O Que É Concordância - Concordância Verbal e Nominal: o que é, exemplos e exercícios ...
Concordância Verbal e Nominal: o que é, exemplos e exercícios ...

Concordância é basicamente o ajuste entre palavras dentro da mesma frase

Você já deve ter visto alguém escrever "nós vamos" em vez de "nós vamos" e sentido que algo estava errado. Isso é concordância. Em português, existem dois tipos principais que todo mundo precisa saber, mesmo que não saiba o nome: concordância verbal e nominal. O verbal acontece quando o verbo precisa se encaixar no sujeito. Se o sujeito é "as crianças", o verbo fica no plural: "as crianças correram". Se é "a criança", singular: "a criança correu". Parece óbvio até chegar naqueles casos que confundem todo mundo.

O que é concordância na prática

A concordância nominal é mais simples de entender mas mais chata de decorar. Quando um adjetivo modifica um substantivo, ele tem que combinar em gênero e número. "Porta aberta", "portas abertas", "menino feliz", "meninas felizes". O adjetivo segue o substantivo. Artigo, pronome e numeral também entram nessa regra. Aqui vai algo que poucos explicam direito: o verbo "haver" no sentido de existir é impessoal. Isso significa que ele nunca fica no plural, independente do que vem depois. "Havia muitos problemas" está certo. "Haviam muitos problemas" está errado. Eu já vi isso errar em editores profissionais e até em materiais de órgãos públicos. O erro persiste porque a lógica do cérebro quer pluralizar quando vê "muitos problemas", mas a gramática não permite.

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Outro ponto que causa confusão constante é o sujeito posposto. Quando o sujeito vem depois do verbo, muita gente acaba concordando com something errado. "Faltam duas horas" – o sujeito é "duas horas", então o verbo fica no plural. Mas as pessoas escutam o singular primeiro e travam. A solução prática é identificar o sujeito antes de decidir a flexão do verbo, não confiar na ordem em que as palavras aparecem. Tem ainda a questão dos verbos "ir" e "chegar" usados com "a". Muita gente escreve "ele foi a São Paulo" sem problema, mas quando o sujeito é composto, começa a confusão. "Fui eu e minha irmã ao evento" soa estranho para muita gente, mas está correto. O problema é que a linguagem coloquial empurra todo mundo para o plural sem pensar.

Um caso prático que me deu trabalho numa revisão recente foi com "um e outro". A regra diz que leva verbo no singular: "um e outro candidato compareceu". Na prática, muita gente coloca no plural achando que dois elementos exigem plural. Eu corrigi isso em um documento de cinquenta páginas e ainda assim dois erros passaram despercebidos na segunda leitura. A dica é ler em voz alta, pausadamente. O ouvido percebe deslizes que o olho ignora. Concordância também entra em cenários onde a norma culta diverge do uso comum. "Mais melhor" é um exemplo clássico de erro que todo mundo usa, mas que não existe na gramática normativa. O certo é "melhor" ou "ainda melhor". Redutores fonéticos e gírias regionais também criam situações onde a concordância aparente se quebra, e o falante nativo às vezes não consegue identificar o problema porque já internalizou a forma errada como natural.

O ponto mais importante é que concordância não é só uma regra de escola. É a base para textos que não parecem amadores. Quando você escreve para um público exigente – seja um editor, um cliente corporativo, um tribunal –, um erro de concordância pode minar toda a credibilidade do texto, independentemente do conteúdo. Eu já vi relatórios técnicos excelentes serem rejeitados parcialmente por problemas de formatação e concordância. O conteúdo era bom. A forma não ajudava. Se você quer melhorar, a abordagem mais eficiente é estudar os casos excepcionais separadamente, não tentar decorar todas as regras de uma vez. Foque em "haver" impessoal, sujeito composto, pronome relativo "que" e "quem", e concordância com collectivo. São os que mais caem e os que mais geram dúvidas no dia a dia.