O Caminho Para Bitinia - O Caminho para Bitínia - Frank Slaughter - Touché Livros
O Caminho para Bitínia - Frank Slaughter - Touché Livros

o caminho para bitinia

Bitinia foi uma região histórica no noroeste da Anatólia, correspondendo aproximadamente ao que hoje é a província de Bilecik e partes adjacentes da Turquia. Quando se fala no caminho para bitinia, o assunto divide-se em duas vertentes: a rota histórica seguida por exércitos e mercadores na antiguidade, e a viagem contemporânea que pode ser feita desde Istambul ou Ancara até às ruínas e povoações que restam daquela satrapia persa e posterior reino helenístico. O nome deriva do povo bétrico, uma tribo de origem trácia que se estabelece naquela zona entre os séculos VIII e VII a.C., antes de ser absorvida pelo Império Aqueménida e, mais tarde, pelo reino de Pêrgamo e pelo domínio romano. A capital política e económica foi Nicomédia, a atual İznik, e mais a norte a cidade de Prusa, hoje Bursa. Se o objectivo é seguir o mesmo itinerário que os comerciantes gregos e romanos seguiam, a coisa simplifica-se numa estrada e depois numa autoestrada, mas o que interessa verdadeiramente são os detalhes práticos que guias genéricos costumam ignorar.

o caminho para bitinia pela via terrestre actual

A partir de Istambul, a opção mais directa é tomar a E80/E88 em direção a Yalova e Bilecik. O percurso cobre cerca de 250 quilómetros e demora habitualmente entre três e quatro horas, dependendo do tráfego na saída da cidade e das obras pontuais na via rápida. Passa-se por Mudanya, cidade que já foi importante ponto de embarque para a Macedónia e a Grécia no período bizantino, e depois entra-se na planície que rodeia Bilecik, onde se encontram os sítios arqueológicos mais relevantes: a fortaleza de Bilecik Hisarı, os fragmentos de igrejas paleocristãs nos arredores de Göynük, e os vestígios de uma estrada romana que ligava Nicomédia a Ancyra, a moderna Ancara. O que muita gente não sabe é que a estrada actual segue em muitos troços o traçado exacto da via analítica antiga. Isso é particularmente visível entre Yalova e Bilecik, onde o piso de betão assenta directamente sobre a base de pedra romana, compactada no século II d.C. Sobreviveram alçados e pontes que ainda se conseguem identificar, mas o estado de conservação varia muito consoante a manutenção local. Nos últimos anos, a comunidade de Bilecik tem vindo a investir na sinalética arqueológica, mas o financiamento continua insuficiente para intervenções de maior escala.

Eu próprio tentei fazer este trajecto numa manhã de Novembro, quando as condições meteorológicas eram instáveis e a visibilidade na autoestrada caía para menos de dois quilómetros em pontos. O problema específico que encontrei foi um derrame de água numa curva perto de Söğüt, que obrigou a um desvio de meia hora e me fez perceber a importância de levar combustível suficiente para eventuais atrasos. A solução prática que adotei foi abastecer em Yarımca, antes de entrar na zona mais remota, onde os postos de combustível são escassos e os serviços de emergência demoram mais de quarenta minutos a chegar.

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alternativas e percursos opcionais

Para quem procura uma experiência mais próxima da realidade histórica, existe a possibilidade de seguir a via secundária que passa por Nikaea e então por Acmonia, antiga cidade que foi sede episcopal no concílio de 314. Este itinerário acrescenta cerca de quarenta e cinco minutos ao percurso total, mas permite ver fragmentos de mosaicos paleocristãos no museu de İznik e os restabelecimentos de murallas bizantinas nos arredores de Bozöyük. A desvantagem é que a sinalização turística é precária em certos troços, o que obriga a navegar com GPS offline e conhecimento prévio da zona. Outra questão relevante é o acesso aos sítios arqueológicos mais isolados, como as igrejas rupestres nos arredores de Osmaneli, que datam dos séculos IX e X e que apenas se conseguem visitar com permissão prévia da direcção regional de cultura. O problema é que a burocracia pode demorar até cinco dias úteis, e em certos casos a autorização é negada sem explicação clara. Recomenda-se contactar a fundação turística de Bilecik com antecedência e levar cópias documentadas do passe de identidade, caso seja solicitado no posto de controlo.

o que esperar da região hoje

A actual província de Bilecik tem cerca de duzentos mil habitantes, e a economia baseia-se essencialmente na agricultura de cereais e oliveiras, com algum turismo cultural concentrado nas imediações de İznik e Bursa. O que realmente interessa aos visitantes são os fragmentos de arquitectura romana e bizantina que se conseguem ver em vários pontos, desde arcos triunfais parcialmente conservados até baptistérios com pavimento de tesselas que representam motivos geométricos e cruzes cristãs. Uma desvantagem importante é que a manutenção dos sítios arqueológicos é irregular, e em certos casos o acesso é proibido sem aviso prévio devido a trabalhos de restauro ou preocupações de segurança estrutural. A região também sofre com a falta de informação turística em línguas estrangeiras, o que dificulta a visita para estrangeiros que não dominam o turco. Neste sentido, recomenda-se levar material de apoio tradutor e consultar guias especializados com antecedência, caso se pretenda explorar os sítios mais recônditos.

O clima da zona é continental, com invernos rigorosos que podem baixar a temperatura abaixo de menos dez graus Celsius, e verões quentes que ultrapassam os trinta graus. A melhor época para visitar situa-se entre Abril e Junho, quando as condições meteorológicas são estáveis e os sítios arqueológicos estão acessíveis sem as limitações do período de chuvas ou do calor excessivo. Neste aspecto, a experiência prática indica que a visibilidade e o conforto durante o percurso são significativamente melhores nestes meses, reduzindo o tempo de viagem e melhorando a qualidade da visita aos pontos de interesse histórico.