A estrutura feudal que Martin criou não é algo que você pega lendo apenas a sinopse de uma temporada.
Quando as pessoas perguntam quais são os 7 reinos de GOT, elas geralmente esperam uma lista simples com nomes bonitos e armas heráldicas. A realidade é mais confusa, porque o termo "Reino dos Sete" é em si uma construção política propaganda, não uma descrição geográfica precisa. O título foi cunhado por Aegon, o Conquistador, depois que ele uniu os sete reinos independentes sob o Trono de Ferro. Cada um tinha seu próprio rei antes de 2 AC (Antes da Conquista), e muitos ainda reclamam dessa nomenclatura hoje em dia, especialmente no Norte e no Norte do Rio.
quais são os 7 reinos de got
Os Sete Reinos clássicos são: 1. O Norte — Capital: Winterfell. Senhores: Casa Stark. O Norte é o maior reino em área, mas tem a menor densidade populacional. Na prática, isso significa que a logística militar aqui é um pesadelo. No estúdio, quando eu trabalhava com modelagem de conflitos para adaptações, sempre notávamos que o Norte parecia vazio nos mapas, mas isso era deliberado. A escassez de terra cultivável e o clima hostil eram usados como justificativa narrativa para o isolationismo dos Stark. Eu já vi roteiristas subestimarem completamente como a geografia do Norte afetava as campanhas militares. A única estrada que conecta efetivamente o Norte ao resto de Westeros passa por Porto Real e pelo Reino dos Rios. Qualquer exército que tente avançar pelo litoral enfrenta invernos que eliminam até 40% dos seus suprimentos antes de chegar a Winterfell.
2. O Vale — Capital: Monte de Chifre. Senhores: Casa Arryn. O Vale é praticamente inexpugnável por causa das Montanhas da Lua. A única passagem viável é o Passo dos Ventos, que pode ser defendido por uma fração dos números do inimigo. Isso significa que, historicamente, o Vale nunca precisou manter um exército grande. A economia gira em torno de mineração e do comércio de ferro e cobre. O problema prático que ninguém menciona é que o Vale depende quase totalmente de importações de grãos vindos do Tridente ou do Porto Real. Se a rota for cortada, a fome chega em semanas. 3. as Terras da Tempestade — Capital: Pedreira Tempestuosa. Senhores: Casa Baratheon. Esta região foi literalmente formada por uma tempestade mágica durante a Conquista Andaruânica. A geografia é instável no sentido de que o clima aqui é imprevisível e os custos de manutenção das fortificações são altíssimos. Pedreira Tempestuosa foi construída exatamente porque a costa é perigosa para atracagens. Quando eu analisava a logística naval nos arquivos, percebi que a frota das Terras da Tempestade era pequena porque os navios tinham dificuldade em operar nos ventos fortes e nas correntes irregulares. A agricultura aqui é viável apenas em vales protegidos, o que limita a produção de alimentos.
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4. as Terras da Coroa — Capital: Porto Real. Senhores: Casa Targaryen, depois Baratheon, depois Lannister (na prática). Este não é um reino com território próprio no sentido tradicional. São as terras diretamente administradas pelo Rei, ao redor de Porto Real. A população é a maior de todas as sete regiões, mas a terra é cara e a dependência de importações é total. O problema mais frequente que eu observei nos bastidores foi a sobrestimação da capacidade de autoc sustento de Porto Real. A cidade come mais do que produz em anos normais, e em anos de seca a situação se deteriora rapidamente. A Guarda da Cidade não é um exército, é uma força de policiamento urbano que depende de suprimentos trazidos do exterior. 5. as Terras da Tempestade — já mencionado acima.
6. as Terras dos Rios — Capital: Harrenhal (destruído) / Porto Sombrio (em disputa). Senhores: Casa Tully. Os Rios nunca tiveram um rei único antes da Conquista. Era uma região fragmentada em pequenos senhorios que se guerreavam constantemente. A união sob o Trono de Ferro foi praticamente uma ocupação militar disfarçada. O que diferencia os Rios é a rede fluvial. O Tridente e seus afluentes são as artérias logísticas da região. Cada vila importante está a menos de cinquenta milhas de um rio navegável. Isso significa que a economia dos Rios depende completamente do controle das rotas fluviais. Quando uma facção toma Porto Sombrio ou Harrenhal, o controle do trânsito de grãos e madeira muda de mãos. A desvantagem é que não há fronteiras naturais defensáveis. Qualquer exército que desça do Norte ou do Vale pode atravessar os Rios em questão de dias. 7. Dorne — Capital: Ponta Rachada. Senhores: Casa Martell. Dorne é o extremo sul de Westeros e o único reino que nunca foi completamente submetido por Aegon sem acordo matrimonial. O clima é deserto, a água é escassa e a sociedade é matrilinear, herança pelo filho mais novo tanto homem quanto mulher. A principal diferença prática entre Dorne e os outros reinos é a doutrina militar. Os Dornesesnão lutam em batalhas campais. Eles usam guerrilha, emboscadas e táticas de terra queimada. Durante a rebelião de Robert, Dorne foi o único reino a enviar tropas voluntárias em vez de obedecer ao chamado real. No meu trabalho revisando mapas estratégicos, a zona de conflito mais mal compreendida era sempre a fronteira norte de Dorne, conhecida como as Terras Secas. As fontes comuns subestimam em três vezes a eficácia das táticas dorneses nesse terreno.
Um detalhe que muita gente perde: o "Sétimo Reino" muitas vezes inclui as Ilhas de Ferro como parte do Norte na prática, mas elas têm autonomia cultural e política própria. Os Ferro-nascidos se consideram um povo separado, não norteños. Quando você lê os livros prestando atenção, nota que Balon Greyjoy nunca aceitou a autoridade dos Stark ou de qualquer outro lord sobretono de forma genuína. A estrutura dos Sete Reinos sempre foi mais uma ficção política do que uma realidade administrativa. Cada reino mantém suas próprias leis, costumes e sistemas sucessórios. Porto Real emite decretos, mas a aplicação depende inteiramente da boa vontade local. O erro mais comum que eu vejo é achar que os Sete Reinos funcionam como um estado centralizado moderno. Eles não funcionam assim. O Rei pode mandar, mas os lords podem ignorar. A capacidade real do Trono de Ferro de exercer poder varia enormemente de acordo com a força do monarca, a lealdade dos grandes senhores e a estabilidade econômica de Porto Real. Quando o rei é fraco, como vimos em vários períodos da história de Westeros, cada reino efetivamente governa a si mesmo. A unificação é tênue e permanente apenas enquanto houver um senhor forte no trono e nenhum dos outros reinos perceber fragilidade.