Martinelli Equipamentos Eletrônicos - Martinelli Modena
Martinelli Modena

Como funciona o catálogo de disjuntores e quadros da Martinelli

A Martinelli é uma das fabricantes nacionais mais consolidadas no mercado de componentes elétricos para baixo consumo. Se você trabalha com instalações prediais, industriais ou comerciais, já deve ter visto os disjuntores NIGP ou os quadros de distribuição com placa-frontal em aço galvanizado por aí. A coisa é straightforward, mas tem uns detalhes que a ficha técnica não mostra. O que muita gente não leva em conta na hora de especificar é a questão dos curtos-circuitos. Os disjuntores modulares da linha básica da Martinelli, os NIGP, têm um poder de ruptura que varia conforme o modelo. O NIGP 1P tem algo em torno de 4,5kA nas versões residenciais, enquanto os NIGP 3P e 4P chegam a 6kA ou 10kA dependendo do calibre. Se você está projetando um quadro de entrada com corrente de curto-circuito esperada acima disso, o disjuntor pode não conseguir interromper o defeito e aí vira problema real. Numa obra que eu fiz em Guarulhos, o técnico de campo pegou um NIGP 10A de 4,5kA para um quadro que estava a montante de um transformador com alta disponibilidade de corrente. Quando ocorreu um curto, o disjuntor não abriu. Ele apenas derreteu o contato interno. Trocamos por um NCB da Siemens e resolveu, mas o prejuízo foi maior.

martinelli equipamentos eletrônicos: especificação correta de disjuntores

O catálogo deles cobre disjuntores termomagnéticos modulares (NIGP), diferenciais residuais (NIDR), disjuntores de potência para ambientes industriais (NHB) e quadros de distribuição (QDC, QDI, QDCP). A linha NIGP é a mais comum em residências e comércios pequenos. Eles vêm em configurações de 1P, 1P+N, 2P, 3P e 4P. Os calibres vão de 1A a 63A para a maioria dos modelos. O curvatura também merece atenção. A curva B é para cargas residenciais puras, sem indutância. A curva C suporta picos de corrente de partida, como motores pequenos e transformadores. A curva D é para cargas industriais com correntes de inrush muito altas. Colocar um disjuntor curva B num circuito que alimenta um ar-condicionado com compressor direto na rede é pedir para o disjuntor disparar todo dia quando o compressor ligar. Eu já vi isso acontecer em pelo menos três projetos diferentes. A solução é simples: especificar curva C ou D conforme a natureza da carga. O catálogo da Martinelli indica isso nas folhas técnicas, mas muitos projetistas copiam e colam a especificação sem ler.

Para os diferenciais residuais, a linha NIDR tem modelos de 30mA, 100mA e 300mA. O de 30mA é o obrigatório para circuitos de tomadas e áreas molhadas conforme a NBR 5410. O de 100mA e 300mA são usados como proteção contra incêndio e para circuitos gerais de entrada. Um detalhe importante: o NIDR pode ser integrado ao disjuntor (tipo 2P ou 4P combinado) ou ser um módulo separável. A montagem em módulo separável exige mais espaço no quadro, mas facilita a substituição individual se algum componente falhar. Os quadros de distribuição merecem uma seção à parte. O QDC é o quadro de distribuição de circuito com placa frontal removível. O QDI é o mesmo, mas com porta. O QDCP é para embutir na parede. A escolha depende do tipo de instalação e da norma do condomínio ou prefeitura local. Em obras públicas, por exemplo, a prefeitura muitas vezes exige quadro com porta e selo de inspeção. Usar QDC sem porta num projeto licitado pode dar problema na vistoria.

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Outro ponto prático: a capacidade dos barramentos. Os quadros Martinelli têm barras de cobre com seções variadas. Um quadro QDC 24 módulos tem barras menores que um QDC 48 módulos. Se você vai alimentá-lo com cabo de bitola grande, verifique se a barra aguenta a corrente de entrada sem superaquecimento. Em quadros menores, a barra costuma ser dimensionada para no máximo 40A a 63A. Passar mais que isso exige um barramento reforçado ou um disjuntor de entrada menor para não sobrecarregar os pontos de conexão. Se você precisa consultar as fichas técnicas completas, o site da Eaton (donos da marca Martinelli) tem o catálogo técnico com todas as especificações, curvas de disparo, poderes de ruptura e dimensões dos modelos. É o Material Technical Data do site oficial da Eaton Brasil. Lá você baixa o PDF com tudo que precisa para especificar corretamente.

Um erro frequente que eu vejo em orçamentos é o uso de disjuntores NIGP de marcas genéricas chinesas sem certificação INMETRO. A Martinelli vende com selo, o que é obrigatório para a maioria das instalações no Brasil. Usar disjuntor sem certificação pode invalidar o seguro do imóvel e causar problemas na vistoria do corpo de bombeiros. Não vale a pena economizar cinco reais por disjuntor e depois responder por um incêndio que poderia ter sido evitado. Para projetos maiores, como centros comerciais ou galpões industriais, a linha NHB (disjuntores de potência em carcaça) é mais indicada que a linha modular. Eles suportam correntes maiores, de 16A até 630A, e têm poderes de ruptura mais altos. A instalação é diferente também: não monta em trilho DIN padrão dos quadros residenciais. Exige base de fixação específica e, muitas vezes, contato auxiliar para sinais de estado. Se você está vindo do universo residencial e vai fazer uma transição para industrial, reserve um tempo para entender as particularidades de montagem e fiação desses modelos. O manual de instalação da Eaton tem os detalhes.

Na prática, o que faz diferença no dia a dia do eletricista é a disponibilidade de reposição e o preço. A Martinelli tem boa distribuição no varejo eletroeletrônico brasileiro, então encontrar um NIGP 20A curva C não é difícil. Já importar um disjuntor de marca europeia pode levar semanas e custar o triplo. Para manutenções corretivas em escolas, postos de saúde e prédios residenciais, isso pesa bastante. O tempo de parada de um quadro desligado pode significar dias de falta de energia para várias unidades, então a disponibilidade local importa. Se o seu projeto exige something mais específico, como disjuntores com proteção integrada contra surtos ou disjuntores digitais programáveis, aí você precisa partir para marcas como ABB, Siemens ou Schneider. A Martinelli cobre bem o mercado de média faixa, que é a maioria das instalações no Brasil. Mas para automação predial avançada ou proteção diferencial sensível a harmônicas, o catálogo deles não chega nesse nível.

Resumindo de forma útil: verifique sempre o poder de ruptura, a curva de disparo, a certificação INMETRO, a compatibilidade dos barramentos com a corrente de entrada e a disponibilidade do modelo na sua região. Esses quatro pontos resolvem a maioria dos problemas que aparecem após a instalação. O catálogo técnico completo está disponível no portal da Eaton Brasil. Basta acessar a seção de produtos e procurar por martinelli equipamentos eletrônicos que aparece a lista de todos os disjuntores e quadros com fichas para download.