivalente a três refeições num boteco.
Como chegar e onde estacionar em porto das dunas
O trajeto mais direto sai de Recife ou Guararapes pela BR-101, sai em Suape/Porto de Galinhas e entra na PE-060 sentido Ipojuca. Antes de chegar no centro de Porto de Galinhas, há um desvio à esquerda rumo ao balneário. O sinal não é muito claro, então confie no GPS mas esteja preparado para ajustar a rota quando a estrada asfaltada terminar. Estacionamento é gratuito na beira da estrada, perto dos barraqueiros. Chegue cedo se for fim de semana, porque depois das onze horas o loteamento local de espaço vira briga de ego e você fica estacionado na rampa de acesso esperando alguém sair da vaga. Leve dinheiro vivo. Cartão não passa nos barracos de água de coco e nos restaurantes de peixe grelhado que funcionam lá. Eu descobri isso na hora da conta e tive que fazer uma peripécia de três quilômetros até um caixa eletrônico em Porto de Galinhas. Não vale o esforço se você já está de biquíni ou sunga.
A areia é branca e muito fina, o que significa que calçado aberto pega quente rápido e a poeira de calção entra em tudo. Use chinelo de meia ou sapato fechado na ida e tire na areia. Eu sempre esqueço isso e passo o resto do dia coçando o tornozelo como se tivesse levado picada de formiga.
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O que esperar do ambiente
Porto das Dunas não tem infraestrutura de resort. Tem bares de praia, guarda-sol alugado nos fins de semana, e alguns hotéis pousada simples nas imediações. A água é rasa nos primeiros metros, o que é bom para crianças, mas a correnteza pode puxar forte em dias de maré virada. Já vi gente sendo levada para oito metros de profundidade relatando que "a água estava calma". Calma é coisa de foto, não de segurança. Fique dentro da linha de bandeirolas se houver bandeira vermelha ou amarela, e ignore o conselho do vendedor de água de coco que diz que "tá tranquilo, rapaz". Ele quer vender o coco, não assumir responsabilidade civil. O pôr do sol costuma ser bueno entre quinze e vinte minutos antes do horário oficial, porque as nuvens costeiras de Pernambuco aparecem cedo no verão. Leve repelente de inseto e protetor solar com fator no mínimo trinta e cinco. O sol aqui não perdoa gente que acha que está protegido por causa da nuvem passageira. Eu já cheguei com burn de grau dois e passei três dias descascando como cobra velha.
Há um aspecto que poucos mencionam: a maré baixa expõe áreas de lama e algas que podem grudar no pés e causar dermatite de contato em pele sensível. Se você tem histórico de alergia, evite pisar na zona entre a linha da areia seca e a restinga. Use sapato de água ou simplesmente fique na areia batida.
Dicas que economizam tempo e dinheiro
Aluguel de cadeira e guarda-sol varia de trinta a sessenta reais por dia, dependendo da temporada. Negocie no início da manhã, quando o barraco ainda nãolotou. Preço de meio-dia é preço de turista perdido. Comida básica como tapioca, peixe grelhado e água de coco custa entre vinte e cinquenta reais por pessoa em cada barraca. Compara preço antes de sentar, porque o cardápio às vezes não mostra o valor do prato e a conta chega com surpresas. Se o objetivo é conhecer as piscinas naturais de Porto de Galinhas, Porto das Dunas não é o ponto de partida ideal. As excursões de barco saem do pier principal e do marco zero, não daqui. Mas se você quer uma praia com menos agito, areia branca, mar calmo e gente local, o lugar cumpre oprometido. Eu fui duas vezes seguidas em meses diferentes e a diferença foi apenas o nível de ocupação. Na segunda visita, o barqueiro que vendia água de coco parecia ter me reconhecido. Isso é um sinal de que o lugar ainda tem alma de bairro, não de parque temático.
O único problema recorrente que eu observo é o lixo acumulado nas bordas da praia após dias de vento forte. A prefeitura faz limpeza, mas o ciclo é lento. Se você for com criança pequena, leve sacolinhas para recolher garrafas e plásticos que ficam presos na grama da restinga. Não transforme o lugar num lixão por preguiça. A areia finaincorporada à roupa lava mais fácil se você deixar de molho em água doce antes de secar na máquina. Se o tempo estiver fechado e a maré alta fechar a faixa de areia, o refúgio imediato são os barraques perto da entrada do balneário. Eles servem comida caseira, têm banheiro e sombra. É feio, mas funciona. Não espere luxo. Funciona.