Os tipos de sujeito: determinado, indeterminado, simples e composto
O que é e como identificar na prática
O sujeito determinado é aquele cuja identificação é possível sem necessidade de inferência contextual, porque está explicitamente representado na oração. Pode ser sujeito simples, composto ou oculto (elíptico). O que importa para a classificação é a possibilidade concreta de recuperar o agente da ação verbal. Na maioria das vezes, as pessoas confundem o sujeito oculto com a indeterminação do sujeito, e esse erro aparece o tempo todo em análises sintáticas.
Quando o verbo está flexionado em pessoa e número, e essa forma indica claramente quem pratica a ação, temos sujeito determinado elíptico. A frase "Nós chegamos cedo" tem sujeito determinado ("nós"), mesmo que "nós" apareça só na desinência verbal. Isso é diferente de "Aluga-se casa", onde a partícula "se" e a conjugação em 3ª pessoa do plural não permitem saber quem pratica a ação.
Sujeito determinado: quando a regra se aplica
Para identificar corretamente, o procedimento mais confiável é o seguinte: conjuge o verbo no infinitivo impessoal e pergunte "quem é que praticou tal ação?". Se a resposta vier naturalmente da morfologia verbal ou de um termo explícito, o sujeito é determinado. Se não houver como responder sem chutar o contexto, o sujeito está indeterminado ou a oração é sem sujeito.
Regra prática direta. Verbo na 1ª ou 2ª pessoa do singular ou plural: sujeito determinado, quase sempre elíptico. Verbo na 3ª pessoa com pronome relativo "que" retomando um termo anterior: sujeito determinado, sendo que "que" é o pronome relativo, não a partícula apassivadora. Diferença importante. Em "Os livros que chegaram atrasados", "que" retoma "livros" — sujeito determinado. Em "Vendem-se casas", "se" é partícula apassivadora e o sujeito é "casas", também determinado, mas na voz passiva sintética.
Um detalhe que causa confusão constante: verbos como "chover", "nevar", "ameaçar trovoada", "bater" (no sentido de relógio) e "ocorrer" (no sentido de acontecer) formam orações sem sujeito. Não há sujeito determinado nem indeterminado nesses casos. A frase "Choveu muito ontem" é classificada como oração sem sujeito, não com sujeito indeterminado. Isso não é opinião minha, é a gramática normativa consolidada.
I had a situation last year analyzing a legal document where someone had written "Dispensam-se os candidatos portadores de deficiência física para a prova prática." At first glance it looked like passive with "se," but here "dispensar" is being used transitively indirecto (dispensar alguém de algo), so the "se" is actually an index of indeterminacy of the subject, not passive. The subject is determined by context in the preceding paragraph, but standing alone in that isolated clause, the subject is truly indetermined. The fix was to restructure to "Os candidatos... são dispensados da prova prática," making the subject explicit and the voice clearly passive. That changed the entire syntactic reading of the passage.
Diferença entre sujeito determinado elíptico e indeterminado
Esta é a linha mais fina e a que mais gera erros. Vou ser direto: sujeito determinado elíptico tem verbo flexionado que indica pessoagramaticalmente. Sujeito indeterminado tem verbo na 3ª pessoa do plural sem contexto que permita saber quem são esses "eles". A diferença entre "Falamos pouco na reunião" (sujeito determinado elíptico — "nós") e "Falaram coisas ruins sobre você" (sujeito indeterminado — não sabemos quem falou) é puramente morfológica.
Outro ponto que as gramáticas às vezes tratam de forma confusa: com o "se" partícula apassivadora, o sujeito é determinado e concorda com o verbo. "Vendem-se apartamentos" — sujeito determinado ("apartamentos"), voz passiva sintética. Já "Precisa-se de funcionários" — "se" é índice de indeterminação do sujeito, verbo fica na 3ª pessoa do singular porque "funcionários" é objeto indireto (precisar de algo/alguém), e não há sujeito determinável. A diferença entre apassivadora e indetermindadora cai todo ano em concursos.
Aqui vai uma informação que dificilmente você acha resumida em lugar nenhum: há verbos que aceitam ambas as construções com "se" e a análise muda completamente. "Aluga-se" pode ser passiva ("Aluga-se esta casa" = esta casa é alugada) ou indetermindadora ("Aluga-se para quem precisa" = alguém não especificado aluga). O teste é o mesmo: se o termo pós-"se" faz função de sujeito paciente, é passiva. Se faz função de objeto (direto ou indireto), é indeterminação. Teste de movimentação: coloque a frase na voz passiva analítica. Se funcionar ("Esta casa é alugada"), era passiva. Se não funcionar ("*Esta casa é alugada para quem precisa"), era indeterminação.
O que raramente se menciona é o caso dos verbos predicativos de estado como "bastar", "servir", "pagar" e "ocupar". Eles exigem preposição e, quando vêm acompanhados de "se", geram ambiguidade recorrente. "Basta-se de palavras" é indeterminação do sujeito. "Bastam-se as palavras" é passiva, sujeito determinado ("as palavras"). O verbo concorda com o sujeito apenas na segunda. Na primeira, fica na 3ª pessoa do singular porque o sujeito não existe na oração.
Erros comuns e como evitá-los
A lista de confusões é longa, mas as principais são estas. A primeira: chamar o sujeito oculto de indeterminado. Se o verbo tem desinência que identifica a pessoa, o sujeito é determinado elíptico. Sempre. A segunda: tratar todas as orações com "se" como passiveiras. Um em cada três usos de "se" em textos jurídicos e acadêmicos é índice de indeterminação do sujeito, não partícula apassivadora. A terceira: achar que orações com verbos unipessoais têm sujeito indeterminado. "Ocorre um acidente" — sujeito determinado ("um acidente"), não indeterminado. O verbo "ocorrer" aqui é transitivo direto, e o complemento verbal é o sujeito.
A questão dos verbos que regem preposição merece atenção especial porque a concordância muda radicalmente. Em "Exige-se dedicação dos candidatos", o sujeito é indeterminado. Em "A dedicação exigida dos candidatos", o sujeito é determinado ("a dedicação"). A diferença está na presença do "se" e na função sintática. Sem análise de complementação verbal, é impossível decidir corretamente.
Na prática, recomendo sempre isolar o verbo, identificar sua transitividade, e então verificar a função do termo seguinte. Se o termo seguinte é objeto direto ou indireto, e o verbo está no "se", o sujeito é indeterminado. Se é sujeito paciente e a transformação para voz passiva analítica é válida, o sujeito é determinado. Esse fluxo leva cerca de 30 segundos por oração e elimina a grande maioria dos erros de classificação.