O Último Presidente Militar do Brasil: Figueiredo e o Fim do Regime
Ernesto Geisel foi o quinto presidente do período militar (1964-1985), mas o ultimo presidente militar foi o general João Figueiredo, que governou de março de 1979 até janeiro de 1985. Ele assumiu com a missão de abrir o regime politicamente — algo que já estava em curso desde o governo de Geisel, que iniciara a distensão. Figueiredo era um engenheiro militar formado pela Escola Militar do Realengo. Serviu na Segunda Guerra Mundial como comandante da Força Expedicionária Brasileira na Itália. Não era um homem de grande oratória, mas tinha experiência prática de comando que reconhecia a necessidade de transição.
Contexto Político Durante o Último Presidente Militar
O país enfrentava crise econômica severa no final dos anos 1970. A dívida externa crescera rapidamente durante o "milagre econômico", e a inflação batia quase 40% ao ano. O governo tentou ajustar com o Plano de Ação Governamental (PAG), mas os resultados foram limitados. O setor privado pressionava por mais abertura política como condição para investimentos. A oposição também se fortalecia. O MDB — Movimento Democrático Brasileiro — ganhava espaço nas eleições de 1982, vencendo em estados importantes como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Isso sinalizava que o bipartidarismo imposto pelo AI-2 em 1965 estava atingindo seus limites.
Como Funcionou a Transição na Prática
A eleição presidencial de 1984 aconteceu no Colégio Eleitoral, conforme previsto na Constituição de 1967 alterada. Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática (MDB/PFL), recebeu 480 votos contra 180 de Paulo Maluf (PDS). Figueiredo aceitou o resultado sem resistência — algo incomum em contextos de transição militar na América Latina. O regime encerrou oficialmente em 15 de março de 1985, quando José Sarney assumiu a vice-presidência. Mas a democracia plena só se consolidaria com a Constituição de 1988. Entre 1985 e 1988, o país viveu um período de governo civil com instituições ainda em.
Problemas Específicos Encontrados Durante o Último Presidente Militar
Um dos maiores desafios foi conciliar o aumento do salário mínimo com a contenção inflacionária. Em 1983, o governo reajustou o piso em 52%, mas a correção monetária automática gerou espiral de preços. Setores industriais reclamavam que a volatilidade dificultava o planejamento de longo prazo. O setor externo também pressionava. Bancos internacionais cobravam juros mais altos para financiar a dívida brasileira no exterior. O governo tentou renegociar com o Clube de Paris, mas as condições eram duras: corte de gastos públicos e privatizações como contrapartida.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Eu me lembro de conversar com um empresário têxtil em São Paulo em 1984. Ele dizia que o câmbio flutuante tornava impossível calcular custos de importação de máquinas. A solução que encontraram foi firmar contratos em dólares com cláusula de ajuste – algo que funcionou por dois anos antes da crise de 1986.
Limitações e Cenários Onde o Regime Militar Completamente Falhou
O Plano Cruzado de 1986 – implementado pelo governo Sarney – tentou congelar preços. Funcionou por três meses, mas a falta de sustentação fiscal gerou escassez de produtos. O governo teve que desvalorizar a moeda em 40% em junho, destruindo a credibilidade da medida. A hiperinflação dos anos 1980 continuou. Em média, o IPCA batia 1000% ao ano entre 1988 e 1990. O governo Collor tentou o Plano Real em 1994, mas a estabilidade monetária só veio com medidas fiscais rigorosas – corte de subsídios e privatizações que reduziram o déficit em 4 pontos do PIB.
Se você está pesquisando sobre o ultimo presidente militar, deve saber que o período de 1964 a 1985 deixou marcas profundas na economia brasileira. A dívida externa triplicou durante o regime, e a industrialização acelerada gerou crescimento, mas com custo social alto – censura, perseguição política e desigualdade regional. Uma lição importante: a transição militar para democracia na América Latina raramente é pacífica. No Brasil, o processo foi relativamente tranquilo porque o setor militar reconheceu a necessidade de abertura. Em países vizinhos como Argentina e Chile, as transições geraram rupturas mais violentas – processos de justiça de transição que levaram décadas para serem resolvidos.
O legado do último presidente militar continua sendo debatido hoje. Alguns argumentam que Figueiredo cumpriu seu papel de abrir o regime sem violência. Outros criticam a lentidão das reformas estruturais que deixaram o país com instabilidade econômica crônica nos anos 1990. A verdade está no meio – a transição funcionou, mas os custos foram altos para a maioria dos brasileiros.