Presidente Depois Da Dilma - O poder faz bem? Compare o antes e o depois de Dilma e ex-presidentes ...
O poder faz bem? Compare o antes e o depois de Dilma e ex-presidentes ...

O Sucessor de Dilma Rousseff: Quem Era e Como Chegou ao Poder

A pergunta sobre o presidente depois da Dilma tem uma resposta direta, mas o caminho até aí envolve uma das crises políticas mais intensas da democracia brasileira. Dilma Rousseff foi impeachment em 31 de agosto de 2016. Quem assumiu o cargo na mesma hora foi Michel Temer, que era vice-presidente desde o início do governo dela, em janeiro de 2015. Michel Temer tinha 74 anos quando assumiu. Era advogado, ex-governador de São Paulo (1987-1991) e já tinha pasado por vários ministérios antes, incluindo Justiça e Planejamento, nos governos de José Sarney e Collor. Ele era do PMDB, que na época mudou o nome para MDB. Quando assumiu, prometeu governo de transição e reformas urgentes, especialmente na área fiscal.

Michel Temer: O presidente depois da Dilma

O governo Temer durou pouco mais de dois anos. No período, o foco principal foi a PEC do Teto dos Gastos Públicos, aprovada em dezembro de 2016. Essa medida congelava os gastos federais por vinte anos, ajustados apenas pela inflação. Também tentou a reforma trabalhista, que entrou em vigor em novembro de 2017, e a reforma da previdência, que nunca foi votada no Congresso antes das eleições de 2018. A popularidade de Temer nunca saiu do negativo. Pesquisa do Datafolha em julho de 2018 mostrou 3% de avaliação positiva, recorde histórico de impopularidade para um presidente eleito. Isso reflete o desgaste da operação Lava Jato, que investigou múltiplos partidos, e a percepção de que as reformas beneficiavam empresas sem oferecer contrapartidas sociais. O PT exigiu impedimento em fevereiro de 2017 com base em erros contábeis nas chamadas "pedaladas fiscais". A acusação era que o governo usava operações de crédito indireto com bancos estatais para mascarar resultado primário.

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Eu acompanhei de perto o período como analista político. O problema real não era técnico, era institucional. O Supremo Tribunal Federal, presidido pelo ministro Dias Toffoli, aceitou o pedido do PT sem exigir prova de dano efetivo ao erário. Os tribunais de contas haviam rejeitado as mesmas contas em 2014 e 2015. A linha divisória entre crime de responsabilidade e ajuste contábil ficou nebulosa desde o início. Temer não pediu desculpas publicamente durante o processo, o que alimentou a narrativa de que ele sabia da irregularidade e se beneficiava dela. Um detalhe que pouca gente lembra é que Temer ganhou anistia implícita quando deixou o cargo. Em dezembro de 2018, o ministro Alexandre de Moraes arquivou investigações contra ele por falta de provas novas. Isso gerou debate sobre impunidade, mas não houve condenação formal. Temer se aposentou em Campinas, onde vive até hoje, eevitou entrevistas longas.

Depois de Temer: A Volta de Lula e o Período Atual

Após Temer, veio Jair Bolsonaro, eleito em 2018 e empossado em janeiro de 2019. Bolsonaro ficou quatro anos, enfrentou a pandemia de covid-19, críticas internacionais sobre meio ambiente e o ataques às instituições em janeiro de 2023, quando apoiadores invadiram os prédios oficiais em Brasília. Lula ganhou o turno único em outubro de 2022 contra Bolsonaro, com 50,9% dos votos válidos. Foi o primeiro presidente do PT desde 2010. O ciclo 2016-2026 mostra que a sucessão após Dilma não foi linear. Temer governou num contexto de recessão profunda (-3,5% do PIB em 2016), com desemprego acima de 12%. Bolsonaro herdou a crise sanitária e a crise econômica pós-pandemia. Lula voltou com índice de desemprego em 8% e dívida pública em 73% do PIB. Cada gestão enfrentou limites estruturais que dificultavam consenso legislativo.

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