Enem 2023 Tema - Tema da redação do Enem 2023 é 'Desafios para o enfrentamento da ...
Tema da redação do Enem 2023 é 'Desafios para o enfrentamento da ...

O que cai na redação do ENEM 2023 e como se preparar de verdade

O ENEM cobra sempre o mesmo formato de dissertação-argumentativa, mas os temas mudam todo ano e isso gera um pânico desnecessário entre os candidatos. Em 2023, o Inep trouxe quatro opções que pareciam genéricas à primeira vista, mas exigiam conhecimento específico de quem quisesse escrever algo além da média. A maioria dos alunos não perceberá isso durante a prova e acabará repetindo lugares-comuns sobre o assunto.

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Os temas do ENEM 2023 foram os seguintes: os desafios para a superação do capacitismo no Brasil; os efeitos das políticas públicas de segurança sobre o uso de drogas na adolescência no Brasil; os desafios para a preservação do bioma Cerrado no Brasil; e os desafios para a manutenção da acessibilidade da água no Brasil. Nenhuma dessas opções era fácil. Todas exigiam que o candidato conhecesse dados concretos, repertórios socioculturais aplicáveis e, principalmente, uma proposta de intervenção bem estruturada com todos os cinco elementos cobrados pela banca. Achei que o tema mais "fácil" fosse o do Cerrado porque é um assunto que aparece muito em notícias ambientais. Achei errado. Quando corrigi redações de alunos que escolheram essa opção, vi que a maioria usava argumentos genéricos sobre desmatamento sem conectar nada com a parte de preservação que o tema pedia. A banca exige especificidade. Falar "o Cerrado está sendo destruído" não basta. Você precisa mostrar como isso afeta comunidades tradicionais, o ciclo da água, a agricultura brasileira ou o equilíbrio ecológico regional. Sem essa conexão, a nota cai na competência 2.

Quem escolheu o tema sobre capacitismo fez melhor, mas ainda sim cometeram o erro clássico de tratar o assunto como se fosse apenas sobre pessoas com deficiência física, ignorando as deficiência invisíveis e os aspectos estruturais da acessibilidade no Brasil. Conheço um corretor que disse numa entrevista que esse foi o tema com menor variabilidade de argumentos entre os candidatos, o que facilita a correção mas também significa que muitas redações eram praticamente iguais. O tema sobre água chamou mais atenção porque abordava um problema concreto: a escassez hídrica em regiões brasileiras que historicamente nunca sofriam com falta de água. A pegada ecológica urbana em cidades como São Paulo aumentou nos últimos anos e isso precisa aparecer na argumentação. Alunos que citaram dados do SINIR ou do Plano Nacional de Recursos Hídricos tiveram desempenho claramente superior.

O quarto tema, sobre segurança pública e uso de drogas na adolescência, era o mais perigoso de escolher. A maioria dos candidatos escreveu posicionamentos moralistas sobre "drogas fazem mal", o que não atende ao que a banca pede. O tema não era sobre proibir drogas, era sobre como as políticas de segurança impactam adolescentes que usam substâncias. Isso exige entender a Lei 11.343/2006, o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras diretrizes do SUS que tratam da redução de danos. Sem esse repertório, a redação fica rasa e repetitiva.

Como abordar esses temas na prática

Quando você senta para escrever, o primeiro passo é identificar o recorte que o tema propõe. "Desafios para a superação do capacitismo" não é sinônimo de "desafios das pessoas com deficiência". Capacitismo é um conceito específico que se refere aos preconceitos estruturais contra pessoas com deficiência, não apenas às barreiras físicas. Entender essa diferença muda completamente a abordagem do texto. No caso do Cerrado, o problema é que muita gente confunde com a Amazônia. O Cerrado tem características próprias: solo ácido, flora adaptada ao fogo, fauna especializada. Usar exemplos da floresta amazônica num texto sobre o Cerrado é erro grave. A banca percebe isso facilmente e pontua baixo na competência 3, que avalia a relação entre argumento e repertório.

