Stephen King Long Walk - The Long Walk: King, Stephen: 9780451196712: Books - Amazon.ca
The Long Walk: King, Stephen: 9780451196712: Books - Amazon.ca

O que é a caminhada de Stephen King

Ao falar de Stephen King long walk, a primeira coisa que você precisa entender é que não se trata de uma aventura heroica. O livro é um exercício de tensão pura e simples. O protagonista, Ray Garraty, participa de uma marcha forçada onde cem jovens caminham sem parar. Cada quinze quilômetros, há uma inspeção. Se você parar duas vezes, é eliminado. Se parar três vezes, você morre. Simples assim. O livro foi publicado originalmente como novela em 1979 e depois republicado como obra completa. A edição brasileira mais comum é da editora Planeta, mas existem várias traduções pelo caminho. O que importa é que a experiência de leitura é completamente diferente da maioria dos romances do King. Não há monstros. Não há fantasmas. O único antagonista aqui é a exaustão.

Por que o book é tão estranho para o King

A narrativa é construída em primeira pessoa, mas o narrador não tem muita opinião sobre nada. Ele observa. Descreve os outros participantes. Dá nome a eles. Walky, Mutt, Smoke, Bobby Peru. Cada um deles carrega um motivo diferente para estar ali, e isso é o que sustenta o livro inteiro. O texto avança no ritmo das próprias pernas. Você lê e sente o tempo passando de verdade. Eu li esse livro pela primeira vez aos dezoito anos e achei que era só uma história sobre uma caminhada. reli dez anos depois e percebi que na verdade é um livro sobre o que acontece com uma pessoa quando ela é privada de qualquer coisa que a faça sentir viva, exceto o ato de continuar andando. A diferença entre as duas leituras foi absurda.

A estrutura do livro

O livro se divide em três partes principais, mas a divisão não é rígida. A primeira parte introduz os cinquenta e dois participantes restantes. A segunda mostra o declínio físico e mental. A terceira, bem, não vou estragar. O que eu posso dizer é que a última meia hora do livro é uma das coisas mais pesadas que já li, e o King consegue isso sem usar nenhuma recurso dramático óbvio. Não há gritos. Não há cena de morte explícita. Apenas um homem andando até não aguentar mais. A tradução brasileira tende a manter o tom seco do original. Alguns críticos reclamam que a linguagem fica muito literal, mas na prática isso é uma vantagem. O livro não pede ornamentos. Pedir ornamentos seria como pedir para alguém correr uma maratona usando tacões. Não funciona.

Personagens que valem a pena

Walky, o líder natural do grupo, é provavelmente o personagem mais complexo. Ele carrega o fardo de ser o mais forte, mas também carrega o medo de não ser. Smoke, por outro lado, é calado e observador. A cena dele segurando o caderninho com os nomes dos participantes eliminados é um dos momentos mais marcantes do livro. E Bobby Peru é aquele que riu durante toda a caminhada, mesmo quando estava sangrando pelos pés. Ele representa o tipo de pessoa que entra em competições extremas não por coragem, mas por algo mais parecido com autoflagelação disfarçada de esporte. O que eu sempre achava interessante é que o King não nos dá biografia detalhada de ninguém. Você sabe o suficiente para se importar, mas não o suficiente para criar uma conexão profunda. Isso é proposital. A caminhada elimina identidade. Sobra apenas o corpo. E o corpo, nesse ponto, já não é mais seu.

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Dicas para ler sem desistir no meio

Se você nunca leu King fora do repertório convencional de terror, esse livro pode parecer lento nas primeiras cinquenta páginas. É normal. O ritmo de propósito. Não tente acelerar. Leia devagar. Deixe o texto trabalhar. Outra coisa: não leia de uma vez só se estiver cansado. Eu já vi gente tentar ler de uma vez e desistir na metade. O livro exige atenção. Se você estiver com sono ou distraído, vai perder os detalhes que fazem a coisa funcionar. O melhor horário é à noite, antes de dormir, quando você já está meio exato de qualquer forma. A sinergia é acidental, mas funciona.

Se quiser, dá para encontrar edições digitais em formato PDF em sites como o Projeto Gutenberg ou archive.org. A versão física da Planeta, com capa dura e bom papel, é a mais confortável para leitura prolongada. Mas qualquer edição serve, desde que a tradução não seja truncada. Já vi cópias piratas com capítulos inteiros cortados. Evite.

O que o livro ensina (sem ser prestativo)

Não existe uma moral explícita. Mas se você prestar atenção, vai perceber que o livro é sobre resistência. Não a heroica, e não a motivacional. A resistência como ato puro de existência. Caminhar quando tudo no seu corpo pede para parar. Esse é o cerne da coisa. O King mostra que a vontade de viver pode ser mais frágil do que a gente imagina, mas também pode ser mais teimosa. A cena final, aquela em que o narrador simplesmente não para mesmo quando já não tem mais motivos, é o momento em que o livro deixa de ser sobre uma competição e passa a ser sobre algo muito mais primitivo. Não vou detalhar. Vá ler.

Uma última observação prática: o livro tem cerca de duzentas páginas na edição padrão. A maioria das pessoas termina em um ou dois dias, dependendo da velocidade de leitura. Eu terminei em uma tarde. Fiquei olhando para a parede depois por alguns minutos. Nada dramático. Apenas vazio.