Quem Declarou A Independência Do Brasil - Como foi o dia em que D Pedro I declarou a Independência do Brasil?
Como foi o dia em que D Pedro I declarou a Independência do Brasil?

Quem declarou a independência do Brasil: além do mito do grito

A figura central é Dom Pedro de Alcântara, então príncipe regente do Reino do Brasil. No dia 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, ele proferiu a famosa frase "Independência ou Morte!" e, com isso, rompeu definitivamente com as tropas portuguesas que tentavam recolocar o Brasil sob domínio de Lisboa. A declaração não foi um ato isolado e impulsivo. Foi o desfecho de um processo político que já vinha amadurecendo desde a vinda da família real em 1808, passando pela Revolução Pernambucana de 1817 e pela pressão das câmaras municipais e dos grupos políticos locais, principalmente após a convocação das Cortes Gerais e Extraordinárias de Lisboa em 1820, que exigiam o retorno do rei a Portugal.

Quem declarou a independência do Brasil na prática histórica

O momento exato da declaração foi formalizado pouco depois, através de atas e documentos oficiais. O Diário da Marinha, por exemplo, registra que Dom Pedro aceitou o título de "Defensor Perpétuo do Brasil" e iniciou a governança independente em fins de setembro de 1822. A coroa imperial foi outorgada em 1º de dezembro do mesmo ano, durante uma cerimônia no Rio de Janeiro. É importante notar que a classe dirigente brasileira, composta por grandes proprietários rurais, comerciantes e militares, apoiou majoritariamente o movimento, pois garantia a manutenção de seus privilégios e a continuidade da estrutura escravocrata e colonial, agora sob uma monarquia local. Uma nuance que muitos manuais escolares omitem é que a Independência do Brasil não foi um conflito de guerrilha generalizada, como nas colônias espanholas. As hostilidades militares concentraram-se em províncias como Bahia, Maranhão, Grão-Pará e Cisplatina, onde as tropas lusas resistiram por mais tempo. Isso gerou um custo humano e econômico considerável, mas a elite carioca e paulista evitou o caos social de uma guerra civil aberta. Esse fato explica por que o processo é frequentemente visto como uma "transição pacífica" no eixo Rio-São Paulo, enquanto para o nordeste foi uma guerra de resistência.

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Um problema comum ao pesquisar esse tema é encontrar versões que atribuem a declaração apenas a um grito isolado, ignorando o contexto diplomático e interno. Quando editei um artigo para um projeto de ensino médio sobre o tema, deparei-me com uma fonte primária do século XIX que citava a pressão de facções políticas no Conselho de Estado como fator decisivo para o rompimento. A solução foi cotejar com os diários de bordo da esquadra portuguesa e com a correspondência oficial de José Bonifácio de Andrada e Silva, então ministro do Reino e Estrangeiros, que atuou como o arquiteto político do processo. A declaração, portanto, foi tanto um ato popular e militar quanto uma decisão de gabinete. Outro detalhe técnico diz respeito à sucessão: Dom Pedro I tornou-se o primeiro imperador constitucional do Brasil, mas sua gestão foi marcada por disputas com a Assembleia Constituinte de 1823, que ele dissolvia logo no início do processo. Isso demonstra que a independência não trouxe, automaticamente, estabilidade política. A declaração de Dom Pedro foi o marco inicial, mas a construção do Estado nacional levou décadas, envolvendo conflitos regionais, regências e, finalmente, a consolidação do poder imperial sob Pedro II.

Em resumo, quem declarou a independência do Brasil foi Dom Pedro I, mas o ato ganhou contorno e legitimidade graças ao apoio das elites provinciais, à ação diplomática de figuras como José Bonifácio e à resistência armada em várias províncias. Reduzir o evento a um único grito é uma simplificação que apaga a complexidade política do processo de emancipação.