A ordem das operações é mais bagunçada do que você lembra
Você já viu alguém resolver 3 + 5 x 2 e chegar em 16? Isso acontece todo dia. A confusão entre primeiro multiplicação ou soma não é só problema de aluno do ensino fundamental — eu já vi engenheiro calibrando uma planilha de orçamento fazer essa conta errada e ainda cobrar o cliente pelo resultado. O padrão é simples: multiplicação e divisão vêm antes de adição e subtração. Mas a parte que ninguém explica direito é o que acontece quando eles se encontram no mesmo nível ou quando há parênteses enfiados de forma confusa. A maioria dos erros que eu encontrei na prática veio exatamente desses casos limítrofes.
primeiro multiplicação ou soma — a resposta curta
Multiplicação primeiro. Sempre, a menos que um parêntese diga o contrário. Exemplo prático: 4 + 3 x 2 = 10, não 14. O x 2 se resolve antes, depois some-se o 4 ao resultado. Isso vale no Brasil inteiro e na maioria dos países lusófonos. O conteúdo aparece nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) do ensino fundamental como parte da unidade de números e operações, geralmente no 5º ou 6º ano, mas estudantes continuam errando isso anos depois. Eu já corrigi isso em profissionais que estavam há mais de dez anos fora da escola.
Aqui vai algo que pouca gente sabe: a convenção vem da necessidade histórica de escrever fórmulas sem precisar de parênteses para tudo. Antes disso, os matemáticos escreviam de forma totalmente explícita, o que tornava equações longas praticamente ilegíveis. A prioridade Operações foi uma convenção prática, não uma lei da física.
O que acontece quando a coisa fica difícil
Certeza? Nem tanto. Eu tive um caso recente em que precisei validar um script de cálculo financeiro que envolvia expressões aninhadas com potências, raízes, parênteses dentro de parênteses e operadores misturados. A expressão era algo do tipo: 2 + 3 x (4 + 5²) - 10 / (2 + 3)
Um iniciante tende a resolver da esquerda para a direita sem se importar com a hierarquia, o que gera resultados completamente diferentes. O correto é: Primeiro, o parêntese interno: 5² = 25. Depois, 4 + 25 = 29. O outro parêntese: 2 + 3 = 5. Em seguida, multiplicações e divisões: 3 x 29 = 87 e 10 / 5 = 2. Por fim, adições e subtrações: 2 + 87 - 2 = 87.
O resultado final é 87. Se alguém tiver resolvido 2 + 3 primeiro, vai dar outro número completamente errado. Outro detalhe importante: a ordem entre multiplicação e divisão, e também entre adição e subtração, é igual. Quando aparecem juntas, resolve-se da esquerda para a direita. Isso significa que 12 / 3 x 2 não é 12 / 6 = 2. É 12 / 3 = 4, depois 4 x 2 = 8. A maioria dos erros que eu vejo nessa área vem justamente desse equívoco.
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Armadilhas que eu já vi acontecerem
A primeira armadilha clássica é a expressão com frações visuais. Alguém vê 6 / 2(1 + 2) e interpreta de formas diferentes dependendo do contexto. Alguns dizem que é 6 / 2 x 3 = 9. Outros dizem que a multiplicação implícita pelo parêntese deveria ter prioridade, resultando em 6 / 6 = 1. A resposta padrão aceita hoje em dia, segundo a convenção moderna, é 9. Mas em alguns contextos mais antigos ou em certas regiões, a interpretação pode variar. Outra armadilha frequente é a presença de potência junto com multiplicação. Por exemplo: 2 x 3². Muita gente calcula 2 x 3 = 6 e depois eleva ao quadrado, chegando a 36. O correto é elevar 3 ao quadrado primeiro (9) e depois multiplicar por 2, resultando em 18. Potência tem prioridade sobre multiplicação.
Eu também já vi planilhas em que o operador de porcentagem era usado sem a devida precedência. Um valor como 100 + 10% pode ser interpretado como 100 + 10 = 110 ou como 100 + (100 x 0,10) = 110. No segundo caso o resultado é o mesmo, mas isso só funciona porque o percentual foi calculado sobre o primeiro termo. Se a expressão for diferente, o erro aparece rápido.
Como resolver expressões sem errar
A técnica que eu recomendo é a seguinte: sempre isole os parênteses mais internos primeiro, resolvendo tudo que está dentro deles antes de abrir o parêntese externo. Depois, avance para potências e raízes. Em seguida, faça multiplicações e divisões da esquerda para a direita. Por último, adições e subtrações, também da esquerda para a direita. Uma forma de não esquecer é anotar cada passo em uma folha. Não confie só na cabeça. Já vi gente resolver expressões com seis níveis de parêntese mentalmente e chegar a um resultado que parecia certo até conferir com a calculadora. O erro estava em um sinal de negativo que tinha sido trocado.
Outra dica prática: use parênteses mesmo quando a convenção não exige. Escrever (3 x 2) + 4 em vez de 3 x 2 + 4 não muda o resultado, mas elimina qualquer ambiguidade na hora de revisar ou passar para outra pessoa. Em documentos formais e planilhas, essa clareza evita retrabalho.
Quando a convenção falha
Não existe uma solução perfeita para tudo. Em alguns contextos históricos, a notação de multiplicação implícita (como 2x onde x é uma variável) era tratada com prioridade sobre a divisão explícita. Em sistemas computacionais modernos, a maioria das linguagens de programação segue a convenção padrão, mas expressões mal escritas ainda podem gerar resultados inesperados. Se você trabalha com cálculos que envolvem muitas operações misturadas, o ideal é usar uma linguagem ou ferramenta que force a explicitação dos parênteses. Isso reduz drasticamente a margem de erro. Planilhas como o Excel e o Google Sheets já aplicam a precedência correta automaticamente, mas apenas se a fórmula estiver escrita como deveria.
Para quem quer consultar a regra de forma oficial, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Brasil tratam do assunto no ciclo de números e operações do ensino fundamental. Material complementar pode ser encontrado em portais de educação pública e em livros didáticos aprovados pelo PNLD (Programa Nacional Livro Didático). Resumindo: quando a dúvida for primeiro multiplicação ou soma, a resposta é multiplicação. Parênteses mudam tudo. Anote os passos. E não confie cegamente na intuição — a intuição já enganou muita gente que achava que sabia a conta.