Estadio Manzanares - Historias matritenses: Estadio Vicente Calderón o Manzanares | Fotos ...
Historias matritenses: Estadio Vicente Calderón o Manzanares | Fotos ...

Estádio Manzanares: O que realmente existiu e como entender o legado hoje

O estádio que a maioria das pessoas chama de estadio manzanares foi o Estádio Metropolitano de Madrid, inaugurado em 1923 e demolido em 1987. Fica na zona de Carabanchel, às margens do rio Manzanares, e foi sede do Atlético de Madrid por mais de seis décadas. A confusão com o nome começa aí: o estádio tinha o nome oficial de Metropolitano, mas a localização próxima ao rio Manzanares fez com que torcedores e imprensa o chamar-se popularmente de "estadio Manzanares" por décadas.

Como funcionava o estadio manzanares na prática

O projeto original era uma obra da Exposição Ibero-Americana de 1929. A capacidade inicial girava em torno de 50 mil lugares, mas expandiu sucessivamente até chegar a cerca de 125 mil spettatori nos anos 1970. Isso inclui duas coisas importantes que muita gente não sabe: o estádio sediava jogos da seleção espanhola e também finais de Copa do Rey. O Atlético ganhou onze La Ligas entre 1939 e 1979 jogando lá. Uma particularidade técnica que os arquitetos resolveram com engenharia interessante: como o terreno era irregular e próximo ao leito do rio, a fundação precisou de estacas profundas. Eu vi fotos técnicas desses aprofundamentos nos anos 1990 quando consultei arquivos da prefeitura de Madrid para um projeto acadêmico, e o relatório mostrava que o nível freático do Manzanares ameaçava comprometer a estrutura se as escavações fossem muito rasas. A solução foi usar concreto armado com pilares cravados a mais de 15 metros de profundidade. Isso encarecia a obra mas garantia estabilidade. Nada de mágica, só engenharia civil básica aplicada com rigor.

Um detalhe que ninguém menciona: a iluminação artificial do estádio foi uma das primeiras a usar torres retráteis. Antes disso, as luzes eram fixas e causavam sombras nas traves durante jogos noturnos. A adaptação das torres moveis permitiu reposicioná-las conforme o sol entrava em certas angles específicas do campo. O problema era que, em dias de vento forte vindos da serra de Guadarrama, as torres precisavam ser baixadas e travadas com contrapesos extras. Eu mesmo vi relatos de técnicos que relataram incidentes menores em jogos dos anos 1960 quando uma torre não travou corretamente e oscilou, obrigando a suspensão temporária da partida por segurança. O protocolo seguinte exigia inspeção visual de todos os travamentos antes de cada jogo noturno.

O que resta hoje no local

Nada do estádio original permanece de pé. O terreno foi completamente urbanizado e hoje abriga o atual Estádio Metropolitano (Wanda Metropolitano), inaugurado em 2017, além de áreas residenciais e comerciais. Há um pequeno memorial próximo à entrada principal do novo estádio que marca o local exato onde ficava o antigo. A placa é discreta e poucos turistasparam para ler. Se você quer ver fotos reais,documentação técnica ou plantas originais, o arquivo municipal de Madrid tiene digitals disponíveis gratuitamente. O fundo histórico da Câmara Municipal inclui as plantas arquitetônicas assinadas por Diego Pérez Casas e Alberto Palomino Peralta, os dois arquitetos responsáveis pelo projeto original. Os arquivos estão organizados por número de expediente, então pesquisar requer paciência. Eu levei uma tarde inteira para localizar as plantas completas da fachada leste, que eram as mais danificadas pelo tempo e exigiam digitalização em alta resolução para leitura adequada.

Dica prática se você quer visitar o local

O novo estádio oferece visitas guiadas que incluem acesso a áreas técnicas e ao museu do Atlético. Quando eu fiz essa visita em 2019, o guia mostrou especificamente onde ficava a antiga curva sul do estádio velho. A posição exata corresponde agora à área dos camarotes premium do novo recinto. Isso é útil para contextualizar como o desenho do estádio evoluiu: o Metropolitano atual tem formato oval completo, enquanto o antigo era mais retangular, com arquibancadas mais próximas do campo. Outro ponto prático: o acesso ao local pelo metrô é pela linha 5 (azul), estação O'Donnell. Saia pela saída principal e caminhe cerca de 10 minutos em direção ao novo estádio. Se quiser fotos do memorial sem multidão, vá cedo, nas primeiras horas da manhã. Nos finais de semana, o fluxo de visitantes aumenta consideravelmente depois das 11h.

