O que esperar da redação da ESA
A prova discursiva da ESA cobra uma redação em prosa, dentro de um tema dado no momento da avaliação, seguindo o modelo de dissertação-argumentativa que se tornou padrão nos certames militares e nos concursos de nível superior. O formato é simples na superfície: você lê o material de apoio, identifica a tese, articula argumentos e conclui. A dificuldade está em fazer tudo isso dentro de um tempo apertado e com os critérios de correção sendo bem específicos.
Como funciona a redação da ESA na prática
Eu já vi candidatos que escreviam textos bons em outros concursos terem desempenho muito abaixo da média na ESA. O motivo costuma ser a mesma coisa: falta de adaptação ao registro formal exigido por essas bancas militares. A redação da ESA não tolera informalidade, gírias, nem construções que beiram o coloquial. O corretor procura coerência interna, clareza argumentativa e, acima de tudo, domínio da norma culta escrita. Um detalhe que muita gente não leva a sério na hora de preparar a redação da ESA é a estrutura dos parágrafos. Cada parágrafo precisa ter uma ideia central bem definida, desenvolvida com exemplos ou dados concretos. Eu já encontrei candidato que escreveu um parágrafo inteiro de três linhas sem nenhum argumento substantivo, só repetição do que já havia dito na introdução. Isso reduz drasticamente a nota. O correto é que cada parágrafo do desenvolvimento avance o raciocínio, não apenas o replique.
Outro ponto prático: o tema pode abordar questões atuais ligadas à segurança nacional, tecnologia, meio ambiente, ética ou questões sociais. No ano passado, por exemplo, caiu um tema sobre o uso de inteligência artificial nas forças armadas. A maioria dos candidatos ficou na superfície, falando genericamente sobre "avanços tecnológicos". Quem se saiu melhor foi quem conseguiu articular argumentos específicos sobre aplicações reais, desafios éticos e implicações para a doutrina militar brasileira. Isso mostra que o nível de profundidade esperado é acima da média do que se vê em concursos comuns.
Estrutura recomendada para a sua redação
A introdução deve apresentar o tema de forma direta, sem rodeios, e indicar claramente qual será a tese que você vai defender. Não adianta começar com uma frase genérica sobre "a importância de se discutir o tema no mundo contemporâneo". O corretor lê centenas de redações assim e isso não agrega valor algum. Vá direto ao ponto. Os parágrafos de desenvolvimento precisam conter argumentos bem articulados. Eu recomendo dois parágrafos de desenvolvimento bem construídos do que três mal elaborados. Cada um deve ter uma argumentação própria, com explicação e exemplificação. Evite listinhas de argumentos soltos. O texto precisa fluir como um raciocínio contínuo.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
A conclusão é onde muitos erram. A tentação é terminar com um fechamento improvisado, uma frase de efeito ou um desejo vago de que "o governo faça algo". Isso não funciona. A conclusão deve retomar a tese apresentada na introdução e sintetizar os principais argumentos desenvolvidos, sempre mantendo o tom formal e objetivo.
Pegadinhas comuns e como evitá-las
Um problema frequente é o desvio temático. O candidato se empolga com um aspecto do tema e acaba deixando de lado a parte central da questão. Eu já corrigi redações em que o tema pedia uma análise sobre sustentabilidade no setor espacial e o candidato escreveu sobre poluição urbana em grandes centros. Isso zera o texto praticamente. A leitura atenta do tema e do material de apoio é o passo mais importante antes de começar a escrever. Outro erro comum é a falta de coesão entre os parágrafos. Usar conectivos de forma mecânica, como "além disso", "por outro lado", "portanto", sem que haja de fato uma relação lógica entre as ideias, é fácil de identificar e custa pontos. Os conectivos devem refletir uma progressão real do raciocínio, não apenas decorar o texto com palavras de transição.
A ortografia também é um fator crítico. Na ESA, erros de acentuação, crase e concordância são pontuados de forma consistente. Não precisa ser perfeito, mas erros recorrentes chamam a atenção do corretor e afetam a avaliação. Recomendo revisar o texto nos últimos cinco minutos antes de entregar, focando especificamente nesses pontos gramaticais que mais costumam escapar.
Preparação eficiente
A maioria dos cursos preparatórios oferece simulados de redação, mas eu diria que o mais importante é escrever regularmente, com tempo cronometrado. Copiar modelos prontos não funciona porque os temas são variados e imprevisíveis. O que funciona é desenvolver a habilidade de estruturar argumentos rapidamente, o que só vem com prática real de escrita. Lições de casa incluem ler notícias de veículos sérios, editoriais e artigos de opinião sobre temas atuais. Isso amplia o repertório e ajuda a Internalizar o tipo de linguagem e argumentação que a banca espera. Também é útil revisar textos antigos e identificar onde foram os erros principais, para não repeti-los.
Se você está se preparando para a ESA, o foco deve ser claro: domínio da norma culta, capacidade de argumentação sólida e com os temas mais prováveis. A redação da ESA exige maturidade textual que vai além do que se aprende no ensino médio regular. Leve isso a sério desde o início da preparação.