Abençoe ou abençõe: a confusão ortográfica que todo mundo comete
A dúvida entre abençoe e abençõe é mais frequente do que parece. A maioria das pessoas escreve "abençõe" no dia a dia, e não por acaso: a grafia com til parece correta porque remete ao plural do verbo, mas está errada na maioria dos usos. Vamos explicar isso direito.
Abencoe ou abençõe: qual a forma correta?
A forma correta é abençoe. A grafia "abençõe" é um erro ortográfico comum. A diferença está na flexão verbal e na regra de acentuação do português. O verbo abençoar segue a conjugação regular da primeira conjugação (-ar). No presente do subjuntivo, que é onde essa dúvida aparece, a flexão é:
Que eu abençoe
Que tu abençoes
Que ele abençoe
Que nós abençõemos
Que vós abençoeis
Que eles abençoem Repare que a forma abençoem (plural, terceira pessoa) é que carrega o "em" final, e não "õe". Já abençõe com til simplesmente não existe na conjugação padrão. O til apareceria se estivéssemos lidando com uma paroxítona terminada em -õe, como em "parabéns" ou "corações", mas esse não é o caso aqui.
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O que gera a confusão é a associação mental com o plural abençoam (presente do indicativo, 3ª pessoa). Quem fala "eles abençoam" pensa automaticamente no som nasal e projeta o til para a forma flexionada no subjuntivo. O ouvido engana. A escrita, não. Na prática, encontrei isso em revisões de textos jurídicos e religiosos com frequência. Um documento tinha "que Deus abençõe você" repetido cinco vezes. O correto, naturalmente, seria "abençoe". Esse tipo de erro passa despercebido porque a pronúncia é idêntica no sotaque padrão do português brasileiro — tanto que muitos falantes nem percebem a diferença entre "abençoe" e "abençõe" quando ouvem. Mas em texto escrito a distinção é clara e quem revisa nota na hora.
Uma dica útil: se você está na dúvida, conjuge o verbo no plural. "Eles abençoam" "que eles abençoem". Repare que o plural não tem til. Se a forma plural não leva til, a forma singular no subjuntivo também não leva. Isso resolve a maioria dos casos parecidos, como perdoe/perdoo, conceda/concedo, e assim por diante. Outro ponto que as pessoas não levam em conta: o hífen na grafia original é irrelevante para a flexão. O verbo é abençoar, sem hífen. A forma com hífen pode aparecer em construções pronominais como "abençoar-te", mas isso não muda a conjugação em si. Não deixe a presença ou ausência de hífen influenciar sua decisão sobre o til.
Resumindo de forma direta: use sempre abençoe, sem til. Em qualquer pessoa do singular no presente do subjuntivo, em imperativo afirmativo, ou em qualquer outro contexto que não seja o plural abençoem. Se o texto exige a forma com "em" final, aí sim use o plural. Tudo o que vier entre esses dois casos — incluindo "abençõe" — é erro de grafia. Para consultas rápidas, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da ABL lista a forma correta, e ferramentas como o Dicio ou o Michaelis também confirmam. O importante é não confiar apenas na intuição fonética, porque o português escrito pune essa confiança com frequência.