O que são D1 a D5 na redação do ENEM
As competências avaliadas na redação do ENEM são divididas em cinco dimensões, chamadas de D1 até D5. Cada uma vale de 0 a 200 pontos, e a soma forma a nota final. A estrutura é simples, mas os critérios internos têm armadilhas que a maioria dos candidatos ignora até levar zero em uma delas. O D1 avalia o domínio da modalidade escrita formal. Não se trata apenas de escrever sem erros de ortografia. O examinador olha para coesão gramatical, concordância, regência, pontuação e registro. Erros recorrentes de vírgula ou uso indevido de "a/m" já derrubam a nota. A média dos candidatos que ficam abaixo de 160 no D1 é composta principalmente por quem confunde uso de crase e quem coloca vírgula antes de "que" em orações subordinadas substantivas. Isso é fácil de corrigir com revisão, mas a correção precisa ser feita com consciência, não por instinto.
O D2 avalia a compreensão do tema e a capacidade de estruturar argumentos dentro de um projeto de texto. Aqui está um detalhe que poucos entendem: o D2 não pune apenas quem fugiu do tema. Ele também pune quem escreveu sobre o tema correto mas não desenvolveu tese. Ou seja, se você repetir o tema em cada parágrafo sem defender uma ideia central, a nota cai. Um candidato meu que fiz revisão em 2023 tinha um texto bem escrito gramaticalmente, mas não apresentava tese explícita no segundo parágrafo. Ficou com 140 no D2 porque o parecer textual classificou como "tese presente de forma implícita e insuficiente". A correção foi simples: inserir uma frase assertiva no início do segundo parágrafo dizendo exatamente qual era sua posição.
d1 e d2 redação exemplos práticos
Vou mostrar dois trechos curtos para deixar claro a diferença entre um texto que passa e um que não passa nesses critérios. Exemplo com nota baixa no D1:
"O problema da violência no Brasil é que muita gente morre e isso é muito ruim pra sociedade, ai precisa resolver logo." Erros evidentes: "pra" em lugar de "para", "ai" em lugar de "há", registro coloquial ("muito ruim"), falta de conectivos formais, construção fragmentada. Esse tipo de trecho geralmente rende entre 80 e 120 no D1.
Exemplo com nota aceitável no D1: "A violência no Brasil configura-se como um problema estrutural, cuja solução exige políticas públicas eficazes e fiscalização rigorosa dos órgãos competentes."
Registre-se aqui: "cuja" foi usado corretamente, a regência está adequada, e o vocabulário é formal. Esse trecho sustenta uma nota acima de 160 no D1. Agora o D2. Um texto que não tem tese não avança. Veja:
"A desigualdade social é um tema muito discutido no Brasil. Existem muitos fatores que contribuem para esse problema. O governo deveria fazer mais para resolver." Não há tese. Há apenas afirmações genéricas. A nota no D2 seria até 120, pois o examinador não consegue localizar uma posição argumentativa consistente.
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Com tese clara: "A desigualdade social no Brasil persiste não por falta de programas governamentais, mas pela incapacidade de implementação e pela continuidade de estruturas coloniais que perpetuam a exclusão."
Esse parágrafo entrega tese, perspectiva argumentativa e direcionamento claro para o desenvolvimento. Nota no D2: 180 a 200. O D3 avalia a seleção e organização dos argumentos. Um erro comum é acumularem factoides soltos em vez de argumentos encadeados. Cada argumento precisa sustentar a tese e ser desenvolvido com dados, exemplos ou raciocínio lógico. A ausência de desenvolvimento leva à nota baixa independentemente da qualidade gramatical.
O D4 trata da coerência e coesão textual. Não se trata apenas de usar conectivos. Conectivo mal colocado quebra a progressão argumentativa. Use "portanto" quando houver conclusão lógica, não como sinônimo de "além disso". O examinador distingue esses usos com facilidade. O D5 é a parte mais cobrada e a mais negligenciada: a proposta de intervenção. Ela precisa ter cinco elementos completos: agente, ação, meio/modo, detalhamento e objetivo. Faltar qualquer um desses reduz a nota drasticamente. Um detalhe importante: propor que "o governo resolva" sem especificar como e por qual meio é a causa mais frequente de nota zero no D5. Eu vi candidato propor a criação de um ministério novo sem indicar financiamento, legalidade ou mecanismo de fiscalização. Zero no D5.
Outra coisa que quase ninguém explica: o D5 não exige que a solução seja viável ou realista. Ele exige que os cinco elementos estejam presentes e coesos com o tema. Uma proposta absurdamente cara ainda ganha pontos se estiver completa e coerente. O que realmente zera é a ausência de algum desses cinco elementos ou a proposta fora do tema.
Como preparar um texto que passe nos cinco critérios
O caminho mais direto é construir um esqueleto antes de escrever. Defina a tese na introdução. Escolha dois argumentos no desenvolvimento. Prepare a intervenção com os cinco elementos antes de fechar o rascunho. Isso elimina a maior parte dos erros que derrubam notas. Uma técnica útil é revisar o texto procurando especificamente por um erro de cada vez. Primeira leitura: erro de concordância. Segunda leitura: crase e regência. Terceira leitura: conectivos e coesão. Quarta leitura: elementos da intervenção. Se você revisar de uma vez só, vai pular coisas. A revisão parcial por foco funciona melhor do que uma revisão genérica.
O tempo médio que um corretor leva para analisar uma redação é de cerca de quatro minutos. Ele não lê como um professor de português faria. Ele verifica presença ou ausência de critérios. Isso significa que clareza supera sofisticação. Um texto simples, bem organizado e sem erros grammaticais ganha mais pontos do que um texto elaborado com erros sutis. Um problema que encontrei recentemente: candidatos começam a usar termos técnicos e conceitos filosóficos sem domínio real. Citar Foucault de forma genérica ou usar "hegemonia" sem contextualização não agrega pontos no D2 e pode até reduzir se o argumento ficar incoerente. O uso de referências precisa estar a serviço da argumentação, não como enfeite.
Se quiser praticar, os bancos de redações avaliadas estão disponíveis gratuitamente no site oficial do INEP. Lá você encontra questões anteriores, modelos de respostas nota mil e os pareceres textuais que explicam exatamente o que foi observado em cada competência. Usar os pareceres como guia de correção própria é mais eficiente do que apenas escrever sem receber feedback. Para baixar os materiais oficiais, acesse o portal do ENEM e baixe o arquivo com as competências e os descritores de correção. O documento é atualizado a cada edição, então confirme a data da versão antes de estudar.
A parte mais honesta que posso dizer: nenhum método garante nota alta sozinho. A prática constante com revisão orientada é o que produz resultado. Se você estiver com pouco tempo, foque primeiro no D1 e no D5. São os critérios mais fáceis de melhorar com revisão direta. O D2 e o D3 exigem leitura e argumentação, que levam mais tempo para amadurecer. O D4 melhora naturalmente conforme a estrutura do texto fica mais consistente.