Aparelho De Som Gradiente Anos 90 - Conjunto de Som Gradiente/Aiwa anos 80/90 - Aparelhos de Som - Icaraí ...
Conjunto de Som Gradiente/Aiwa anos 80/90 - Aparelhos de Som - Icaraí ...

Restaurando um Gradiente dos anos 90

O aparelho de som gradiente anos 90 é basicamente uma das caixas de som mais comuns que você ainda encontra em bazares, sebos e vendas de garagem no Brasil. A marca Gradiente era onipresente nos anos 90, especialmente os modelos com controle de volume giratório, botão de balanceamento e aquelas entradas vermelha e branca para áudio. Você provavelmente já viu um. O problema real não é ter um aparelho desses. O problema é quando ele para de funcionar ou o som fica distorcido. A maioria desses equipamentos usa capacitores eletrolíticos nos filtros de crossover e na alimentação, e esses componentes secam com o tempo. Não é mágica. É química. Com dez, quinze anos, o eletrólito dentro deles evapora e a capacitância cai. O resultado é distorção em altos volumes, zumbido de fundo ou falta completa de som em uma das caixas.

Como diagnosticar problemas no aparelho de som gradiente anos 90

Comece pelo básico, mas faça do jeito certo. Abra a caixa e olhe os capacitores. Os que estão inchados, com vazamento ou topo convexo precisam ser trocados imediatamente. Mas os que parecem normais podem estar ruins. Use um multimetro com função de capacitância para medir cada um. O valor nominal está impresso no corpo do componente, tipo 47µF ou 100µF. Se a medição estiver 30% abaixo do nominal, troque. Não adianta só olhar. A aparência não diz nada sobre o estado real. Outro ponto crítico são os potenciômetros. O de volume e o de balanceamento são os primeiros a falhar. Quando você gira e o som fica cortado, chiando, intermitente, o potenciômetro está sujo ou desgastado. A solução rápida é jogar contacto cleaner dentro e girar várias vezes. Funciona na maioria das vezes. Mas se o pot estiver fisicamente desgastado pelo uso, o cleaner só adia o problema. Aí precisa substituir por um equivalente.

Eu tive um modelo GS-2000 aí na bancada mês passado que tinha um sintoma estranho. O som só funcionava quando a pessoa segurava o botão de volume pressionado contra a caixa. O potenciômetro estava literalmente sem contato interno por desgaste. Eu limpei com contacto cleaner três vezes, girei centenas de vezes, testei com multimetro a resistência variando o eixo. Nada. A solução foi comprar um potenciômetro novo genérico do mesmo valor Ohm e mesma potência, soldar no lugar do original e ajustar o eixo para caber na carcaça. O original da Gradiente era de 50k linear. Um potenciômetro genérico de 50k linear resolveu. O gabinete ficou levemente desalinhado no botão, mas funciona perfeitamente.

Manutenção preventiva

A troca de capacitores eletrolíticos por filmes de poliéster ou cerâmica não é simples assim. Alguns circuitos precisam mesmo de capacitância eletrolítica por causa da frequência de corte e da corrente que passam. Colocar um capacitor de filme no lugar errado pode mudar completamente a resposta de frequência e deixar o som agudo demais ou abafado. Eu já fiz essa besteira numa caixa de som e tive que refazer o crossover inteiro. A lição é: troque por eletrolíticos novos da mesma capacidade e tensão igual ou superior. Não tente economizar usando componentes diferentes sem entender o circuito. Os fusíveis também merecem atenção. Se o aparelho não liga de jeito nenhum,meça a continuidade do fusível antes de presumir que o transformador queimou. Na maioria das vezes o fusível está aberto e o transformador tá bom. Troque por um do mesmo valor. Nunca coloque um fusível de amperagem maior pra tentar fazer funcionar. Isso só vai queimar o transformador ou pior.

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A conexão entre as caixas e o amplificador interno às vezes solta. Os cabos finos que vão até os drivers podem arrebentar perto do ponto de solda, principalmente em caixas que foram movidas com frequência. Verifique a continuidade de cada fio do alto-falante até a placa. Se houver interrupção, ressolda ou substitua o fio. Cabos flexíveis de cobre nu são suficientes. Nada de improvisação com fita isolante em emenda.

O que esperar de um aparelho de som gradiente anos 90 hoje

Esses aparelhos não são high-end. O som é razoável para uso doméstico, rádio, TV, celular. A qualidade não compete com caixas de marca premium atuais. Mas o preço é imbatível quando está restaurado. Um aparelho em condições originais sem manutenção custa entre 50 e 150 reais em brechós online. Depois de restaurado, vale o esforço porque a durabilidade aumenta muito. O ponto fraco mais comum é a placa de circuito impresso trincada por calor excessivo ou flexão mecânica. Uma trinca numa trilha de alimentação pode causar intermitência. Use uma lupa e examine todas as trilhas. Se encontrar fissura, faça um jumper de fio fino soldado em cima da trilha rompida. Isso restaura a conexão elétrica.

Também é comum a borracha do speaker degrade. Com o tempo, a espuma que envolve a borda do cone de papel se desfaz. O som fica metálico, sem graves, com ruído de raspagem. A substituição da espuma do cone é viável. Compre espuma de replacement para alto-falante do mesmo diâmetro, aplique cola de contato e substitua a borda velha. Não use cola quente ou super bonder direto no cone de papel. Danifica o material. Se o transformador de alimentação estiver realmente queimado, a substituição exige buscar um com as mesmas especificações de tensão e corrente. Gradiente usava transformadores de 12V ou 18V em muitos modelos, com correntes entre 1A e 2A. Meça a tensão secundária com multimetro antes de comprar. Se não tiver o modelo exato, um transformador genérico das mesmas especificações funciona. A tensão não pode ser significativamente maior que a original, senão queima os componentes da placa.

Considerações finais sobre restauração

Não há segredo. A maioria dos problemas em aparelho de som gradiente anos 90 são capacitores secos, potenciômetros sujos e conexões frouxas. Resolver esses três itens resolve 80% dos casos. O resto é questão de tempo e paciência. Se o equipamento tiver dano estrutural sério na carcaça ou na placa, pode não valer o esforço. O custo de peças e tempo pode ultrapassar o valor de um aparelho similar usado em bom estado comprado pronto. A melhor abordagem é sempre diagnosticar antes de trocar qualquer coisa. Teste, meça, isole o problema. Trocar componentes por tentativa e erro gasta dinheiro e tempo sem garantia de resultado. Um multímetro básico de 50 reais resolve a maior parte dos diagnósticos em caixas de som antigas.