A forma correta: por que o acento existe
A forma certa é tivéssemos. Com acento agudo no é. Se você escrever tivessem ou tivéssemos sem o acento, está errado. Simples assim, mas a explicação completa é útil pra quem quer entender o porquê e não apenas decorar. Eu me deparei com isso recentemente quando estava revisando um contrato de prestação de serviços. O texto tinha "Caso tivéssemos conhecimento..." e o corretor ortográfico do Word nem sequer sinalizou como erro. Isso já diz muito sobre a confiabilidade das ferramentas que as pessoas costumam usar no dia a dia. Achei estranho porque eu sabia que tinha acento, mas não via nenhum sublinhado vermelho. Aí eu fui no manual da ABL e confirmei: acento sim, obrigatório.
tivéssemos ou tivessemos — qual a diferença prática
O problema é que a pronúncia normal do português brasileiro tende a enfraquecer vogais tônicas em certos contextos, então muitas pessoas falam "tivossemos" sem nem perceber que estão omitindo o som aberto do é. Isso gera confusão na escrita também. Quando você vai digitando rápido, o cérebro às vezes preenche com a forma mais simplificada que ouve no cotidiano. A regra de acentuação em si é direta. O verbo ter no pretérito imperfeito do subjuntivo segue o padrão dos verbos da segunda conjugação (-er). A terminação é -éssemos, com acento agudo na sílaba tônica -ti-VÉS-se-mos. O acento diferencia de outras formas verbais que parecem iguais mas têm outra função gramatical.
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Para o pretérito imperfeito do subjuntivo de verbos regulares terminados em -ER, a desinência é sempre -éssemos/-iessemos, com acento no é. Isso vale para pudéssemos, fizéssemos, devessemos (no sentido de dever/conjugado), e os demais. Não é uma exceção isolada do verbo ter. É o padrão da conjugação. Um detalhe que muita gente perde de vista: o tivéssemos é uma forma do subjuntivo, não do indicativo. No indicativo, a mesma pessoa seria "nós tínhamos" (imperfeito) ou "nós tivemos" (perfeito). O subjuntivo aparece em orações subordinadas que expressam hipótese, desejo, dúvida. Tipo: "Se nós tivéssemos mais tempo, teríamos resolvido." Ou "Espero que nós tivéssemos atenção aos detalhes."
Outro ponto que causa confusão é a grafia sem espaço. Tivéssemos é uma única palavra. Às vezes as pessoas se confundem porque no português coloquial falamos coisas tipo "se a gente tivesse..." que soa similar mas é outra forma verbal (tivesse, terceira pessoa do singular). O nós é que exige a desinência -mos no final. Se quiser confirmar rapidamente de vez em quando, uma saída prática é conjugar mentalmente a primeira pessoa do plural no mesmo tempo verbal de outro verbo que você domine. Pegue o verbo fazer: "Se nós fizéssemos..." — aí você vê o padrão -éssemos e aplica ao ter. Funciona porque ambos seguem a mesma lógica de formação do subjuntivo imperfeito.
O único cenário onde você realmente encontra dúvida é quando o texto é áudio transcrito automaticamente. Ferramentas de transcrição como as nativas do Google Docs ou do WhatsApp frequentemente erram acentos em verbos flexionados porque treinam com dados que não priorizam essa variação. Nesse caso, a verificação manual é inevitável. Eu já perdi tempo revisando transcrições inteiras de reuniões justamente por causa disso. Resumindo de forma bem prática: sempre escreva tivéssemos com acento. Se estiver em dúvida, substitua por fizéssemos no seu pensamento e use o mesmo padrão. E não confie cegamente no corretor do editor de texto — pelo menos não antes de verificar se ele está configurado para português do Brasil com as regras da ortografia vigente.