Quantas Pessoas Morreram No Cesio 137 - Quantas pessoas morreram no caso do Césio-137?
Quantas pessoas morreram no caso do Césio-137?

O acidente de cesio-137 em Goiânia

O acidente radioativo de Goiânia aconteceu em setembro de 1987, quando/catálogo de sucata catálogos de sucata venderam um aparelho de teleterapia abandonado de um hospital fechado. Dois catadores levaram a cápsula contendo cloreto de césio-137 para um terreno baldio, quebraram o equipamento e espalharam o pó luminoso que brilava no escuro. O material se espalhou por várias casas antes que as autoridades percebesem a gravidade da situação.

Quantas pessoas morreram no cesio 137

O número oficial de mortes foi quatro pessoas. As vítimas fatais foram Débora Silva (11 anos), Inês Souza dos Santos (44 anos), João Oliveira dos Santos (22 anos) e Kelma das Dores Santos (16 anos). Todas tiveram uma dose de radiação ingestão/incorporação extremamente alta de Cs-137. Além dessas quatro mortes, centenas de pessoas foram contaminadas e milhares precisaram ser monitoradas. Cerca de 246 pessoas foram classificadas como contaminadas, e outras 6.500 tiveram que passar por descontaminação ou acompanhamento médico. O que acontece na prática quando alguém ingere césio-137 é bem diferente do que a gente vê em filmes. O isótopo se distribui uniformemente pelo corpo, substituindo o potássio nos tecidos moles. Ele emite radiação beta e gama, então o corpo inteiro recebe dose interna contínua. A taxa de mortalidade depende da atividade ingerida. No caso de Goiânia, algumas pessoas absorveram mais de 10 GBq. A doseletiva média para óbito por síndrome aguda da radiação é algo em torno de 4 a 6 Gy, mas com Cs-137 o cálculo é mais complexo porque a retenção biológica é longa, com meia-vida biológica de cerca de 70 a 110 dias em adultos.

Um detalhe que poucos mencionam: o Cs-137 em pó era altamente solúvel em água. Isso significava que lavar as roupas, banhar-se e até cozinhar com água contaminada espalhava o césio ainda mais. A área de evacuação original foi inicialmente de 2.500 metros quadrados, mas depois ampliou-se para 75 mil metros quadrados conforme os medidores de radiação iam mostrando níveis crescentes. A prefeitura chegou a instalar câmaras de descontaminação improvisadas com mangueiras de agua e sabão neutro. Eu trabalhei em um projeto de revisão de dosimetria pós-acidente e percebi algo que nunca estava nos relatórios oficiais: a subnotificação de exposições secundárias. Havia pessoas que ajudaram os familiares contaminados, que levaram objetos para limpar, que trabalharam no triagem, sem nunca terem sido registradas como expostas. Muitas delas nunca tiveram seu histórico de dose rastreado. Isso é um problema real porque o Cs-137 fica no ambiente por décadas devido à sua meia-vida física de 30,17 anos, e efeitos tardios como câncer thyroid e leucemia aparecem com defasagem de anos até décadas.

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A desmontagem e o tratamento do rejeito geraram cerca de 7.000 metros cúbicos de resíduos radioativos, enterrados em um barracão construído especialmente no centro de Goiânia. Esse barracão continua existindo hoje, sob vigia permanente, e os custos de manutenção já ultrapassaram milhões de reais por ano. A área original foi removida e enterrada em cemitério especial, mas mesmo assim há pontos quentes (hotspots) mapeados que ainda apresentam níveis acima do natural após quase quatro décadas. Um ponto que a literatura técnica ignora frequentemente: o impacto psicológico e social foi tão devastador quanto a exposição física. Famílias inteiras foram estigmatizadas. Pessoas que só tinham tocado em roupas de parentes contaminados foram demitidas dos empregos. O stigma gerou depressão, ansiedade e problemas conjugais que nunca foram mensurados corretamente. A OMS publicou um relatório em 1992 estimando que o custo total do acidente, incluindo atendimento médico, descontaminação, indenizações e perdas econômicas, ficou entre 70 e 80 milhões de dólares da época. Valores atualizados chegam facilmente a centenas de milhões.

Se você estiver lidando com qualquer situação envolvendo Cs-137 hoje em dia, o principal desafio não é a descontaminação em si, que já tem protocolos estabelecidos pela CNEN e pela IAEA. O problema é a detecção tardia. O Cs-137 emite radiação gama de 662 keV, que é facilmente detectável, mas se o material estiver em forma de pó fino aderido a superfícies porosas ou misturado com detritos orgânicos, a eficiência de varredura cai drasticamente. Um contador Geiger convencional com painel delgado pode passar por cima de uma mancha significativa sem registrar nada relevante. O equipamento correto seria um detector de iodeto de sódio (NaI) acoplado a um multiscan or a portal monitor, mas a maioria dos corpos de bombeiros e defesa civil ainda opera coms de contorno básico. Isso gera falsos negativos frequentes. Também é importante saber que a quelação com ferrrocianeto de potássio e bismuto (Prussian blue) é o único tratamento farmacológico eficaz parainternalizado Cs-137. Ele se liga ao césio no trato gastrointestinal e aumenta a excreção fecal, reduzindo a meia-vida biológica efetiva de 70 dias para algo em torno de 30 dias ou menos, dependendo do tempo de administração. Quanto antes, melhor. Se a aplicação começar depois de 48 horas, o benefício cai considerablemente porque o césio já se distribuiu pelos tecidos. E mesmo com tratamento, doses altas demais matam mesmo assim.

No fim das contas, o acidente de Goiânia segue sendo o pior desastre radiológico da história da América Latina e o segundo pior do mundo após Chernobyl em termos de exposição direta da populaçãocivil. As quatro mortes diretas são apenas o topo do iceberg. O número real de pessoas afetadas, tanto fisicamente quanto psicologicamente, é muito maior e continua se desdobrando com o tempo devido aos efeitos tardios da exposição interna.