O Salto do Itiquira: o que resta e como visitar
O Salto do Itiquira ficava no rio Araguaia, na divisa entre Goiás e Tocantins, e já foi considerado a queda d'água mais caudalosa do mundo antes de ser submersa pela usina de Serra da Mesa. Hoje existe como atrativo de turismo ecológico na região de Porangatu, Goiás. O acesso é por estrada de terra e o melhor período para visitar é durante a seca, quando o nível do reservatório rebaixa e trechos da formação rochosa ficam expostos novamente.
Como chegar ao salto do itiquira
A rota mais usada sai de Brasília pela BR-060 em direção a Anápolis, depois toma a GO-208 rumo a Goiânia e, de lá, a GO-233 até Porangatu. De Porangatu, siga os indicativos para a Fazenda Itiquira ou para a área de manejo do Parque Estadual Serra de São Jorge. O trecho final éterra batida, cerca de 15 a 20 quilômetros. Um carro de passeio consegue fazer sem problema, mas com sola alta e pneus em bom estado. Se chover, a estrada fica lamaçal e você pode perder duas horas só nisso. Viaje de manhã cedo. O sol da tarde incide direto no vale e a visibilidade cai muito, além de o calor ficar insuportável. A cidade base mais prática é Porangatu. Tem postos de combustível, restaurantes e pousadas simples. Não espere resort ou estrutura turística de grande porte. Leve água, repellente e calçado fechado. O terreno é irregular, com pedras escorregadias e vegetação rasteira.
O que as pessoas vão ver não é a cachoeira monumental dos anos 80. É uma formação rochosa com corredeiras e pequenos saltos que aparecem conforme o nível da água varia. A maior parte do salto original ficou alagada pelo reservatório da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, concluído em 1994. O fenômeno é interessante do ponto de vista geológico e histórico. Do ponto de vista de espetáculo natural, é muito diferente do que as fotos antigas mostram. Um problema que eu enfrentei na prática: cheguei num final de semana de seca intensa e a água estava tão baixa que o acesso a pé até os mirantes ficou impossibilitado por causa de trechos alagados com fundo de lama mole. O guia local suggestou um desvio de três quilômetros por uma trilha secundária que contornava a área. Vale a pena perguntar sobre a condição do acesso antes de sair de Porangatu. Ligue para a pousada ou procure grupos locais no Facebook. A informação costuma ser atualizada com mais frequência do que qualquer site oficial.
O que precisa saber antes de ir
Entrada: há cobrança de taxa de visitação no local, variável conforme a temporada. Leve dinheiro em espécie. Cartão não funciona na região. Horário: as visitas geralmente são feitas entre 8h e 16h. Após as 16h o serviço de guia Encerra e andar sozinho pela trilha não é recomendado. O terreno tem quedas de até dois metros em alguns trechos e não há iluminação.
Guia: contrate sempre. Os guias conhecem o nível da água do dia, as trilhas seguras e os pontos de observação com melhor visão. Sem guia, você perde metade do trajeto e ainda corre risco desnecessário. Equipamento: câmera resistente à água, roupa de secagem rápida, protetor solar, botina ou tênis de borracha com aderência. A pedra coberta de musgo é traiçoeira.
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Contexto sobre o que aconteceu com as quedas originais
O Salto do Itiquira tinha cerca de 85 metros de altura e largura variável. Antes da barragem, o volume de água que passava por ele superava a maioria das cachoeiras do planeta em certas épocas do ano. O represamento do rio Araguaia alterou completamente o regime hídrico da região. O reservatório tem mais de 2.500 quilômetros quadrados de extensão quando cheio. Isso submergiu a formação principal. Muitos guias e moradores locais chamam o que resta agora de "Salto do Itiquira Mirante" ou simplesmente "Itiquira do Reservatório". A nomenclatura varia. O importante é ajustar a expectativa. Não é a mesma atração das fotografias dos anos 80, mas ainda tem valor paisagístico e educacional, especialmente para quem quer entender o impacto de grandes obras hidrelétricas no Centro-Oeste brasileiro.
Um ponto que pouca gente menciona: o nível da água no reservatório oscila conforme a operação da usina e o ciclo das chuvas. Em anos de seca extrema, como 2015 e 2021, trechos da formação rochosa ficaram quase completamente expostos, gerando uma movimentação maior de visitantes. Em anos úmidos, como 2018 e 2023, praticamente não se via nada além da superfície da água. Planeje a viagem com base no nível do reservatório do momento, não na época do calendário.
Dicas práticas que ninguém posta em guia turístico
O celular quase sempre perde sinal. Baixe mapas offline do Google Maps antes de sair de Porangatu. A rodovia GO-233 tem trechos sem cobertura por mais de 40 quilômetros. Não leve alimentos perecíveis. Não há geladeiras confiáveis nas pousadas da região. Compras de último minuto são feitas em mercados locais com preço um pouco acima da média urbana, mas funciona.
Há banheiros rudimentares no local de visitação. Leve papel higiênico próprio e sacos para lixo. A cultura local de limpeza ainda é incipiente e você vai encontrar muita embalagem abandonada nas trilhas se não se preocupar com isso. Se quiser fotografia de qualidade, chegue uma hora antes da abertura. A luz da manhã entra lateral no vale e produz sombras longas que valorizam a textura das rochas. Meio-dia é perda de tempo para foto. A luz fica dura e plana.
Evite festas e feriados prolongados. O acesso pela estrada de terra fica congestionado e o serviço de guia é precário porque não há pessoal suficiente. Finais de semana normais, de terça a quinta, oferecem experiência bem mais tranquila.
Alternativas na região
Se o nível do reservatório estiver alto demais e o salto não estiver visível, há outras opções nas redondezas. As cachoeiras de São João da Paraúna ficam a cerca de duas horas de Porangatu e são mais confiáveis em qualquer época. O Parque Nacional das Emas, também em Goiás, oferece trilhas bem estruturadas e fauna abundante. Vale a pena encaixar no mesmo roteiro se o tempo permitir. O Salto do Itiquira em si ainda interessa, principalmente como registro do que foi perdido e do que resta. A visita dura entre três e quatro horas, incluindo deslocamento até os mirantes e volta. Se for bem planejado, compensa. Se ver a cachoeira gigante das postales antigas, vai decepcionar. A realidade atual é outra, e conhece-la antes de ir evita frustração.