Nomes Dos Polígonos De 1 A 20 - Nomes Dos Polígonos De 1 A 20 - BINKEDU
Nomes Dos Polígonos De 1 A 20 - BINKEDU

Polígonos e seus nomes: o guia prático que a maioria dos livros não te dá direito

Quem pesquisa nomes de polígonos na internet esbarra num monte de informações truncadas ou tabelas com lacunas. O problema é simples: o grego contribui com os primeiros nomes, mas a partir do onze a coisa começa a dar conflito entre os sistemas grego e latim, e aí muita gente trava. Eu já vi planilhas inteiras de professores de matemática terem esse ponto de ruptura porque os materiais didáticos costumam parar no decágono e jogar os outros pro lixo.

nomes dos polígonos de 1 a 20 — a lista completa

Aqui está a sequência, na ordem, sem rolos. A nomenclatura segue majoritariamente o sistema grego, que é o padrão em geometria. Para os números menores, o português costuma usar nomes consolidados; para os maiores, a regra prefixal se aplica. 1 — monógono: tecnicamente degenerado. Não existe como figura fechada no plano euclidiano, porque precisa de pelo menos três vértices distintos para fechar uma região. Em geometria esférica aparece como caso limite, mas na prática escolar você não vai encontrar uso.

2 — digão: também degenerado. Seria formado por dois vértices conectados por dois arcos ou lados sobrepostos. Não é considerado polígono em nenhuma definição padrão de ensino médio ou superior. 3 — triângulo ou trígono: o nome técnico é trígono. Triângulo é a denominação popular que todo mundo usa. Soma dos ângulos internos igual a 180°. É o único polígono rigidez estrutural inerente — uma vez definidos os três lados, a forma está travada.

4 — quadrilátero ou quadrángulo: quadrilátero é o termo corrente. Quadrángulo aparece em contextos mais formais. Soma dos ângulos internos: 360°. Aqui começam as subcategorias (trapézio, paralelogramo, losango, retângulo, quadrado), que são onde a maioria das pessoas se perde. 5 — pentágono: 5 lados. Soma dos ângulos internos: 540°. O pentágono regular tem relação direta com a razão áurea — a diagonal dividida pelo lado vale phi. Isso aparece em problemas de construção com régua e compasso que os alunos praticamente não veem.

6 — hexágono: 6 lados. Soma dos ângulos internos: 720°. O hexágono regular é o polígono com maior número de lados que tessela o plano sem espaços. Isso não é curiosidade: é o motivo pelo qual favos de mel e estruturas modulares usam essa forma. 7 — heptágono: 7 lados. Soma dos ângulos internos: 900°. Construível com régua e compasso? Não. Esse é um daqueles detalhes que cai em olimpíadas de matemática e em provas de engenharia quando falam de polígonos regulares constructíveis. O heptágono regular exige construção por neusis ou aproximações numéricas.

8 — octógono: 8 lados. Soma dos ângulos internos: 1080°. Construível com régua e compasso, sim. 8 = 2³, potência de 2, e todo n que for potência de 2 é constructível. Ângulo interno de 135° no regular. 9 — eneágono ou nonágono: 9 lados. Soma dos ângulos internos: 1080°. O termo "nonágono" vem do latim e é amplamente usado no Brasil, enquanto "eneágono" segue o grego. Ambos estão corretos. Construível com régua e compasso? Não. 9 = 3², e 3 é primo de Fermat, mas 3² não preserva a constructibilidade — só primos de Fermat aparecem na fórmula de Gauss.

10 — decágono: 10 lados. Soma dos ângulos internos: 1440°. Construível, porque 10 = 2 × 5 e 5 é primo de Fermat. Ângulo interno do decágono regular: 144°. Nota de rodapé: decágono não deve ser confundido com decágonos estrelados, que são figuras diferentes com autointerseção. 11 — hendecágono: 11 lados. Soma dos ângulos internos: 1620°. 11 é primo de Fermat? Não. Primo de Fermat só existe para exponentes potências de 2. 11 não permite construção por régua e compasso. Esse é o primeiro polígono regular da sequência que você realmente não consegue construir exatamente com ferramentas clássicas.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

12 — dodecágono: 12 lados. Soma dos ângulos internos: 1800°. Construível, sim. 12 = 2² × 3. O fator 3 sozinho não seria constructível, mas aqui temos uma combinação que permite construção via ângulos de 30° e 60°, muito usados em projetistas mecânicos. 13 — tridecágono ou tricáidecágono: 13 lados. Soma dos ângulos internos: 1980°. 13 é primo, mas não é primo de Fermat. Não constructível. Na prática, quem trabalha com usinagem ou CAD usa aproximações numéricas. Eu já fiz isso em um projeto de peça de transição onde o furo precisava ter distribuição de 13 elementos iguais — usei divisão por cossenos no autocad com tolerância de 0,02 mm.

