Ufrgs Redacao - Redação UFRGS Simulado 1 - Fênix | PDF
Redação UFRGS Simulado 1 - Fênix | PDF

Como funciona a redação do processo seletivo da UFRGS

A prova de redação da UFRGS cobra um texto dissertativo-argumentativo em língua portuguesa, com no mínimo 15 e no máximo 30 linhas. O tema é sempre atual, ligado a questões sociais, culturais ou científicas, e o candidato precisa construir uma argumentação coesa, com tese clara, desenvolvimento logicamente encadeado e proposta de intervenção que, se couber, respeite os direitos humanos. O formato exige o uso de letra legível, preferência por caneta azul ou preta, e proibição absoluta de assinatura, marcação identitária ou desenho na folha. Quem escreve em caneta vermelha ou verde perde pontos automaticamente porque a banca não consegue corrigir. Isso acontece todos os anos e quase ninguém leva a sério até perder a vaga.

Dicas para o ufrgs redacao

Uma coisa que muitas pessoas não percebem é que a banca da UFRGS lê centenas de redações no mesmo dia. O avaliador gasta em média dois a três minutos por texto. Se o primeiro parágrafo não deixar claro desde o início qual é a tese do candidato, a prova já começa mal. Não adianta construir uma introdução poética ou enigmática — o leitor precisa entender em dez segundos do que se trata. O desenvolvimento deve ter pelo menos dois parágrafos, cada um trazendo um argumento sustentado por dados, exemplos ou raciocínio lógico. Evite repetir a mesma ideia com palavras diferentes. Já vi candidato usando três parágrafos de desenvolvimento para dizer basicamente a mesma coisa: "o problema é grave". Isso não conta como argumento, conta como preenchimento de espaço.

Um detalhe prático que quase ninguém menciona: a correção ortográfica no computador não substitui a competência de escrever sem erro. A banca avalia a norma culta escrita, então erros de concordância, regência ou acentuação realmente tiram pontos. Não são erros pequenos — cada deslize significativo pode custar metade de um ponto na nota final. Para a proposta de intervenção, quando o tema pedir, é necessário incluir os cinco elementos clássicos: agente, ação, meio ou modo, finalidade e, se relevante, detalhamento. Não basta dizer "o governo deve investir em educação". Precisa dizer qual governo, o que exatamente deve fazer, como fará e para quê. A especificidade é o que separa uma proposta nota máxima de uma que fica na metade.

Outro ponto que passa despercebido: o uso de conectivos. A UFRGS valoriza a coesão textual, mas conectivos soltos sem função argumentativa real não ajudam. Usar "portanto" no meio de uma frase que não é conclusão tira mais pontos do que ganha. O conectivo precisa fazer sentido dentro do raciocínio, senão parece enfeite.

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Estrutura prática para treinar

O cronograma de preparação que funciona na prática é diferente do que muita gente recomenda. Em vez de tentar escrever redações completas todo dia, o ideal é focar primeiro na construção de argumentos. Pegue temas dos últimos cinco anos e liste, em dez minutos, três ideias para cada parágrafo de desenvolvimento. Se não conseguir, significa que ainda não dominou o tema e precisa ler mais antes de escrever. Somente depois de ter os argumentos definidos é que se escreve o texto completo. Esse método economiza tempo e evita o erro mais comum: começar a escrever sem saber onde quer chegar. Já corrigi dezenas de redações em que o candidato desenvolvia argumentos contraditórios porque nunca fez esse planejamento prévio.

Outra técnica útil é o exercício de reescrita. Pegue uma redação sua que ficou boa e reescreva o primeiro parágrafo inteiro. Depois reescreva a proposta de intervenção. Esse trabalho de refinamento vale mais do que escrever cinco redações novas sem revisar nada. A diferença entre uma boa redação e uma excelente está nos detalhes. Quanto ao tempo de prova, a média recomendada é de cerca de cinquenta minutos para quem tem certa experiência. Calma, o relógio não aperta tanto assim na UFRGS, mas ter pressa gera erros bobos de ortografia que poderiam ser evitados. O candidato mediano gasta muito tempo na introdução e acaba apressando o desenvolvimento. O caminho inverso é mais eficiente: introdução rápida, desenvolvimento com calma, intervenção revisada.

Para quem quer praticar, os temas e editais estão disponíveis no site oficial da universidade. Basta acessar o portal da seleção e baixar as provas dos anos anteriores. Não existe material oficial de correção com notas, mas é possível comparar redações de aprovados em processos seletivos de anos passados, quando disponibilizados. Um problema específico que encontrei na prática: candidatos que tentam usar frases longas e complexas para impressionar. O resultado é quase sempre o oposto. Frases com três períodos subordinados, vírgulas mal colocadas e sujeito distante do verbo geram ambiguidade. A banca prefere clareza, mesmo que o período seja simples. Escreva como fala bem, mas com a estrutura da norma culta. Isso é mais difícil do que parece, mas faz toda a diferença na nota final.

O edital costuma mudar ligeiramente a cada ano, principalmente em relação ao número de linhas ou à obrigatoriedade da proposta de intervenção. Sempre verifique o edital vigente antes de se preparar. Confiar em informações de anos anteriores é um erro que já vi repetir muito.