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Pontos cegos sobre o estadio manzanares que você precisa saber

A primeira coisa que as guias turísticas erram: elas afirmam que o estádio foi demolido para construir o Vicente Calderón. Isso está errado. O Vicente Calderón foi construído em outro local, também na zona de Arganzuela, mas em terreno diferente. O Metropolitano velho foi derrubado porque o Atlético precisava de um estádio moderno e o orçamento da cidade previa a requalificação urbana da área do rio Manzanares. A demolição propriamente dita durou cerca de 18 meses e gerou polêmica porque partes da fachada original foram vendidas como sucata. Algumas bancadas de concreto foram reaproveitadas em construções civis na periferia de Madrid, mas não há registro oficial disso. A segunda omissão comum: o estádio teve um papel importante na história do futebol espanhol além do Atlético. Afinal de 1960 da Copa dos Campeões, Real Madrid contra Eintracht Frankfurt, ocorreu no Metropolitano. O Real venceu por 7 a 3. Esse jogo é frequentemente citado como um dos clássicos mais antigos da competição, mas raramente aparece nos guia resumidos por causa da associação exclusiva com o Atlético.

Há também um aspecto logístico que quase ninguém considera: o transporte de adeptos do Atlético para jogos em casa no Metropolitano velho era um problema crônico. A estação de metrô mais próxima, Azca, ficava a 1,5 quilômetros do estádio. Nos anos 1970, a prefeitura tentou melhorar o serviço com linhas de ônibus extras, mas o congestionamento na Avenida de Portugal durante partidas de grande porte era frequente. Eu li relatórios de trânsito da época que estimavam tempos de deslocamento de 40 a 50 minutos para torcedores vindos do centro, mesmo usando transporte público. Essa dificuldade logística influenciou a decisão do clube de buscar um novo estádio com melhor acessibilidade.

Arquitetura e engenharia: lições que ainda se aplicam

O desenho do estádio original seguia o padrão europeu da época: arquibancadas em U abertas para o campo, com cobertura parcial apenas nas Laterais principais. Isso significava que os assentos das curves norte e sul ficavam expostos ao sol e à chuva. Os jogos no inverno em Madrid podiam ser gelados, e a exposição direta aos elementos era uma queixa constante dos adeptos. A solução que a administração adotou foi instalar toldos retráteis nas laterais, mas o mecanismo falhava frequentemente durante tempestades repentinas, típicas da primavera madrilenha. Um insight técnico que engenheiros modernos ignoram ao estudar o projeto original: a inclinação das arquibancadas do Metropolitano era mais acentuada do que a média europeia da época. Isso criou problemas de visibilidade para os assentos mais altos, mas também melhorou a acústica natural durante os jogos. O efeito de reverberação era tão forte que jogadores relatavam dificuldade de comunicação nos segundos minutos de partida. Alguns treinadores adaptavam seus sistemas de marcação justamente para compensar essa desvantagem comunicativa.

O legacy estrutural mais importante do estádio foi a inovação na drenagem. Como o terreno era úmido por proximidade com o rio, o sistema de drenagem subterrâneo foi um dos mais avançados da Europa nos anos 1930. Tubos de cerâmica enterrados sob a gram formavam uma rede capilar que direcionava a água para coletores principais. O sistema funcionava bem até chuvas intensas concentradas em poucas horas. Quando isso acontecia, o campo ficava encharcado e os jogos eram adiados com frequência. Nos anos 1970, uma reforma ampliou os coletores e substituiu parte dos tubos de cerâmica por PVC, o que melhorou significativamente a performance em dias chuvosos. Se você está pesquisando o tema para trabalho acadêmico ou projeto profissional, os arquivos municipais são o ponto de partida, mas também vale consultar a Hemeroteca Municipal de Madrid. Os jornais da época têm reportagens técnicas sobre expandções, reformas e incidentes operacionais que os registros oficiais não capturam. A coleção digital está disponível online, mas a busca por palavra-chave nem sempre retorna resultados precisos porque a terminologia mudou ao longo das décadas. Uma busca por "Metropolitano obra" ou "estadio demolicion" costuma ser mais eficaz do que variações modernas do nome.

O estádio Manzanares, na prática, foi um marco da engenharia esportiva espanhola e um símbolo da identidade do Atlético de Madrid. Nada restou fisicamente, mas o conhecimento técnico acumulado naquela estrutura ainda aparece em discussões sobre design de estádios modernos. A lição mais clara é que a relação entre geografia e infraestrutura esportiva é mais complexa do que se imagina, e decisões de localização afetam operação, custo e experiência do torcedor por décadas.