Presidentes Eleitos - Só 5 presidentes eleitos completaram o mandato em 90 anos | Super
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Como montar uma base confiável de presidentes eleitos

Guia prático para listar presidentes eleitos com precisão

O problema mais comum que eu vejo gente enfrentar não é falta de informação, é informação demais e mal referenciada. Quando você começa a juntar dados sobre presidentes eleitos, logo percebe que existem pelo menos três categorias diferentes que as fontes costumam misturar: presidentes efetivamente eleitos por voto direto, presidentes que assumiram após renúncias ou impedimentos, e presidentes de regimes transitórios que nunca tiveram eleição legítima. Tratar tudo como a mesma coisa gera inconsistências que só aparecem depois de meses de trabalho. A minha abordagem prática parte de três fontes primárias. O primeiro dado que eu sempre verifico é a data da posse e como ela aconteceu. Depois cruzo com o resultado eleitoral oficial, que no Brasil fica no Tribunal Superior Eleitoral e em outros países nos tribunais eleitorais ou ministérios do interior. O terceiro ponto é a validade constitucional do mandato. Muitos presidentes na história da América Latina foram eleitos em eleições que depois foram cassadas ou consideradas nulas, então apenas marcar "foi eleito" sem essa nuance distorce todo o registro.

Eu costumo montar uma planilha com colunas fixas: nome completo, país, mandato inicial, mandato final, forma de acesso ao poder (eleição direta, sucessão constitucional, golpe, etc.), percentual de votos, e fonte primária. A coluna de fonte primária é a mais importante porque é onde você evita o erro mais frequente, que é copiar dados de Wikipédia ou de sites de notícias que às vezes erram datas ou confundem turnos eleitorais. Já me peguei usando uma data de posse incorreta porque uma matéria jornalística simplesmente repassou um erro que vinha de outra matéria há dez anos. A correção só veio quando fui ao site do tribunal eleitoral e comparei o ato de diplomação com a ata de posse. Um detalhe que poucas pessoas consideram é a questão dos mandatos interrumpidos. Um presidente pode ser eleito, tomar posse, e ter o mandato cortado por impeachment, golpe ou morte. Nesse caso, o sucessor que assume interinamente muitas vezes também é registrado como presidente, mas nunca foi eleito. Separar esses casos na sua base evita que alguém later suponha que um vice-presidente que assumiu temporariamente concorreu a uma eleição. No meu trabalho, eu marca esses casos com uma flag específica e uma observação explicando o que aconteceu, porque a ambiguidade é o que mais gera críticas depois.

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A ferramenta que eu uso depende do volume de dados. Para até cinquenta registros, uma planilha bem feita resolve. Para projetos maiores, como históricos completos de um continente inteiro, eu migro para um banco SQLite com relacionamentos entre tabelas: uma tabela de países, uma de eleições, e uma de mandatos. Isso permite fazer consultas mais precisas, como listar todos os presidentes eleitos que cumpriram mandato completo sem interrupções. A desvantagem é que você gasta tempo configurando o banco, então se o objetivo é só consultoria rápida, vale a pena reconsiderar se o esforço compensa. O maior erro que eu vejo recorrentemente é a confusão entre eleição e reeleição. Alguns países permitem reeleição consecutiva, outros não. O Brasil permitiu desde 1997, antes disso havia proibição com retornos posteriores. Se você não verificar a legislação vigente na época de cada eleição, vai classificar errado presidentes que foram reeleitos como se tivessem mandato simples, ou vice-versa. Eu já revisei uma lista inteira de presidentes eleitos da América do Sul e descobri que cerca de quinze por cento das entradas tinham esse problema de classificação de mandato.

Outra armadilha comum é a ausência de dados para períodos históricos mais antigos. Eleições no século XIX e início do XX frequentemente não tinham fiscalização internacional, e os resultados eramados de formas variadas. Às vezes o que se registra como resultado oficial foi construído pelo poder local, não necessariamente refletindo a vontade real dos eleitores. Nesse cenário, o melhor que você pode fazer é documentar a fonte disponível e adicionar uma nota de cautela. Tentar resolver essas lacunas com especulação só piora a qualidade da base. Se você precisa de uma referência pronta, recomendo começar pelos bancos abertos de organismos internacionais como a UNdata, o Banco Mundial e o projeto Polity IV, que já possuem listas consolidadas. A desvantagem dessas bases é que elas raramente detalham a forma exata como cada presidente chegou ao poder, então ainda assim vale a pena cruzar com fontes nacionais. Para o Brasil especificamente, o portal do TSE tem todos os resultados eleitorais organizados por ano e cargo, o que facilita muito a conferência manual.

O processo completo de montagem e verificação de uma lista confiável de presidentes eleitos leva, na minha experiência, entre quatro e seis horas para uma década de um país médio, dependendo da quantidade de crises políticas no período. Períodos estáveis são mais rápidos porque as transições seguem o padrão. Períodos de instauração institucional exigem mais tempo porque cada caso pede verificação individual. Planeje esse tempo, senão você acaba pressionado a acelerar e deixa passar erro que depois leva dias para corrigir.