Entendendo questões de regência nominal para provas e concursos
Regência nominal trata da relação entre um nome — substantivo, adjetivo ou advérbio — e a preposição que o rege. Em questões de regência nominal, o examinador testa se você sabe qual preposição acompanha determinada palavra. A maioria dos candidatos erra porque tenta adivinhar pelo sentido em vez de memorizar as regências fixas da norma culta. Aqui vai algo que ninguém conta: quase todas as bancas repetem as mesmas quinze palavras com regência mais cobrada. Se você dominar esse núcleo básico, já resolves a maior parte das questões sem precisar chutar. O problema é que os gabaritos muitas vezes consideram certas regências "alternativas" válidas, quando na verdade a gramática normativa só aceita uma delas.
Questões de regência nominal: o que realmente cai
Vou listar as palavras que aparecem com frequência absurda. Responsável rege sempre a preposição "a": responsável a alguém, nunca "de alguém". Esse erro é tão comum que a FGV cobra isso todo ano e já corrigiu alternativas que outros examinadores diriam estar certas. Acessível rege "a": acessível a todos, não "de todos". Oposto rege "a" ou "de", dependendo do contexto — oposto ao projeto (contra algo) versus oposto de comportamento (comparação entre qualidades). A banca costuma trocar essas duas regências propositalmente. Necessário pede "a" quando se refere a pessoa (necessário a todos) mas pode aceitar "para" quando se refere a coisa (necessário para o sucesso). Próximo rege "de" na posição espacial (a casa próxima da igreja) e "a" no sentido temporal ou figurado (o mais próximo a Deus). Prejudicial rege "a": prejudicial à saúde, nunca "para a saúde". Esse é outro clássico de errado em gabarito porque muitos candidatos pensam que "prejudicial para" está correto, e está não.
Medo e pavor regem "de" na norma culta: medo de algo, pavor de alguém. A regência com "de" é a oficial, embora "medo a" e "pavor a" apareçam em registros informais e algumas bancas mais flexíveis possam considerar aceitáveis. Seguidor rege "de": seguidor do líder. Teimoso rege "de": teimoso doente. Afeito rege "a": afeito a tarefas domésticas. No dia em que estava corrigindo simulados para um grupo de alunos, me deparei com uma questão da CESPE em que a banca considerava correta a regência "gostoso de" quando o padrão seria "gostoso para". A resposta oficial estava tecnicamente questionável segundo a gramática normativa, mas marcar essa inconsistência na prova era arriscado. Minha solução prática foi simplesmente registrar a regência como constava no manual do examinador daquela banca específica e seguir em frente, porque em concurso público o que vale é o gabarito, não a teoria.
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Dica técnica que economiza tempo
Quando for resolver questões e der dúvida entre duas preposições, o método mais rápido é substituir o termo por um sinônimo de regência conhecida. Se a palavra for "imune", você pensa: "imune a quê? A doença". Então imune a. Se for "simpatia", simpatia com. Essa regra de substituição funciona em cerca de oitenta por cento dos casos que eu vejo em prova. Os vinte por cento restantes são armadilhas intencionais da banca. Outro ponto que as pessoas ignoram: advérbios também têm regência nominal. "Longe" rege "de": longe da cidade. "Perto" rege "de": perto da escola. "Aos pés" rege "de": aos pés da montanha. Esses itens caem com menos frequência mas aparecem exatamente quando o candidato acha que já sabe tudo.
Limitações desse estudo
O principal problema é que algumas bancas aceitam regênciasvariantes que a norma padrão não reconhece. A Fundação Carlos Chagas, por exemplo, já considerou "acessível a" e "acessível de" como simultaneamente corretas em momentos diferentes, o que gera confusão. Isso significa que dominar apenas a teoria não garante acerto em cento por cento das questões. O mais sensato é consultar o edital e verificar qual banca fará a prova, pois cada uma tem um viés específico sobre regência. Se o tempo estiver apertado e você precisa focar apenas no que realmente vale ponto, concentre-se em: responsável a, acessível a, prejudicial a, medo de, próximo de/a (distinguir os usos), impune a, indiferente a/de (com diferença de sentido entre as duas), e dócil a. São aproximadamente doze pares que cobrem a grande maioria das questões de regência nominal em provas brasileiras.
Uma última observação prática: muitos candidatos confundem regência nominal com regência verbal. A diferença é simples mas crucial. Regência verbal estuda a relação entre verbo e complemento, com ou sem preposição. Regência nominal estuda a relação entre nome e preposição. Na hora da prova, se a questão apresentar um substantivo ou adjetivo em destaque, é regência nominal. Se apresentar um verbo, é regência verbal. Confundir os dois tipos é o erro mais frequente e mais simples de evitar com treino.