Que Venha Ou Que Venham - Que vem ou venha?
Que vem ou venha?

Quando usar que venha e quando usar que venham

A dúvida entre que venha ou que venham acontece porque o português tem um péssimo hábito de separar o sujeito do verbo. A regra é simples, mas na prática ela se complica rapidamente, principalmente com expressões coletivas e inversões comuns na escrita formal. O que define a concordância é o sujeito da oração subordinada. Se o sujeito for singular, usa-se venha. Se for plural, usa-se venham. O verbo "vir" no presente do subjuntivo se flexiona normalmente: eu venha, tu venhas, ele/ela venha, nós venhamos, vós venhais, eles/elas venham. Não tem mistério enquanto o sujeito estiver antes do verbo e for claro.

A confusão começa quando o sujeito vir depois do verbo, algo super frequente nesse tipo de construção com "que". Por exemplo: "Que cheguem os alunos agora". O sujeito é "os alunos", plural, então o verbo vai para o plural. Parece fácil, mas ai entram os casos problemáticos.

Diferença prática entre que venha e que venham

Considere estas duas frases: "Que venha um solucionador para esse problema" versus "Que venham os documentos que você pediu". Na primeira, o sujeito é "um solucionador" (singular). Na segunda, é "os documentos" (plural). A escolha entre venha e venham depende exclusivamente disso, sem exceção quando o sujeito é explícito. O verdadeiro problema aparece com sujeitos implícitos ou coletivos. Você já viu alguém escrever "Que venha muitas pessoas" e achar que está errado? Está. O correto é "Que venham muitas pessoas", porque "muitas pessoas" é plural, mesmo que o senso comum tente tratar "muita gente" como singular. E aqui vale um ponto que ninguém menciona com frequência: a expressão "muita gente" é singular porque "gente" é um substantivo coletivamente singular. Mas "muitas pessoas" não tem essa proteção gramatical. A diferença entre elas muda a flexão verbal, e revisores costumam marcar erro em revistas e concursos justamente nessa distinção.

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Também tenho meu caso específico com isso. Uma vez precisava revisar um edital de concurso onde a banca tinha colocado "Que venha os candidatos até às 14 horas". A banca estava errada. O sujeito é "os candidatos", plural obrigatório. Eu sugeri a correção para "Que venham os candidatos até às 14 horas". A banca mudou. Mas não foi a primeira nem a última vez que vi esse erro em material oficial, então se você está produzindo conteúdo formal, valide sempre a concordância com sujeito posposto antes de aprovar.

Casos mais complicados

Expressões como "é necessário que", "convém que", "basta que" são impessoais. O "que" aqui não introduz um sujeito, ele introduz uma oração subordinada substantiva. Nesses casos, o verbo da subordinada é que vai determinar a flexão, não o verbo principal. Por exemplo: "É necessário que eles venham cedo". O sujeito da subordinada é "eles", então usa-se "venham". Já em "É necessário que venha um técnico", o sujeito é "um técnico", então usa-se "venha". A estrutura impessoal do principal não impõe singular ao verbo da subordinada. Outro ponto que pega muita gente: orações com sujeito distribuído por coordenadas. "Que venha o diretor e os coordenadores". Nessa estrutura, o verbo pode concordar no plural ("venham") porque há mais de um elemento, ou no singular se você tratar a primeira coordenação como determinante principal. A norma culta prefere o plural quando os elementos são claramente múltiplos, mas na prática você encontra as duas formas aceitas em textos formais. Se quiser evitar ambiguidade, simplesmente reescreva: "Que o diretor e os coordenadores venham". Colocar o sujeito antes do verbo elimina qualquer discussão.

Existem ainda construções com "quem" que geram dúvida. "Que venham aqueles que solicitaram vaga" está correto. Já "Que venha aqueles..." seria erro de concordância. O pronome "aqueles" é o sujeito e é plural, então o verbo segue para o plural sem margem para interpretação.

Resumo operacional

Na hora de decidir, faça esta verificação rápida: identifique o sujeito da oração com "que". Se for singular, conjugue no singular. Se for plural, conjugue no plural. Se o sujeito estiver posposto, traga-o para antes do verbo na sua cabeça para ter certeza. Se não houver sujeito explícito e a oração for completamente impessoal, o subjuntivo provavelmente ficará no singular, mas verify se não há um sujeito elíptico escondido. Isso resolve a grande maioria dos casos. Nos restantes, com coordenadas e coletivos, a reescrita costuma ser mais eficiente do que forcejar com a concordância. Gasta menos tempo e evita que um revisor mal-humorado marque erro em algo que não deveria ser ambiguizado em primeiro lugar.