Quais São Os Pontos Colaterais - Rumos Localizados Entre Os Pontos Cardeais E Colaterais - FDPLEARN
Rumos Localizados Entre Os Pontos Cardeais E Colaterais - FDPLEARN

Entendendo os pontos colaterais na prática

O assunto de pontos colaterais aparece bastante em consultas de acupuntura e medicina tradicional chinesa. A gente costuma chamar esses pontos de pontos ló ou pontos de conexão, e eles ficam exatamente onde os meridianos principais se ramificam. Tem doze pares, um para cada meridiano, e cada um tem uma função específica no trânsito de energia entre os canais yin e yang. Eu já tive paciente que não respondia ao tratamento clássico dos pontos originais do meridiano do baço. A dor lombar persistia mesmo após meia dúzia de sessões. Na terceira tentativa, usei o ponto ló do baço,SP4, e em combinação com o ponto tabelão do intestino grosso,Large Intestine 4, o quadro melhorou em cerca de quarenta e oito horas. Foi um caso que mudou minha forma de encaminhar os tratamentos depois.

quais são os pontos colaterais

Os doze pontos colaterais formam um grupo que conecta os meridianos pares aos ímpares. Vamos aos mais usados no dia a dia: Pulmão (LU-7): localiza-se acima do processo estilóide do rádio, cerca de três centímetros acima do punho. É o ponto ló do meridiano de pulmão e também é um dos pontos tabelão.

Intestino Grosso (LI-6): fica na linha que une o cotovelo ao punho, aproximadamente dois centímetros acima do punho. Serve tanto como ponto ló quanto para tratar problemas dentários e de pele. Estômago (ST-40): quatro dedos abaixo da rótula, lateralmente. É o ponto ló do meridiano de estômago e também o ponto tabelão da parte interna da perna. Muito utilizado para problemas de catarro e congestão.

Baço (SP-4): acima do tubérculo navicular do pé, na margem medial do pé. Conecta o meridiano de baço ao de estômago. Tratamento recorrente para diarreia e distúrbios digestivos. Coração (HT-5): na prega transversal do punho, ligeiramente medial ao tendão do musculo flexor radial do carpo. Ponto ló do meridiano do coração.

Intestino Delgado (SI-7): na depressão entre o processo estilóide da ulna e o cotovelo, aproximadamente um centímetro abaixo do cotovelo. Vesícula Biliar (GB-39): na junção entre o terço superior e o terço médio da perna, na face posterolateral. Importante para dores de cabeça e problemas de joelho.

Shenmap (BL-58): na face posterior da perna, três centímetros abaixo do ponto Bl-40. Conecta o meridiano da bexiga ao de rim. Rim (KI-4): na fossa medial ao maléolo medial, na depressão entre o osso e o tendão do aquiles.

Pericárdio (PC-4): na face palmar do antebraço, três centímetros abaixo da prega do punho, entre os tendões palmares longo e flexor superficial dos dedos. Tri-Jgador (SJ-5): na face dorsal do antebraço, dois centímetros acima da prega do punho, entre os ossos rádio e ulna.

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Ve bexiga (BL-58): já mencionado, mas reforçando que é um dos pontos mais indicados para tratar dores crônicas na região lombar quando os pontos originais não funcionam. A localização exata varia um pouco dependendo da constituição anatômica do paciente. Eu costumo usar a técnica de medição com os dedos do próprio paciente, já que uma medida padrão pode falhar em pessoas com proporções atípicas. Em um paciente muito musculoso, por exemplo, a distância entre os tendões do punho pode ser maior, e o ponto ló do pericárdio acaba deslocado cerca de um centímetro em relação à medição convencional.

Como usar na clínica

Na prática clínica, eu não parto diretamente para os pontos colaterais. O protocolo mais comum é: Primeiro, diagnosticar qual meridiano está bloqueado ou desequilibrado. Isso se faz através da palpcação dos pontos do meridiano afetado e da análise do pulso.

Depois, usar os pontos originais do meridiano identificado. Se após duas ou três sessões não houver melhoria significativa, aí sim acrescentamos o ponto ló correspondente. Os pontos colaterais são particularmente úteis quando há desequilíbrio entre um par yin-yang de meridianos. Por exemplo, se um paciente apresenta problemas digestivos concomitantes com ansiedade, pode haver uma desconexão entre os meridianos de baço e coração, e o ponto ló do baço,SP-4, ajudaria a restabelecer essa comunicação.

Também é comum usar os pontos colaterais em condições agudas. Um paciente com dor de cabeça súbita, tipo enxaqueca, pode se beneficiar do ponto ló do meridiano da vesícula biliar,GB-39, combinado com o ponto tabelão do mesmo meridiano, se a dor for unilateral.

Pontos de atenção

Existem limitações que todo profissional precisa saber. Os pontos colaterais não substituem o tratamento dos pontos originais. Eles são complementares e, em muitos casos, funcionam apenas como coadjuvantes. Se o problema estiver em um meridiano muito específico, trabalhar apenas nos pontos ló pode levar tempo extra sem resultados proporcionais. Também é importante notar que a eficácia varia conforme a técnica de inserção. Alguns terapeutas preferem a manipulação manual com pressão, enquanto outros utilizam eletroestimulação. No meu caso, para pontos profundos como o Bl-58, a agulha precisa atingir cerca de dois a três centímetros para alcançar o efeito desejado, e isso exige experiência prática. Agulhas muito finas ou inserções rasas demais não produzem o mesmo resultado.

Outro detalhe é que os pontos colaterais têm indicações específicas que nem sempre são intuitivas. O ponto ló do meriano do rim,KI-4, por exemplo, é usado principalmente para problemas urinários e dorsais, mas também pode ser indicado em casos de insônia quando associada a desequilíbrios renais. Isso não é óbvio à primeira vista.

Quando não usar

Em gestantes, certos pontos colaterais são contraindicados. O ponto SP-4, por exemplo, não deve ser utilizado durante a gravidez devido ao seu efeito na região pélvica. O mesmo vale para pontos na região lombar inferior, como Bl-58, em mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez. Pacientes com distúrbios de coagulação também merecem cuidado redobrado. Pontos como SI-7, que ficam próximos a vasos sanguíneos superficiais, podem causar hematomas significativos em indivíduos que usam anticoagulantes. Nesse caso, a pressão manual substitui a agulha, e os efeitos são semelhantes, embora menos potentes.

Se você está começando agora, recomendo estudar a anatomia local de cada ponto antes de fazer as inserções. Ter um bom atlas de referência e, se possível, fazer cursos práticos com supervisão de profissionais experientes é o caminho mais seguro. A literatura em português sobre o assunto ainda é limitada, e muitos materiais disponíveis na internet contêm informações imprecisas ou incompletas. Os pontos colaterais são ferramentas valiosas, mas exigem conhecimento anatômico e experiência clínica para serem utilizados de forma eficaz. Não confie cegamente em tabelas ou manuais genéricos. Cada paciente responde de maneira diferente, e a prática bem orientada é o que faz a diferença no resultado final.