O que realmente acontece na segunda fase do ITA
A segunda fase ita é uma prova discursiva de quatro horas, dividida em duas sessões: matemática pela manhã e física à tarde. Não tem alternativas para marcar. Você escreve a resolução completa, do início ao fim, e o corrector decide se merece ponto ou não. Isso é importante porque muita gente entra achando que pode errar um cálculo numérico e ainda assim passar, mas na prática o erro menor já corta metade dos pontos daquela questão. O formato é sempre o mesmo: seis problemas de matemática e seis de física, com valores diferentes. As questões mais fáceis valem cerca de 1 a 1,5 ponto. As mais difíceis podem valer 2 a 3 pontos. O total da prova gira em torno de 24 pontos, e a média histórica de corte fica entre 8 e 12 pontos, dependendo do nível geral dos candidatos naquele ano.
Segunda fase ita: estrutura e estratégia prática
A primeira coisa que você precisa entender é que tempo não é seu inimigo. O problema real é a gestão de energia mental. Eu já vi candidato resolver três questões de física completamente certo e ainda sobrar cinquenta minutos, enquanto outro desperdiçou quarenta minutos numa questão de geometria analítica que valia pouco e simplesmente não entrava. Minha recomendação prática: comece pelas questões que exigem menos conta bruta. Matemática costuma ter duas ou três questões de teoria dos números ou combinatória que são puras de lógica, sem necessidade de calculadora nem de cálculos longos. Se você travar em algo por quinze minutos, abandona. Anota o que já tentou e vai para outra. Isso não é conselho motivacional, é pura economia de pontuação.
O que funciona na prática é ter um sistema de marcação. Você marca cada questão como resolvida, parcial ou abandonada. Quando termina uma sessão, olha o quadro geral antes de começar a outra. Isso te evita a armadilha clássica de entrar na física ainda pensando na última questão de matemática que ficou aberta na cabeça.
O que os correctores realmente avaliam
Aqui vai uma informação que quase todo mundo ignora: a apresentação importa tanto quanto o resultado final. Se você chegou ao valor certo mas escreveu tudo em desordem, com saltos de raciocínio que o corrector não consegue acompanhar, pode perder até 40% dos pontos daquela questão. Eu vi isso acontecer com colegas meus que sabiam resolver mas escreviam como se estivessem pensando em voz alta. O raciocínio precisa estar estruturado. Teorema, condição, aplicação, conclusão. Cada passo deve justificar o próximo. Quando você pula etapas, o corrector não tem como saber se foi intencional ou preguiça. E nesse exame, a presunção sempre cai contra você.
Um detalhe técnico importante: questões de mecânica muitas vezes pedem a resolução em termos de variáveis simbólicas antes de substituir valores numéricos. Resolver direto com números, mesmo que certos, pode gerar perda de pontos porque o corrector quer ver se você dominou a derivação geral. Não é regra escrita em lugar nenhum, mas é algo que aparece repetidamente nas provas dos últimos cinco anos.
Pegadinhas que ninguém conta
Uma das armadilhas mais comuns é a questão que parece exigir cálculo integral mas na verdade tem uma solução geométrica muito mais simples. Eu perdi tempo precioso em 2019 resolvendo uma integral dupla de três linhas quando existia uma simetria que resolvia em duas linhas. A questão valia 2,5 pontos e eu fiz metade do trabalho necessário. O tipo de erro que não se repete. Outro ponto cego: a prova nunca pede conhecimento de conteúdo que não esteja no ensino médio. Eletromagnetismo avançado, equações diferenciais de ordem superior, números complexos em formas que você só vê na universidade. Se a questão parece exigir isso, você está interpretando errado. Volte ao enunciado e leia novamente.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Há também o problema da linguagem. Questões de física às vezes usam terminologia precisa que tem significado diferente no contexto do ITA. "Sistema isolado" significa conservativo de energia e momento, não apenas "sem forças externas". Quando você traduz para o seu próprio vocabulário errado, a resolução inteira sai torta desde o início.
Limitações reais desse formato de prova
O sistema discursivo tem desvantagens reais. Um deles é a subjetividade na correção. Duas bancadas diferentes podem dar pontuações ligeiramente diferentes para a mesma resposta. Isso não é um defeito grave, mas é algo que existe. Não adianta reclamar disso durante a prova, serve apenas para distrair. Outro limitação: a prova seleciona bem para raciocínio rápido, mas não para criatividade técnica. Alguém que decorou vinte técnicas de resolução consegue uma boa nota, enquanto alguém que pensa de forma não convencional mas demora mais pode ficar abaixo da média. Isso não significa que criatividade não sirva, mas significa que velocidade de execução tem peso enorme no resultado final.
A prova também não perdoa cansaço acumulado. Se você estudou mal nos três meses anteriores e chega com sono, o desempenho cai drasticamente. Não é questão de inteligência, é questão física. Dormir mal na véspera pode custar dois ou três pontos no total, o que é a diferença entre ser aprovado e reprovado na maioria dos anos.
O que realmente funciona nos três meses finais
Resolver provas anteriores é obrigatório, mas não basta fazer. Você precisa cronometrar cada questão como se fosse a prova real. Quatro horas não passam rápido quando você está ansioso. A sensação de tempo corre mais devagar do que você imagina. Treinar com cronômetro te dá noção real de quanto tempo cada tipo de questão consome. Revisar seus próprios erros é mais valioso do que fazer questões novas. Eu costumava voltar às resoluções que fiz errado e refazer do zero, sem olhar a solução original. Em geral percebia que o erro estava em um pressuposto inicial, não no cálculo em si. Corrigir o pressuposto era o que fazia toda a diferença.
Para matemática, os tópicos que mais aparecem são: geometria analítica, teoria dos números, combinatória, funções e trigonometria. Para física: mecânica, eletricidade, óptica e termologia. Não ignore nenhum desses tópicos achando que "cai pouco". O ITA adora cobrar combinações entre áreas. Uma questão pode misturar cinemática com energia e conservação de momento sem aviso prévio. O material de estudo mais útil são as provas dos últimos dez anos. Você encontra facilmente nos sites oficiais e em grupos de estudos. Os livros do Prof. Newton Júnior para física e do Ignez para matemática cobrem bem o nível necessário, mas não substituem a prática com provas reais. Teoria sem prática aplicada nesse exame simplesmente não se consolida.
Contagem de pontos: o que é suficiente
Em anos normais, conseguir resolver três questões completamente certas e duas parcialmente pode ser suficiente para passar. Mas "completamente certa" significa resolução inteira, com todas as etapas justificadas e o resultado final dentro da precisão esperada. Partialmente certa geralmente significa que você chegou a parte do caminho, talvez o raciocínio principal esteja correto mas o resultado numérico saiu errado por causa de um erro de cálculo. A média de aprovação varia muito. Em anos com prova mais difícil, o corte pode cair para oito pontos. Em anos mais fáceis, pode subir para doze ou treze. Não existe padrão fixo, então seu objetivo deve ser sempre maximizar pontos, não atingir uma meta arbitrária.