Quando Foi A Guerra Das Malvinas - O que foi a Guerra das Malvinas? | Super
O que foi a Guerra das Malvinas? | Super

O conflito que definiu décadas de política argentina e britânica

A Guerra das Malvinas aconteceu entre abril e junho de 1982. Especificamente, começou em 2 de abril com o desembarque argentino na ilha e terminou em 14 de junho, quando o governador britânico Stuart Long assinou a rendição. Foram 74 dias de combate. Cerca de 900 pessoas morreram, sendo aproximadamente 650 argentinas e 255 britânicas, além de civis Falklandianos.

Quando foi a guerra das malvinas e por que ninguém fala dos detalhes operacionais

Muita gente conhece a data, pouca gente entende o que realmente aconteceu naqueles dois meses. O que eu vi estudando o assunto por anos é que a narrativa dominante esconde problemas logísticos que foram decisivos para o resultado. A Argentina tinha superioridade numérica local — cerca de 11 mil soldados em terra contra os 8 mil britânicos inicialmente disponíveis. O problema era outra coisa. O Exército Argentino estava mal treinado para guerra anfíbia reversa. Eles tomaram as ilhas rapidamente porque encontraram uma guarnição pequena e desorganizada. Mas quando os britânicos chegaram com a Task Force, a maioria dos soldados argentinos era de conscritos do serviço militar obrigatório com treinamento miserável. Muitos receberam fuzis Matra e pistolas FAL que jamais haviam disparado antes. A média de treinamento de combate era de apenas algumas semanas para milhares deles.

Os britânicos, por outro lado, tinham experiência real. Unidades como o SAS e o SBS haviam feito operações de reconhecimento antes do desembarque principal em San Carlos Water. O problema britânico era diferente: o acesso aéreo era um pesadelo. A Base de Poder de 8.000 milhas do Reino Unido significava que cada voo de transporte C-130 precisava de reabastecimento em vôo, e os Harriers tinham alcance drasticamente reduzido carregando combustível extra em vez de munição. Um detalhe que quase todo mundo ignora: o HMS Sheffield foi abatido em 4 de maio não por um Exocet bem-sucedido, mas porque o sistema de defesa perto dele tinha falhas crônicas de integração radar. O Sheffield usava o tipo 42 de fragata, projetado para guerra antiaérea, mas os operadores não tinham treinamento adequado para o cenário real. Dois dias depois, o HMS Coventry sofreu o mesmo problema. Quatro destroyers e fragates ficaram fora de ação por problemas semelhantes até o final do conflito.

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No lado argentino, a Força Aérea Operou com bravura impressionante contra odds terríveis. Os Mirages e Dassault A-4 Skyhawk voavam a baixa altitude através dos Andes para evitar radar, uma técnica que custou vários aviões antes da guerra começar. O ataque do SubmarinoARA Santa Fe, que ficou danificado e precisou retornar a Porto Belgrano, mostrou que a Arma de Submarinos argentina também tinha limitações sérias de manutenção. A Batalha de Goose Green em 28 de maio é o exemplo mais claro das dinâmicas do conflito. O 2º Battalion Parachute Regiment, sob o comando do Lieutenant Colonel Herbert Jones, atacou posições argentinas defendidas pelo 12º Regimiento de Infantería. Jones morreu no primeiro dia do combate. Os argentinos lutaram tenazmente, mas estavam exauridos, mal alimentados e sem evacuação médica eficiente. Quando caiu Darwin e Goose Green, a moral argentina desmoronou gradualmente em outras frentes.

O cerco de Puerto Argentino/Stanley nos últimos dias mostrou o colapso completo da coordenação argentina. O general Mario Menendez, comandante das forças argentinas nas Malvinas, tinha ordens contraditórias de Buenos Aires sobre se deveria lutar até o último homem ou negociar uma saída honrosa. Ele escolheu render-se em 14 de junho, entregando cerca de 11.000 prisioneiros. A decisão foi criticada por muitos argentinos como covardia, mas a realidade é que não havia esperança logística de continuar a luta. As consequências políticas foram enormes. O general Leopoldo Galtieri, presidente argentino que ordenou a invasão, perdeu todo o apoio militar em semanas. O regime militar argentino, que governava desde 1976, começou seu declínio imediato, abrindo caminho para as eleições de 1983 e o retorno da democracia. No Reino Unido, Margaret Thatcher viu sua popularidade disparar de 28% para 50% praticamente da noite para o dia. O eleitorado britânico, que estava prestes a reeleger uma governo impopular, teve uma mudança completa de humor.

Até hoje as ilhas são Território Britânico Ultramarino. A Argentina continua reivindicando soberania, mas nenhum governo argentino sério propôs uso militar desde 1982. As relações diplomáticas só se normalizaram completamente nos anos 1990, com o acordo de Madrid de 1989 estabelecendo mecanismos de cooperação. Hoje, a economia das Malvinas depende quase inteiramente de pesca e turismo, com uma população de cerca de 3.500 habitantes que votaram em referendum em 2013 para permanecer britânicos por esmagadora maioria (99,8%). O legado militar do conflito mudou doutrinas ao redor do mundo. A experiência com mísseis antinavio Exocet levou a reformas completas nos sistemas de defesa aérea naval britânicos, incluindo a introdução do Sea Ceptor e melhorias no Tipo 45 Destroyer. A Argentina, privada de submarinos modernos e capacidade de projeção de poder, focou suas forças armadas em defesa costeira e força aérea de curta duração. O conflito também provou, de forma dolorosa, que tropas mal treinadas perdem contra tropas experientes independentemente da quantidade de equipamento disponível.