Tipos De Locuções - Exemplos de Locuções Adverbiais | PDF | Famílias linguísticas
Exemplos de Locuções Adverbiais | PDF | Famílias linguísticas

O que são e como identificar

Locuções são grupos de duas ou mais palavras que funcionam como um único elemento grammatical. Não tem mistério. A confusão acontece porque as pessoas confundem locução com locução adjunta, e depois ainda tem a questão das contrações e das locuções prepositivas que parecem a mesma coisa mas não são. A diferença prática é simples: uma locução nunca se contrai. Se você pode encurtar, não é locução. "Em cima" é locução adverbial. "No" é contração, ponto final. O erro mais comum que eu vejo é alguém tratando "de propósito" como se fosse uma palavra só e aí errando a classificação na prova ou no texto formal.

Principais tipos de locuções

Vamos direto aos tipos. Existe locução verbal, locução adverbial, locução adjetiva, locução prepositiva e locução conjuntiva. Cada uma tem uma função específica e isso define como ela se comporta na frase. Locução verbal é quando o verbo é formado por mais de uma palavra. Um auxiliar mais o particípio, o gerúndio ou o infinitivo. "Estou estudando", " tenho feito", "vai ser entregue". O verbo principal perde a conjugação própria e vira non-finite. Isso significa que a flexão de tempo e modo fica toda no auxiliar. Na prática, se você tá analisando uma oração e vê dois verbos juntos onde só um tem conjugação, já sabe: locução verbal.

Locução adverbial é um conjunto de palavras com valor de advérbio. "De repente", "a pé", "de vez em quando", "de propósitos", "às vezes". A característica é que essas expressões substituem um advérbio simples. "Correu rapidinho" vira "correu de repente". Oadvérbio original muitas vezes não existe na língua ou é muito limitado. "Rapidamente" existe, mas "de repente" carrega um sentido diferente, mais de imprevisto do que de velocidade pura. Locução adjetiva é aquela que equivale a um adjetivo. "Ouro" vira "áureo", "medo" vira "temeroso", "inverno" vira "hiemal". A gente usa bastante na escrita formal e em textos jurídicos. "A temperatura áurea do corpo", "em dias temerosos de geadas". O problema é que muitas dessas formas caiu em desuso e o falante comum não reconhece. Eu já vi analista jurídico travar na hora de classificar "beligerante" achando que era adjetivo simples quando na verdade deriva de uma relação que pode ser tratada como locução adjetiva em contextos específicos.

Locução prepositiva é formada por preposição mais palavra subordenable. "Apesar de", "mediante", "a fim de", "contudo". Funciona como uma preposição única. A dica prática é testar se dá para substituir por uma preposição simples. "A fim de estudar" = "para estudar". Se a substituição funciona, é locução prepositiva. Locução conjuntiva é conjunto de palavras com valor de conjunção. "Conforme", "ainda que", "mesmo que", "embora", "posto que". Substitui uma conjunção simples. "Embora chova" = "ainda que chova". A pegadinha aqui é que algumas formas evoluíram e viraram palavras simples. "Embora" hoje é treated as uma conjunção sola, mas etimologicamente veio de "em boa hora" ou similar. Na análise sintática atual, classifica-se como conjuntiva.

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Como não errar na prática

Na hora de analisar textos ou fazer provas, o problema real não é saber a definição. É identificar quando algo é locução e não outra coisa. Eu tenho uma regra prática que uso e que resolve 90% dos casos: teste de substituição. Pegue o trecho duvidoso. Tente substituir por uma palavra equivalente simples. Se funcionar e o sentido se mantém, é provável que seja locução. Se não funcionar ou mudar o sentido, talvez não seja.

Aqui vai um caso específico que me acontecia sempre: a expressão "gracas a". Todo mundo escreve "gracas a" separado, mas o correto é "graças a", com acento. E isso não é locução prepositiva, é uma locução adverbial instrumental que exige a preposição "a" depois. Eu já corrigi documento jurídico três vezes porque o estagiário escrevia "gracas ao fato de" sem o acento e sem entender por quê. A solução foi simplesmente treinar a visão para o padrão gráfico e memorizar as dez expressões mais usadas. Leva uns cinco minutos e resolve pra sempre. Outro problema comum: locução adjetiva versus adjunto adnominal. A diferença é sutil mas importante. Locução adjetiva é a expressão inteira que funciona como adjetivo. Adjunto adnominal é a função sintática. Você pode ter uma locução adjetiva exercendo função de adjunto adnominal. Isso gera confusão na análise porque os livros didáticos às vezes tratam como se fossem a mesma coisa. Na prática, o que importa é saber que "de prata" em "anel de prata" é locução adjetiva e funciona como adjunto adnominal do substantivo "anel".

Pegadinhas e exceções

Tem casos que não se encaixam direito nas categorias tradicionais. "Ao invés de" versus "em vez de". A norma culta prefere "em vez de". "Ao invés de" é considerado vício de linguagem por muitos gramáticos, embora seja amplamente usado. O mesmo acontece com "afim de" versus "a fim de". Um é adjetivo (estão afins), outro é locução prepositiva (estamos a fim de conseguir). Locuções verbais com pronomes átonos também dão trabalho. "Dar-lhe-ei" versus "lhe darei". A colocação pronominal muda dependendo do contexto e isso interfere na identificação da locução. Quando o verbo auxiliar está no futuro do subjuntivo, a próclise é obrigatória na maioria dos casos. "Quando me houver preparado" não pode ser "haver-me-preparado" na fala padrão. Isso é importante porque em análises sintáticas mais rigorosas a posição do pronome afeta a classificação.

O maior gargalo que eu identifiquei ao trabalhar com locuções é a inconsistência entre gramáticas. A de Cunha e Cintra classifica de um jeito, a de Bechara de outro, e a nova norma ortográfica mudou algumas coisas sem ajustar todas as classificações. Na prática, se você está estudando para concurso ou prova acadêmica, confirme qual gramática a banca adota. A diferença geralmente aparece em casos limítrofes como "porque" versus "por quê" e expressões que misturam função adjetival e adverbial. Não existe método perfeito para classificar tudo automaticamente. Linguagem viva tem exceções o tempo inteiro. O que funciona é dominar os padrões principais, conhecer as exceções mais frequentes e saber quando consultar uma gramática de referência em vez de chutar.