O que é refrigeração água verde na prática
Água verde é a nomenclatura informal que técnicos do setor usam para se referir a fluidos térmicos à base de glicol etilênico ou propilênico com corante adição, circulados em sistemas de chillers e câmaras frigoríficas. O nome vem da coloração esverdeada que o aditivo dá à mistura, o que ajuda a distinguir visualmente esse fluido da água pura ou de outros tipos de glicol coloridos de forma diferente. A concentração típica varia entre 20% e 40% de glicol em volume, dependendo da temperatura mínima que o sistema precisa atingir.
Como fazer a manutenção de refrigeração água verde
A rotina começa com a verificação da concentração do glicol usando um refratômetro ou hidrômetro. Isso leva cerca de dois minutos. O problema é que muita gente usa refratômetro de plástico barato que dá leitura errada quando o fluido está contaminado com óleo ou partículas de corrosão. Comprei um de bolso por quinze reais numa feira e ele dava leituras imprecisas logo na primeira semana. Troquei por um Atago PAL-100S, que custa uns trezentos reais, e as leituras ficaram consistentes. Investimento que se paga em uma só visita técnica. Depois da concentração, verifica-se o pH. O ideal fica entre 8,5 e 9,5 para sistemas fechados com componentes de aço carbono e cobre. Se o pH cair abaixo de 7,5, a corrosão dentro da tubulação acelera muito. Já vi um sistema onde o pH chegou a 6,2 e a bomba de circulação começou a fazer um ruído estranho de areia. Ao abrir o tanque de expansão, encontrei pó marrom de óxido de ferro suspendido no fluido. Descartei todo o fluido, fiz flush químico com um produto à base de tensoativo neutro, enxáguei com água desmineralizada e completei com solução nova. Levei um dia inteiro de parada para resolver. Se a pessoa tivesse monitorado o pH mensalmente, teria visto a queda gradual e apenas adicionado inibidor.
A pressão diferencial nos trocadores de calor também merece atenção. Limpeza de tubos em chillers de casco e tubo com fluido verde costuma ser feita com bolas de limpeza passadas pelo fluxo ou com procedimento químico de limpeza ácida controlada. O cuidado é porque o glicol degradado pode formar ácidos orgânicos que atacam as juntas de vedação se o pH não for corrigido antes da limpeza ácida. Primeiro neutraliza, depois limpa. No caso dos tanques de expansão, o nível deve ser checado visualmente pelo menos a cada três meses em instalações críticas. O fluido perde água por microssifonamento e evaporação através do respirador, e a concentração sobe sem que ninguém perceba. Já deparei com um sistema onde a concentração havia subido para 55% de glicol porque o nível do tanque estava baixo há dois meses sem reposição. A temperatura de evaporação caiu demais, o fluido ficou viscoso, a vazão no evaporador reduziu e o compressor operou com baixa sucção. Resolvi colocando mangueira de água desmineralizada no tanque de expansão e deixando pingar devagar enquanto lia o refratômetro. Em vinte minutos a concentração voltou para 32%. Demoraria horas se eu fosse fazer troca parcial do fluido todo.
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Pegadinhas que ninguém conta
O primeiro ponto que passa despercebido é a compatibilidade do selo mecânico da bomba. Glicol em concentração alta degrada vedações de borracha NBR padrão. Se a sua bomba tem selo de NBR e opera com fluido a 35% de glicol por mais de seis meses, o selo tende a endurecer e começar a vazar. A solução é trocar para selo de Viton ou PTFE quando fizer a manutenção preventiva. Não espere o vazamento aparecer. O segundo ponto é a formação de bolhas de ar no circuito. Fluidos com glicol têm maior viscosidade que a água, o que significa que prendem mais ar em pontos altos da tubulação. Ar no sistema causa cavitação na bomba e perda de eficiência no trocador. Instale separadores de ar automáticos nos pontos mais altos e purgue semanalmente durante as primeiras semanas após a primeira troca de fluido. Depois disso, a cada quinze dias basta uma olhada.
Um terceiro erro comum é usar água de rede para reposição. A dureza da água de São Paulo, por exemplo, pode variar de 15 a 30 °fH dependendo do bairro e da época. Sais de cálcio e magnésio precipitam dentro do trocador e formam incrustação que reduz a transferência de calor em até 30% em seis meses. Use sempre água desmineralizada ou osmose reversa para completar o nível.
Quando a refrigeração água verde não funciona
Este fluido não é adequado para sistemas que operam abaixo de menos 30°C. Acima dessa faixa de glicol, a viscosidade sobe demais e a bomba não consegue manter a vazão projetada. Nestes casos, glicol propilênico concentrado ou misturas com aditivos anticongelantes especiais são mais indicados, mas o custo do fluido sobe consideravelmente. Também não recomendo para sistemas alimentícios abertos onde há risco de contaminação direta do produto, a menos que se use glicol propilênico certificado e com monitoramento constante de vazamentos. O etilênico é tóxico e evenem concentrações baixas no alimento podem ser problemáticas. Outra situação onde o fluido verde falha é em sistemas muito antigos com tubulações de ferro galvanizado. O glicol reage com o zinco da galvanização e forma complexes que entopem filtros e válvulas de controle. nestes casos, o ideal é fazer uma avaliação das tubulações antes de trocar a água por fluido térmico, substituindo trechos corroídos ou utilizando apenas água tratada com inibidor de corrosão convencional.
O ciclo de vida útil do fluido varia entre dois e quatro anos dependendo da temperatura de operação e da qualidade da manutenção. Testes anuais de análise do fluido — pH, concentração, teor de glicol livre, condutividade e presença de íons cloreto — custam em média cento e cinquenta reais por amostra em laboratórios especializados e podem evitar paradas inesperadas que custam dezenas de milhares em perda de produção.