Pronomes Relativos Variáveis - Pronomes Relativos Variáveis em Português | PDF | Pronome | Palavra
Pronomes Relativos Variáveis em Português | PDF | Pronome | Palavra

Relacionando orações sem errar na concordância

O problema que a maioria das pessoas tem com pronomes relativos variáveis não é entender a regra, é aplicar na hora de escrever. Eu passei anos revisando textos jurídicos e acadêmicos e vi o mesmo erro repetido: quem usa o qual quando deveria usar cujo, ou pior, que nunca varia.

Os pronomes relativos variáveis

São aqueles que mudam de forma conforme o gênero e o número do substantivo a que se referem. A lista básica inclui cujo, cuja, cujos, cujas; o qual, a qual, os quais, as quais; quanto, quanta, quantos, quantas. O pronome "que" também entra aqui, mas ele é variável apenas em número — singular e plural — e funciona como um curinga quando você não sabe qual dos outros usar. O que muita gente não sabe é que o "cujo" é o mais problemático deles. Ele funciona como um adjunto adnominal, o que significa que precisa concordar com o substantivo que vem depois dele, não com o antecedente. Isso é contra-intuitivo para quase todo mundo. Em 15 anos revisando documentos, eu vi mais erros com "cujo" do que com todos os outros relativos juntos. A regra é simples mas o cérebro trava: "cujo" concorda com o termo subsequente, que é o possuído.

Um caso específico que me pegou mal uma vez foi numa petição onde o texto dizia "à empresa, cujo seus sócios..." O erro foi duplo: "cujo" jácarrega a ideia de posse, então o "seus" é redundante e gramaticalmente errado. A correção era simplesmente "à empresa, cujos sócios...". Esse tipo de erro aparece o tempo todo em textos produzidos por quem não tem contato frequente com a norma culta escrita.

Quando usar cada um

O cujo exige que você tenha uma coisa possuída logo em seguida. Não pode ser omitida. Se você tentar usar "cujo" sem nomear o que pertence a alguém, a frase fica incompleta. Exemplo correto: "O autor do livro, cuja obra venceu o prêmio..." Incorreto: "O autor do livro, cujo venceu o prêmio..." Faltou o substantivo possuído. O qual precisa de preposição quando o verbo ou o termo anterior exigir. Você não pode simplesmente substituir "que" por "qual" sem verificar a regência. "A empresa a qual me refiro" está certo porque o verbo "referir-se" pede a preposição "a". Já "A empresa que me refiro" também está certo — o "que" absorve a preposição de forma natural.

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O quanto é o mais desprezado e o mais versátil. Ele substitui "o qual" quando se quer evitar repetição, mas também funciona em orações proporcionais. "O dinheiro quanto aos recursos disponíveis..." Soa estranho porque o uso adequado seria "O dinheiro, quanto aos recursos disponíveis..." — o "quanto" aqui introduz um aposto de valor, não uma relação de posse.

O problema prático que ninguém ensina

A maior armadilha é saber quando o "que" vale como relativo variável e quando ele é fixo. O "que" invariável não troca de forma — só ganha "s" no plural. O "que" variável é aquele que concorda em número mas não em gênero, e esse é o mais usado no dia a dia. A diferença prática é que o "que" não aceita vírgula antes quando funciona como relativo restritivo, mas aceita quando é explicativo. Outro ponto que gera confusão constante: o uso de "quem" como relativo. Ele só aparece depois de preposição e só se refere a pessoas. "Ao candidato a quem me refiro..." Está certo. "Ao candidato a cujo me refiro..." ERRADO. "Quem" não tem variação de gênero ou número, então é fixo. Isso simplifica mas limita o uso drasticamente.

Se você está escrevendo um texto formal e não tem certeza absoluta sobre qual pronome usar, a alternativa mais segura é reestruturar a frase. Em vez de forçar o uso de "cujo" ou "qual", use uma oração subordinada adaptada. "O diretor da empresa que está processada..." em vez de "O diretor da empresa, cuja direção está processada..." — a segunda opção exige um "cujo" que concorda com "direção", o que parece certo na teoria mas na prática muitas vezes resulta em construção ambígua.

Erros frequentes e como evitar

O erro mais comum é usar "cujo" com verbo de ligação no lugar do possuído. Alguém escreve "A situação, cujo era grave..." O correto seria "A situação, a qual era grave..." ou "A situação, cuja gravidade era evidente..." Note que na correção eu introduzi "gravidade" como substantivo possuído pelo "cujo". Sem esse substantivo, o "cujo" não funciona. Outro erro clássico: usar "o qual" sem preposição quando a regência exige. "O assunto o qual discutimos..." Deveria ser "O assunto a que discutimos..." ou, melhor ainda, "O assunto que discutimos..." O "qual" sem preposição soa artificial e geralmente indica que quem escreveu está tentando parecer mais culto do que domina a norma.

Para construir a frase certa de forma mecânica, siga este procedimento: identifique o antecedente, pergunte-se se há relação de posse (se sim, use "cujo" concordando com o possuído), verifique a regência do verbo ou termo anterior (se exigir preposição, use "o qual" ou "quem" com a preposição adequada), e se ainda estiver em dúvida, substitua por "que" que quase sempre resolve.