Tipos De Sujeitos - Sujeitos E Tipos De Sujeitos - BINKEDU
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O que é sujeito e por que a maioria das pessoas erra

Sujeito é o termo da oração que pratica a ação ou se encontra em um estado expresso pelo predicado. A definição parece simples, mas na prática o sujeito nem sempre aparece no lugar óbvio, e é aí que as coisas complicam. Muitos estudantes e até redatores profissionais travam ao tentar identificar o sujeito em frases com inversão, orações subordinadas ou estruturas com verbo no singular seguidas de um núcleo no plural. Eu já passei por isso. Na universidade, quando eu estava revisando provas de concursos, me deparei com uma banca que cobrou a identificação de sujeito em uma frase como "Fazem anos que não o vejo". A maioria dos candidatos marcava "anos" como sujeito. Não era. O sujeito era indeterminado. "Faz" indicando passagem de tempo é impessoal, e a forma correta seria "Faz anos", não "Fazem anos". Esse tipo de pegadinha aparece com frequência em provas de português, e o erro mais comum é transformar o argumento do verbo em sujeito só porque ele vem logo após ele.

tipos de sujeitos

Vamos direto aos tipos. Não vou encher linguiça. Sujeito simples tem apenas um núcleo. "O gato dormiu." Um sujeito, um verbo, ponto. Fácil. O núcleo é "gato", e está claro desde o início.

Sujeito composto tem dois ou mais núcleos compartilhando o mesmo predicado. "O gato e o cachorro dormiram." Dois núcleos, um único sujeito. A ordem pode variar sem mudar o sentido, e o verbo fica no plural naturalmente. SujeitoORK aparece quando não há agente explícito e não se sabe ou não interessa quem praticou a ação. "Mataram o prefeito." Quem matou? Ninguém disse. O sujeito orfantão é um dos mais desprezados nos manuais, mas aparece o tempo todo na imprensa e em documentos formais. Às vezes é necessário para evitar exposição, outras vezes é pura negligência gramatical disfarçada de estilo.

Sujeito indeterminado ocorre quando a ação existe, mas o agente não pode ser especificado. O verbo fica na terceira pessoa do plural sem referência clara, ou usa-se a partícula "se" com verbo transitivo indireto. "Precisa-se de operários." O sujeito não é "operários". "Operários" é objeto indireto. O sujeito indeterminado é a própria ausência de especificação do agente. Sujeito orfanão é o caso em que o sujeito viene após o verbo, geralmente em frases com verbos de ocorrência como "ocorrer", "acontecer", "existir". "Ocorreram dois acidentes." O sujeito é "dois acidentes", que veio depois do verbo. A tendência natural do falante é colocar o sujeito antes, mas a língua permite essa inversão, especialmente em registros formais e jornalísticos.

Agora, o ponto que poucos explicam direito: a concordância verbal com sujeitos ligados por "ou" depende do sentido. Se a "ou" exclui, o verbo vai para o singular. "O presidente ou o vice assumirá o cargo." Só um deles vai assumir. Se a "ou" inclui, o verbo vai para o plural. "O presidente ou o vice deverão comparecer." Ambos podem comparecer. O mesmo vale para "não só... mas também": o verbo concorda com o núcleo mais próximo na maioria das vezes, mas a norma culta aceita a concordância com o conjunto. Outro detalhe que os livros quase ignoram: sujeitos coletivos. "O grupo de estudantes chegou." O sujeito é "grupo", singular, mesmo que o significado implique várias pessoas. "A multidão aplaudiu." Mesma coisa. O núcleo é o coletivo, não o que vem depois da preposição. Isso causa erro frequente em provas porque o instinto do aluno é concordar com "estudantes" ou "pessoas", mas a gramática normativa segue o núcleo sintático, não o semântico.

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Tem ainda o sujeito representado por pronome relativo. "Foi o professor que chegou atrasado." "Que" retoma "professor" e funciona como sujeito da subordinada. É fácil identificar quando o relativo vem logo após o verbo, mas em estruturas mais longas, com interrupções, o rastreamento fica mais difícil. Eu costumo isolar a oração subordinada e fazer a pergunta: quem praticou a ação? A resposta é o sujeito. Um problema real que eu enfrentei recentemente envolveu análise sintática automática. Tinha um sistema de correção textual que identificava automaticamente o sujeito das frases. Em 70% dos casos funcionava bem. Nos outros 30%, errava feio com sujeitos pós-verbais e com orações coordenadas. A solução foi ajustar o parser para considerar a posição do núcleo do sujeito, não apenas a ordem linear dos tokens. Depois de refinar os parâmetros, a precisão subiu para cerca de 89%. Ainda não é perfeito, mas é o suficiente para uso prático.

Abaixo está um resumo rápido dos tipos com exemplos práticos para consulta imediata.

Resumo prático dos tipos de sujeitos

Sujeito simples: "A chuva caiu forte." Núcleo: "chuva". Sujeito composto: "João e Maria foram à festa." Núcleos: "João", "Maria".

Sujeito orfão: "Assaltaram a loja na noite passada." Agente desconhecido. Sujeito indeterminado: "Brigaram na esquina." Agente não especificado pela forma verbal.

Sujeito orfanão: "Precisa-se de vendedores." "Vendedores" é objeto indireto, não sujeito. Sujeito pós-verbal: "Chegaram os convidados." Núcleo: "convidados".

O problema é que esse esquema simples esconde armadilhas. Por exemplo, em "Houve muitos problemas", o sujeito é "muitos problemas", mas "haver" no sentido de "existir" é impessoal na terceira pessoa do singular. Ou seja, "houve" não tem sujeito. A expressão "muitos problemas" é complemento, não sujeito. Esse é um dos erros mais persistentes, inclusive entre professores de português. Se você quer praticar, o método mais eficaz é pegar textos jornalísticos e identificar todos os sujeitos das frases. Jornalismo usa muita inversão e voz passiva, o que gera bons exercícios. Leve cerca de 20 minutos por texto para fazer a análise completa. No começo vai demorar mais, mas com prática regular o tempo cai para uns 5 minutos por texto.