14 — tetradecágono: 14 lados. Soma dos ângulos internos: 2160°. Não constructível. 14 = 2 × 7, e 7 é o primo do heptágono que já sabemos não constructível. 15 — pentadecágono: 15 lados. Soma dos ângulos internos: 2340°. Construível. 15 = 3 × 5, e ambos 3 e 5 são fatores que aparecem em construções conhecidas (triângulo equilátero e pentágono). A combinação é permitida pelo teorema de Gauss-Wantzel. Isso é incomum e pouca gente sabe — a maioria acha que 15 seria difícil por ser múltiplo de 3 e 5, mas é exatamente o oposto.

16 — hexadecágono: 16 lados. Soma dos ângulos internos: 2520°. Construível, porque 16 = 2, potência de 2. Ângulo interno regular: 157,5°. Muito usado em projetos de coruchéus e elementos ornamentais. 17 — heptadecágono: 17 lados. Soma dos ângulos internos: 2700°. Construível. Esse é o famoso polígono de Gauss — ele provou em 1796 que o heptadecágono regular é constructível com régua e compasso. 17 é primo de Fermat (2² + 1 com n = 2). Esse é um dos poucos primos de Fermat conhecidos e um marco na teoria dos números.

18 — octadecágono: 18 lados. Soma dos ângulos internos: 2880°. Não constructível. 18 = 2 × 3², e 3² já quebrava a constructibilidade no caso do eneágono. 19 — eneadecágono ou nonadecágono: 19 lados. Soma dos ângulos internos: 3060°. Não constructível. 19 é primo, mas não é primo de Fermat. Os únicos primos de Fermat conhecidos são 3, 5, 17, 257 e 65537 — e 19 não está nessa lista.

20 — icoságono: 20 lados. Soma dos ângulos internos: 3240°. Construível, porque 20 = 2² × 5 e 5 é primo de Fermat. Ângulo interno regular: 156°. Esse aparece com frequência em projectos de arquitetura e design de produtos por ser suficientemente próximo de um círculo sem complicação excessiva.

Por que a constructibilidade importa mais do que parecer

Quem só precisa decorar nomes para uma prova objeti va pode pular essa parte. Mas se você trabalha com anything que envolva geometria — CAD, usinagem, design industrial, engenharia civil — saber quais polígonos regulares são constructíveis com régua e compasso economiza horas de tentativa e erro. A regra de Gauss-Wantzel diz que um polígono regular de n lados é constructível se e somente se n for produto de uma potência de 2 por zero ou mais primos de Fermat distintos. Os primos de Fermat conhecidos são apenas cinco: 3, 5, 17, 257 e 65537. Isso significa que, dentro de 1 a 20, os constructíveis são 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, 15, 16, 17 e 20. O restante não tem construção exata clássica. O erro comum é achar que porque um número é par ele é automaticamente constructível. Não é. 14 é par e não é constructível porque contém o fator 7, que não é primo de Fermat. 18 é par e também não é, por causa de 3². A paridade não entra na conta.

Uma armadilha real que eu encontrei no campo

Em um projeto de fixação de parafusos em flange circular, o cliente pediu distribuição de 13 furos igualmente espaçados. Eu tentei usar a division feature do SolidWorks com ângulo de 360/13 27,6923°. O erro acumulado de arredondamento gerava folga de montagem em peças usinadas. A solução foi calcular cada posição por coordenadas polares usando cosseno e seno com precisão de 6 casas decimais, exportar para uma tabela de offsets e usinar individualmente. Funcionou, mas levou o triplo do tempo que um polígono constructível levaria. Se o número fosse 15, eu teria construído o padrão geometricamente e copiado — muito mais rápido e preciso.

Dica prática sobre nomenclatura

Quando alguém pergunta por "nomes dos polígonos de 1 a 20", a confusão mais frequente acontece em três pontos: 9 (eneágono vs nonágono), 19 (eneadecágono vs nonadecágono) e 13 (tridecágono vs tricáidecágono). Todas as variantes são corretas. O padrão acadêmico brasileiro favorece os formações gregas (eneágono, eneadecágono, tridecágono), mas os livros didáticos de ensino fundamental ainda usam muito as formas latinizadas. Se você está desenvolvendo material pedagógico, escolha uma convenção e mantenha consistente — alternar dentro do mesmo documento gera más interpretações em avaliações. Não existe um formato universal obrigatório. A ABNT não regula nomenclatura geométrica. O que existe são convenções de uso, e o uso em publicações técnicas recentes tende ao grego por questão de coerência com a notação internacional.