Tabela De Pronomes Demonstrativos - Tabela Pronomes Demonstrativos - Português
Tabela Pronomes Demonstrativos - Português

Como usar pronomes demonstrativos em português sem errar

A maioria das pessoas estuda a tabela de pronomes demonstrativos de forma separada da língua viva e acaba confundindo este, esse, aquele e o seu funcionamento na prática. Eu tive esse problema em 2019 quando revisei um contrato jurídico e o redator usou "naquele ponto" para se referir a uma cláusula que estava no próprio documento, o que gera ambiguidade total. A correção foi mudar para "neste ponto", porque o falante estava produzindo o texto no momento. Esse tipo de erro passa despercebido na maioria das revisões.

Tabela de pronomes demonstrativos

A tabela clássica se organiza em três eixos: proximidade em relação ao falante, proximidade em relação ao ouvinte, e afastamento de ambos. Em português brasileiro contemporâneo, a distinção entre "este" e "esse" está enfraquecendo muito, especialmente em regiões como São Paulo e no Sul, onde "esse" quase substitui "este" em contextos neutros. Isso não está errado do ponto de vista descritivo, mas em normas formais e provas de concurso a distinção ainda cobra pontos. Este / esta / estes / estas — referência ao que está perto do falante ou ao que será mencionado a seguir. Também indica atualidade temporal, algo que está acontecendo agora.

Esse / essa / esses / essas — referência ao que está perto do ouvinte ou a algo já mencionado anteriormente. Indica algo recente no discurso, não necessariamente no espaço físico. Aquele / aquela / aqueles / aquelas — referência ao que está longe do falante e do ouvinte, ou a algo mencionado há mais tempo na sequência discursiva.

Os pronomes também se combinam com preposições e adquirem formas contractas: nessa, nesse, naquele, nisto, nisso, naquilo. A forma "nestes" e "nesse" são as que mais causam erro porque muitos falantes tratam "neste" e "nesse" como sinônimos em tudo, o que não é verdade. No padrão culto, a regra básica de posicionamento temporal funciona assim: "deste ano para cá" indica início no presente e vai até o futuro, enquanto "dele para cá" ou "daquele ano para cá" indica algo no passado distante. "Deste ano" significa o ano atual, "dele" ou "daquele" significa um ano anterior.

Aqui vai um exemplo prático do meu dia a dia técnico. Quando eu escrevo um e-mail corporativo e quero me referir a um anexo que acabei de incluir, uso "neste anexo" ou "deste documento". Se o meu interlocutor mencionou algo na mensagem dele, eu respondo com "nessa informação" ou "nesse ponto". Se estivermos discutindo um processo que começou em janeiro e eu quero me referir a ele desde longe, uso "naquele processo". Trocar qualquer um desses gera estranhez imediata para o leitor atento. O uso de "o qual" como substituto demonstrativo também merece atenção. "O qual" retoma um termo já mencionado e funciona como pronome relativo, mas muitas pessoas confundem com "esse" e produzem construções como "esse qual eu disse". Isso não existe em nenhum registro da língua. O correto é apenas "o qual eu disse" ou, mais naturalmente, "que eu disse".

A forma "consigo" é outro ponto cego. "Consigo" só pode se referir à terceira pessoa do singular ou plural. "Eu levo o documento comigo" está correto. "Você leva consigo" também está. Mas "eu levo comigo contigo" não faz sentido gramatical. Eu vi isso ocorrendo em cartas judiciais constantemente, especialmente quando o redator tenta soar formal e mistura pronomes de tratamento de forma inconsistente. Um insight pouco conhecido é que o uso de "aqui" vs "aí" no português brasileiro segue uma lógica diferente do português europeu. No Brasil, "aqui" geralmente marca presença física do falante, enquanto "aí" marca presença do ouvinte ou proximidade com ele. Em Portugal, "aqui" pode ser usado de forma muito mais ampla. Se você está negociando com um cliente português e diz "eu estou aqui no escritório", ele pode entender que você está no escritório dele, não no seu. Esse mal-entendido acontece frequentemente em correspondência internacional.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Prazer: "por prazer" não é "por prezar". "Prazer" vem de "prazer", o verbo. "Prezar" significa valorizar. São palavras diferentes com usos completamente distintos. Eu vi esse erro em tabelas de revisão automatizada que não distinguem homófonos. Quando se trata de escrita acadêmica ou técnica, a recomendação é clara: use "este" para o que você está introduzindo agora, "esse" para o que já foi apresentado, e "aquele" para algo que ficou para trás na discussão. Não tente ser criativo. A norma culta não recompensa originalidade nesse caso, ela recompensa previsibilidade.

O caso dos demonstrativos usados como advérbios de lugar também é negligenciado. "Vem cá" é informal. "Venha aqui" é aceitável em contextos menos formais. "Venha aí" é adequado quando o ouvinte está perto. "Venha ali" indica distância. A confusão entre "aqui" e "aí" é a que mais gera reclamações em de empresas, segundo meu contato com equipes de suporte técnico.

Dicas práticas de uso

Separe os três eixos antes de escrever qualquer texto formal. Escreva uma frase, depois pergunte: quem está perto? O falante ou o ouvinte? Se for o falante, use "este". Se for o ouvinte, use "esse". Se for terceiro, use "aquele". Isso reduz o erro em cerca de 70% em revisões, baseado na minha experiência. Em provas de concurso, a banca pode cobrar a diferença entre "deste" e "dele". "Destes meus documentos" refere-se aos documentos do falante. "Deles documentos" não existe. O correto seria "dos documentos deles". A contração "dele" = "de + ele" não se aplica a possessivos plurais dessa forma. Esse erro é comum em respostas de candidatos que memorizam tabelas sem entender a lógica.

O pronome "quem" não é demonstrativo, mas aparece em construções com demonstrativos com frequência. "É aquele que chegou atrasado" está correto. "É esse quem chegou" está errado. O correto seria "é esse que chegou". A troca entre "que" e "quem" nesse contexto é um erro recorrente em textos informais. Se você precisa consultar a tabela de pronomes demonstrativos rapidamente, a melhor abordagem é não decorar a tabela inteira, mas entender a lógica por trás dela. A lógica é simples: proximidade do falante, proximidade do ouvinte, afastamento de ambos. Tudo o resto é variação regional ou registro formal que segue essa base.

Há uma limitação importante nessa abordagem: ela não funciona bem para textos criativos ou literários, onde a ambiguidade proposital é parte do estilo. Neste caso, a "regra" é justamente quebrada para efeito estético. Se o seu objetivo é redação técnica ou jurídica, seguir a lógica funciona. Se é ficção, sinta-se livre para ignorar. Outro ponto: a internet cheia de resumos simplificados diz que "este" é sempre para o falante e "esse" para o ouvinte. Isso é uma meia-verdade. Em diálogo, "esse" pode se referir ao falante também, dependendo do contexto. A diferença é matizada e depende de fatores pragmáticos que a gramática normativa nem sempre cobre.

Minha recomendação final é prática: leia textos formais, identifique os demonstrativos usados, e pergunte-se por quê. Não tente aplicar regras rígidas. Observe o padrão. Em dois meses de leitura ativa, você internaliza o uso corretamente sem precisar decorar nada.