O que é sujeito inexistente na prática
Muita gente confunde sujeito inexistente com sujeito oculto. A diferença é importante e quem não presta atenção erra na hora de analisar. Sujeito oculto é aquele que existe mas não aparece escrito porque o verbo já deixa claro quem é. Sujeito inexistente é o caso em que não há sujeito nenhum na oração. O verbo é impessoal, não remete a ninguém. Os verbos que mais causam dúvida são os que indicam fenômenos da natureza, como chover, nevar, trovejar, relampejar. Esses verbos não têm sujeito porque não faz sentido perguntar a quem a chuva está caindo. A oração simplesmente não tem sujeito. Mesmo na estrutura "choveu muito ontem", não tem sujeito. O "muito" é adjunto adverbial de intensidade, não sujeito.
sujeito inexistente exemplos práticos
Vou listar os casos mais comuns que aparecem em provas e na prática. O primeiro e mais óbvio: verbos meteorológicos. "Choveu durante a noite toda." Nenhum sujeito. O verbo fica na terceira pessoa do singular porque a regra é essa, não porque haja um sujeito escondido. "Nevar pouco naquela serra é comum." Também sem sujeito. O segundo grupo são as expressões "faz", "fazem" quando indicam tempo decorrido ou temperatura. "Faz dois anos que não vejo ele." "Faz frio aqui." Em "faz dois anos", alguns gramáticos aceitam o plural "fazem" quando o complemento numeral vem antes do verbo, mas a norma culta prefere o singular. Já em "faz frio", o verbo nunca varia. É sempre singular e nunca tem sujeito.
O terceiro grupo usa o verbo "haver" no sentido de existir ou acontecer. "Havia muitos problemas pendentes." " Houve dias difíceis." Quando "haver" significa existir, é impessoal. Não tem sujeito. O que aparece depois dele é objeto direto. Muita gente erroneamente acha que "muitos problemas" é sujeito porque pode ser colocado na passiva, mas isso não funciona com haver no sentido existencial. Outro ponto importante: com "haver" no sentido de existir, o verbo nunca vai para o plural. "Havia muitos alunos" está certo. "Haviam muitos alunos" está errado. Esse é um erro muito comum até em textos formais.
O erro que eu vi acontecer todo dia
Eu trabalhei anos revisando textos corporativos e acadêmicos e via sempre o mesmo problema. As pessoas concordavam o verbo com o que vinha depois quando usavam "haver" no sentido de existir. "Existiram muitas dificuldades" soa errado para mim porque "existir" pode ter sujeito, então não cai nessa armadilha. Mas "houveram muitas dificuldades" é um erro que aparecia em praticamente todo documento que eu revisava. A solução que eu desenvolvi foi simples: quando o verbo for "haver" no sentido de existir, trate-o como se fosse um nome próprio. Ele não flexiona. Se o texto estava ficando estranho, eu substituí por "teve" ou "existiu" mesmo que ficasse menos formal. É melhor um sinônimo aceitável do que um erro gramatical flagrantado.
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Outro erro frequente é tratar "parece que" como abertura para sujeito. "Parece que vai chover." Aqui o "que vai chover" é oração subordinada substantiva subjetiva. O sujeito é a oração inteira, não o "que". Isso não é sujeito inexistente. É sujeito oracional. Diferente de "chove muito", que de fato não tem sujeito.
Casos avançados que poucos explicam
Quando o verbo "ser" indica hora, data ou distância, também não há sujeito. "São três horas." "Hoje é vinte de março." "A escola fica a dez quilômetros." A expressão nominal que aparece depois não é sujeito. É predicativo do sujeito em algumas análises, mas a questão é que não tem sujeito real aqui. O verbo "ser" nesse contexto é ligativo, mas a oração não tem agente. Alguém pode argumentar que o sujeito é a expressão temporal, mas a análise tradicional mais segura é que não há sujeito determinável. Há ainda o caso do verbo "bastar" usado sem complemento. "Basta de conversa." Esse também é impessoal. Não tem sujeito. Mas se você disser "Basta uma pessoa", aí o verbo concorda com "uma pessoa" e vira sujeito. A diferença é sutil mas define tudo.
Um detalhe que ninguém menciona: o uso de "é proibido" sem especificação de quem. "É proibido fumar." Esse "é proibido" é impessoal. Não tem sujeito. Já "É proibida a entrada" tem sujeito, porque "a entrada" é o sujeito e o verbo concorda com ele. A diferença entre o particípio concordando e não concordando é o que define se tem sujeito ou não.
Resumo rápido
Verbos impessoais nunca têm sujeito. Os principais são: haver (no sentido de existir), fazer (tempo e temperatura), verbos meteorológicos, e o ser quando indica hora ou distância. Qualquer outro caso pede verificação se o verbo realmente não admite sujeito ou se ele está apenas oculto. Confundir os dois leva a erros de concordância que comprometem o texto inteiro.