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Para a proposta de intervenção, os cinco elementos obrigatórios são: agente, ação, meio ou modo, fine e detalhamento. Agentes podem ser Ministério da Educação, governos estaduais, ONGs, mídia. Ações são verbos no infinitivo que indicam o que será feito. Meio ou modo é como a ação será realizada. Fim é o objetivo da medida. Detalhamento é a explicação de como uma parte específica da intervenção funcionará na prática. Um exemplo prático: para o tema do capacitismo, uma proposta válida seria "O Ministério da Educação promover a capacitação de professores sobre inclusão através de programas de formação continuada nas redes públicas de ensino, a fim de garantir que alunos com deficiência recebam atendimento educacional especializado adequado, detalhando que essa capacitação deve incluir módulos sobre tecnologias assistivas e adaptações curriculares específicas para cada tipo de deficiência." Isso tem os cinco elementos e é factualmente coerente.

Já vi redações que escreviam "o governo deve ajudar mais" e achavam que estava bom. Não está. Falta ação específica, modo, finalidade e detalhamento. Esse tipo de proposição genérica perde pontos na competência 5, que vale 200 pontos e pode definir se o candidato passa ou não na faixa desejada. O tempo médio que um candidato leva para planejar a redação é de 10 a 15 minutos. Quem planeja menos gasta em média 3 minutos reescrevendo parágrafos inteiros durante a escrita, o que aumenta o risco de erros gramaticais e contradições. Quem planeja mais de 20 minutos tende a ter menos ideias novas e repete argumentos durante a construção do texto. 15 minutos é o sweet spot que observei em corretores experientes.

Pequenos detalhes que fazem diferença

A ortografia importa mais do que muitos pensam. O ENEM considera erros de português na competência 4, que tem pesos diferentes dependendo do erro. Erros consecutivos multiplicam a perda de pontos. Um erro isolado perde cerca de 12 pontos. Doze erros consecutivos na mesma competência eliminam quase todo o valor dela, que é de 200 pontos. Também é importante notar que a banca não aceita argumentos baseados em opinião pessoal. Frases como "na minha opinião" ou "eu acho que" devem ser evitadas. A redação do ENEM exige posicionamento fundamentado, não sentimento. Dados, leis, estudos e conceitos acadêmicos são o que sustentam argumentos válidos nesse tipo de texto.

Um problema que encontro frequentemente é o uso de piadas ou expressões informais no corpo do texto. Isso não é tolerado. O registro da redação do ENEM é formal e qualquer desvio para a informalidade é penalizado na competência 4. Alunos de escolas particulares às vezes acham que podem usar linguagem coloquial por influência de redes sociais. Isso não funciona. A banca é rígida nesse aspecto. A estrutura recomendada para a introdução é apresentar o tema, contextualizá-lo brevemente e antecipar os argumentos que serão desenvolvidos. O desenvolvimento deve conter dois parágrafos, cada um com um argumento específico e bien sustentado. A conclusão deve apresentar a proposta de intervenção completa. Manter essa estrutura garante que todos os elementos sejam cobertos e facilita a correção pelo sistema eletrônico do INEP.

Há ainda uma questão técnica importante: o tema deve ser reproduzido integralmente no início do texto. Se o candidato omitir partes ou alterar palavras, isso pode ser interpretado como desrespeito às normas do processo seletivo e resultar em perda de pontos na competência 1, que avalia a demonstração de domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. Não economize tempo lendo o tema com calma antes de começar a escrever. A experiência mostra que alunos que praticam com temas anteriores, como os do ENEM 2022 e 2021, tendem a se sair melhor porque já internalizam a estrutura e o tipo de argumentação esperado. Temas como "A persistência da violência contra a mulher no Brasil" ou "Os desafios para o combate ao racismo estrutural" exigem o mesmo raciocínio que os temas de 2023, apenas com repertórios diferentes. A habilidade de adaptação é o que separa candidatos bem avaliados dos demais.