O Que São Formas Nominais Do Verbo - Formas nominais do verbo: quais são, exemplos - Brasil Escola
Formas nominais do verbo: quais são, exemplos - Brasil Escola

As formas nominais do verbo em português

A forma nominal é apenas o verbo quando ele perde parte da sua flexão verbal e assume características que lembram substantivos ou adjetivos. Em português, são três: infinitivo, gerúndio e particípio. Parece simples, mas a prática mostra que existem armadilhas frequentes que até gente experiente pisa. Muitos professores explicam isso de forma seca, falando em "flexibilidade morphológica" sem dar exemplos concretos. O resultado é que o estudante decorava para a prova e esquecia na hora de escrever um texto real.

O que são formas nominais do verbo

O infinitivo é a forma base, aquela que você encontra no dicionário. Ele pode ser impessoal (infinitivo pessoal ou impessoal) e não indica tempo nem pessoa diretamente. Exemplo: "estudar", "chegar". O gerúndio marca uma ação em andamento e termina em -ando, -endo ou -indo. Exemplo: "trabalhando", "comendo". O particípio é o que mais gera confusão, porque existe na forma regular (-ado, -ido) e irregular, e muda de função dependendo se está sendo usado com auxiliares como ter/haver ou ser/estar. O particípio regular segue o padrão: falado, vendido, terminado. Já o irregular exige memorização: feito, dito, escrito, visto, posto. Isso não é frescura, é coisa que aparece todo dia em revisão textual.

Eu já tive um caso específico em que um cliente mandou um documento com um período composto por "tinha sido escritas as observações". O erro estava no particípio. O correto seria "escritas". Eu corrigi, mas o ponto que mais me chamou atenção foi que o revisor anterior tinha passado por cima disso porque estava focado em concordância nominal e esqueceu de checar a forma do particípio. Desde aí, adotei o hábito de verificar o particípio como uma etapa separada, antes de qualquer coisa. Leva uns três minutos a mais, mas evita retrabalho que costuma ser dez vezes mais demorado.

Infinitivo: as duas faces que ninguém comenta

O infinitivo impessoal é o que todo mundo conhece. Mas o infinitivo pessoal, aquele que se flexiona em número e pessoa, é onde a maioria erra sem saber. Ele aparece quando há sujeito definido e a clareza exige que a pessoa verbal fique explícita. Exemplo: "É preciso que todos nós viajemos" versus "Viajarmos não é opção para esta equipe." A diferença prática é sutil, mas importante. Quando o sujeito da oração subordinada não é o mesmo do principal, usar o infinitivo pessoal evita ambiguidade. Eu vejo bastante gente usando infinitivo impessoal nesses casos e o sentido fica embaralhado. O teste rápido é verificar se há risco de interpretação errada. Se houver, flexione o infinitivo.

Outro detalhe que poucos mencionam: o infinitivo pode funcionar como substantivo, como adjetivo ou como advérbio. Isso significa que a mesma forma pode ter papéis diferentes no texto, e o contexto é que define qual é. Não existe regra mecânica para isso, só prática de leitura.

Gerúndio: o abuso que ninguém freia

O gerúndio é útil quando você quer indicar ação simultânea ou imediatamente anterior. Mas o vício de usar gerúndio onde deveria haver outra construção é comum demais. "Estamos aguardando sua resposta para darmos prosseguimento" soa melhor que "Estamos aguardando sua resposta para dando prosseguimento", mas ainda assim há opções mais elegantes. O problema do gerúndio não é o uso em si. É o uso indiscriminado em textos formais, onde ele muitas vezes substitui construções mais diretas. Um exemplo clássico: "O sistema está processando os dados" versus "O sistema processa os dados". A segunda é mais enxuta e frequentemente mais clara.

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Também existe o gerúndio com valor adverbial de condição ou causa, que é válido mas precisa de cuidado. "Tendo concluído o relatório, enviei-o ao diretor" funciona. Já "Tendo eu concluído o relatório, enviá-lo-ei ao diretor" soa artificial e pesa demais. A regla prática aqui é simplicidade: se a frase ficou pesada, provavelmente o gerúndio não era a escolha certa.

Particípio: onde a coisa fica séria

O particípio é a forma nominal mais complicada porque ele carrega duas funções distintas. Quando usado com os auxiliares ter ou haver, ele forma os tempos compostos e atua como verbo. Quando usado com ser ou estar, pode atuar como adjunto adnominal, ou seja, como adjetivo. Essa distinção tem consequências reais na concordância. Exemplo: "As cartas foram escritas" versus "Eu tinha escrito as cartas". Na primeira, "escritas" concorda com "cartas" porque funciona como adjetivo. Na segunda, "escrito" não varia porque faz parte da locução verbal. Se você inverter e escrever "Eu tinha escritas as cartas", cometeu um erro. Esse erro é frequente em textos produzidos por quem não domina a regência do auxiliar.

Os particípios irregulares também merecem atenção. Formas como "absolto" (e não "absolvido" em certos contextos jurídicos), "efetuado" versus "efetivado", "entregue" versus "entregado" variam conforme o registro e a área. Eu já corrigi um contrato em que "as partes haviam estipulado" estava correto, mas "os termos haviam sido estipulados" também estava, e a variação não era erro — era escolha estilística dentro do registro jurídico.

Erros comuns que vale a pena evitar

Confundir infinitivo flexionado com gerúndio. "Nós temos de ir" está correto. "Nós temos de indo" não. Errar a concordância do particípio em orações passivas. "A decisão foi tomada" está certo; "A decisão foi tomados" está errado. Usar gerúndio depois de preposição quando o infinitivo seria mais natural. "Antes de começando o trabalho" deveria ser "Antes de começar o trabalho". Outro erro recorrente é usar o particípio irregular de forma regularizada. "Ele tinha rido muito" está errado; o correto é "Ele tinha rido muito". O particípio de "rir" é "rido", não "ridado". Same for "dizer" (dito), "fazer" (feito), "ver" (visto).

Limitações e cenários onde isso não funciona

Nenhuma regra fixa cobre todos os casos. Textos criativos, linguagem coloquial e registros informais frequentemente quebram convenções que valem para o padrão culto. Se o objetivo é escrever para redes sociais, para um podcast ou para comunicação interna de uma equipe jovem, insistir em particípio flexionado ou infinitivo pessoal pode soar artificial. O ideal é ajustar o registro ao público. Além disso, em textos técnicos e científicos, o uso de gerúndio é frequentemente desencorajado porque tende a produzir ambiguidade temporal. Nesses casos, preferir o infinitivo ou reconstruir a frase com uma oração subordinada explícita costuma ser mais seguro.

Se você está estudando para concursos ou para a ABNT, o conselho é simples: domine as regras do padrão culto e aplique com critério. Se está escrevendo um texto informal, sinta-se livre para flexibilizar, mas saiba que a flexibilidade tem preço em clareza.