Uma Vez Uma Aguia Um Romance - A Fábula da Águia e da Galinha Era uma vez um camponês que, ao passear ...
A Fábula da Águia e da Galinha Era uma vez um camponês que, ao passear ...

Sobre o livro "Uma Vez uma Águia"

Esse é um romance brasileiro que não encontra fácil categorização. O livro é de autoria de Marcelo Camelo e foi publicado em 2015. Não é o mesmo Camelo da banda Cássia Eller, esse tem o mesmo nome, coisa estranha mesmo. A obra mistura narrativa contemporânea com elementos que beiram o surrealismo, mas sem o dramatismo que a crítica costuma amar tanto. O protagonista é um homem que trabalha com turismo de aventura no interior de Minas e vai sendo envolvido por acontecimentos que nunca fizeram sentido pra ele.

uma vez uma aguia um romance: contexto e publicação

O romance foi lançado pela editora Companhia das Letras. A edição física tem 240 páginas, formato padrão de bolso. A obra recebeu boa acolhida na época, mas o que interessa de verdade é como ela se sustenta depois que a hype inicial passa. Li duas vezes e a segunda leitura foi mais frutífera, principalmente porque percebi que o narrador conta os fatos de forma deliberadamente desordenada, o que faz o leitor reconstruir a cronologia por conta própria. Não adianta esperar um enredo linear. Se você quer algo tipo início, meio e fim bem definidos, vai travar nos primeiros cinquenta páginas e desistir. O livro funciona como um quebra-cabeça onde as peças não encaixam na ordem que o autor mostra. Eu passei duas semanas sem conseguir entender por que a personagem feminina agia daquela certa forma, até perceber que o próprio narrador também não sabia. Isso não é um defeito, é a estrutura proposital do texto.

Como funciona a narrativa

O texto alterna entre terceira pessoa limitada e trechos em primeira pessoa, sem aviso prévio. Isso confunde muita gente no começo. Eu já vi gente reclamando disso em fóruns, dizendo que parecia leitura defeituosa. Não é. É a técnica que o autor escolheu e ela funciona quando você entrega a resistência e deixa o texto fluir. Um detalhe importante que pouca gente menciona: as descrições de paisagem não são só pano de fundo. Elas são quase personagens. A mata de Minas, o rio, as estradas de terra — tudo isso aparece com tanta densidade que acaba direcionando o clima emocional da história sem o autor precisar descrever sentimento nenhum. Eu sempre achei que esse tipo de técnica exigisse muito do escritor e pouco do leitor, mas nesse caso ambos trabalham em pé de igualdade.

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O que funciona e o que não funciona no livro

O que realmente salva a obra é o ritmo. Mesmo com a narrativa fragmentada, você não sente preguiça de continuar. Cada capítulo é curto, o que facilita a leitura em sessões de vinte, trinta minutos. Isso é raro. Muitos romances contemporâneos acham que qualidade literária exige densidade, e acabam escrevendo livros que parecem obrigação. A parte que não funciona é o final. Ele deixa pontas soltas demais. Eu entendo a intenção artística, mas na prática quem gosta de fechamento narrativo vai sair frustrado. Li comentários dizendo que parecia que o autor tinha desistido no meio do caminho. Tem razão. Mas também tem quem defenda que o final aberto é a parte mais honesta do livro, porque a vida real não fecha nada. Sinceramente, acho que o autor poderia ter dado um mínimo de amarração sem perder a qualidade.

Outro ponto: a escrita é boa, mas não é brilhante em todos os momentos. Existem frases que impressionam e outras que parecem rascunho. Em média, o livro entregaria cerca de dezesseis páginas de material muito bom para cada página que poderia ter sido cortada. Nada fatal, mas dá pra notar.

Dica prática de leitura

Se você vai ler, recomendo anotar os nomes dos personagens conforme vai aparecendo. O livro introduce gente nova o tempo todo e a confusão entre eles é real. Eu fiz isso na primeira leitura e na segunda já tinha facilidade maior. Também ajuda ler em versão física, não em eBook. A sensação de folhear e voltar páginas earlier é parte da experiência. Parece besteira, mas faz diferença no entendimento da trama.